O catolicismo na América Latina está em colapso?

José M. Vidal, (Agências). 13/01/18
A avaliação do próprio Papa passou de 7,2 em 2013 para 6,8 hoje
A queda do catolicismo na América Latina. Os países onde há mais pessoas que se declaram católicas são o Paraguai (89%), o México (80%), o Equador (77%), o Peru (74%), a Colômbia (73%) e a Bolívia (73%).
Sacudida por numerosos escândalos de pedofilia, a Igreja Católica da América Latina sofre uma forte queda, que nem sequer Francisco, o primeiro Papa da Grande Pátria, é capaz de deter. Os fiéis que saem em debandada o catolicismo vão para as igrejas protestantes ou lançam-se nos braços do agnosticismo e do ateísmo.
Até a imagem do Papa Francisco se deteriorou na América Latina, onde o catolicismo perdeu fiéis diante do avanço da religião evangélica e de um acelerado processo de secularização, segundo um levantamento do Latinobarómetro apresentado ontem em Santiago do Chile.
O estudo mostra a evolução da religião em 18 países latino-americanos, entre 1995 e 2017, e sai alguns dias antes da visita que o pontífice fará ao Chile e ao Peru de 15 a 21 de janeiro.

“O mais importante é a forte queda do catolicismo e o forte aumento dos que declaram que não ter nenhuma religião, que são agnósticos ou ateus” – afirmou a diretora do Latinobarómetro, Marta Lagos.
De acordo com o estudo, os latino-americanos avaliam o papa Francisco com um 6.8, uma nota inferior aos 7.2 que recebeu em 2013, quando assumiu o cargo.
A média regional de 6.8 contém diferenças por países. Os que apresentam uma melhor avaliação do Pontífice são o Paraguai (8.3), o Brasil (8) e o Equador e a Colômbia (7.5), enquanto o Uruguai (5.9) e o Chile (5.3) estão no outro extremo.
Ao filtrar as respostas segundo a religião professada pelos pesquisados, os católicos dão ao Papa uma nota 7.7, os evangélicos 5.1 e os ateus ou agnósticos 5.3.
Os países onde há mais pessoas que se declaram católicas são
- o Paraguai (89%),
- o México (80%),
- o Equador (77%),
- o Peru (74%),
- a Colômbia (73%)
- e a Bolívia (73%).
Nos 18 países da América Latina, 65% dos participantes da pesquisa dizem que confiam na Igreja. As nações onde tem mais crédito são
- Honduras (78%),
- Paraguai (77%)
- e Guatemala (76%),
- ao passo que no Chile apenas 36% dos cidadãos têm confiança na instituição.

Segundo Marta Lagos, o ponto de ruptura no caso chileno foi a condenação por abusos sexuais, ditada pelo Vaticano em 2011, do influente sacerdote Fernando Karadima.
Antes de o escândalo ser revelado,
- a confiança dos chilenos na Igreja Católica era de cerca de 60%,
- mas em 2011 caiu abruptamente para 38%.
O número de latino-americanos que se declaram católicos caiu de forma gradual durante as últimas duas décadas.
- Se, em 1995, os católicos representavam 80%,
- essa porcentagem caiu para 59% em 2017, de acordo com a pesquisa.
No outro extremo, há sete nações onde a religião católica já representa menos da metade da população:
- República Dominicana (48%),
- Chile (45%), Guatemala (43%),
- Nicarágua (40%),
- El Salvador (39%),
- Uruguai (38%)
- e Honduras (37%).
Em países como Honduras e Guatemala, o declínio acentuado dos católicos está diretamente relacionado com o crescimento da religião evangélica, que se tornou o credo maioritário.
No Chile e no Uruguai, por outro lado, a queda se explica pelo aumento da população que não professa nenhuma religião, que é ateia ou agnóstica.
- No Uruguai, este grupo representa 41% dos cidadãos
- e no Chile 38%, segundo a pesquisa.
“Neste ritmo, daqui a dez anos, o número de países latino-americanos que terão a religião católica como dominante será uma minoria” – disse Marta Lagos.
A diretora do Latinobarómetro acredita que o desencanto geral com a religião católica na América Latina é devido
- à diminuição da pobreza
- e ao surgimento de uma classe média mais individualista que se afasta das instituições.

Marta Lagos destacou que a eleição de Francisco em 2013 teve um “efeito positivo” no catolicismo e ele tem o carisma necessário para recuperar uma parte da fé perdida.
Na opinião dela, as visitas que o Papa fez na região e a próxima viagem ao Chile e ao Peru refletem a preocupação do pontífice em restaurar a influência que a Igreja perdeu nos últimos anos.
A pesquisa do Latinobarómetro incluiu entrevistas pessoais com 1.200 pessoas de países da América do Sul e do México e 1.000 da América Central, com margem de erro entre 2,8 e 3%.

José M. Vidal