Aldo Fornazieri – 29/05/17 Foto: Jornal GGN
“Com os sucessivos desastres na Cracolândia ao longo da semana, a fama de bom gestor de Dória virou pó, provocando, inclusive, a demissão de sua Secretária de Direitos Humanos que classificou a operação de “desastrosa”. O manual de arrogância e violência de Dória contrasta com todas as recomendações internacionais, técnicas e médicas que são taxativas em afirmar que a questão da dependência química é uma questão de saúde pública e não uma questão policial ou criminal.
Segundo ele, “Dória não está fundamentalmente focado em governar a cidade de São Paulo – avalia o sociólogo. Quer ser presidente. Para isso, busca criar um culto em torno de si. Quer conquistar devotos a partir da imagem de que ele é um grande gestor, um grande transformador.
Faz promessas grandiosas, anuncia programas mirabolantes, zera filas, acaba com Cracolândias, faz e desfaz a cidade. A dor, o desemprego, a trágica desgraça dos drogados e dos moradores de rua, as horas perdidas no trânsito, o crescimento das mortes nas marginais, tudo se transforma em “cidade linda” sem que nada aconteça e mesmo que as condições da cidade piorem. Com esse passe de mágica, os devotos crescem, principalmente fora de São Paulo”.
Eis o artigo.
Em nome
- do combate ao tráfico de drogas,
- da cidade linda
- e da reurbanização da região da Luz,
o prefeito Dória, com o apoio do governo do Estado, desencadeou um verdadeiro pogrom na região da Cracolândia.
Pogrom é um termo de origem russa nascido para designar as ações de massacres contra judeus no século XIX. Mas o termo se generalizou e designa ações violentas (assassinatos, expulsões e agressões) praticadas
- pelo Estado,
- por forças policiais
- ou paramilitares contra grupos sociais ou étnicos específicos.
Essas ações transitam
- desde massacres e extermínios
- até a dispersão e o desalojamento geográfico desses grupos vitimizados.
O nazismo usou os pogroms em larga escala. O pogrom nazista mais famoso é conhecido como “A Noite dos Cristais“, ocorrido em 1938, no qual
- foram queimadas sinagogas,
- judeus assassinados,
- lojas saqueadas e destruídas,
tudo com o beneplácito do Estado nazista.
O pogrom oficial de Dória não chegou a tanto, mas teve
- dispersão de uma comunidade de doentes e dependentes químicos,
- várias bombas,
- agressão policial,
- lojas fechadas,
- pessoas despejadas,
- derrubada de casas sobre moradores,
- interdição de áreas com uso de força armada,
- trabalhadores e crianças saindo apenas com a roupa do corpo
- e pessoas proibidas de entrar em suas próprias casas.
Expressando a ideologia típica da elite branca dosJardins, o prefeito Dória
- mostrou-se valente contra doentes e moradores de rua
- e, no alto da sua arrogância, decretou, por ato de vontade, o fim da Cracolândia para todo o sempre.
Governar por atos de vontade e ao arrepio da lei é uma conduta típica dos totalitários de todos os tipos e do nazismo em particular.
Com os sucessivos desastres na Cracolândia ao longo da semana, a fama de bom gestor de Dória virou pó, provocando, inclusive, a demissão de sua Secretária de Direitos Humanos que classificou a operação de “desastrosa”.
O manual de arrogância e violência de Dória contrasta com todas as recomendações internacionais, técnicas e médicas que são taxativas em afirmar que
- a questão da dependência química é uma questão de saúde pública
- e não uma questão policial ou criminal.
O grande gestor insurgiu-se contra a prudência desse consenso do bom senso. O resultado foi a criação de várias cracolândias e de uma nova Cracolândia, ainda maior, na Praça Princesa Isabel.
O outro quase consenso contra o qual Dória se insurgiu é o de que a estratégia da Guerra às Drogas fracassou. Estudos e a experiência internacional mostram que a Guerra às Drogas, até agora,
- proporcionou gastos de trilhões de dólares
- e atingiu principalmente pequenos produtores, traficantes intermediários e os consumidores.
Dória com Aécio – In: https://metamorfasesite.wordpress.com
Na ação espetaculosa do prefeito contra a Cracolândia foram presos 38 traficantes e apreendidas algumas armas. O que consta é que nenhum desses presos é um grande traficante, um chefe do tráfico em São Paulo. Ou seja, os extraordinários gestores de São Pauloestão enxugando gelo.
Não satisfeito com o desastre de sua violência contra doentes indefesos, o prefeito quis ir mais longe no seu autoritarismo.
- Anunciou internações forçadas de dependentes químicos
- e buscou o respaldo na Justiça para perpetrar este ato contra a liberdade das pessoas e contra os direitos civis de doentes.
Um juiz, cuja qualificação é inominável, concedeu o aval para o arbítrio, mas logo derrubado pelo desembargadorReinaldo Miluzzi. Em seu despacho o desembargador afirma que o pedido da prefeitura é
- “impreciso,
- vago
- e amplo
- e, portanto, contrasta com os princípios basilares do Estado Democrático de Direito, porque concede à municipalidade carta branca para eleger quem é a pessoa em estado de drogadição vagando pelas ruas de São Paulo“.
Ou seja, o desembargador compreendeu o caráter arbitrário emboscado na petição da prefeitura. Além disso,
- ele suspendeu o sigilo judicial do pedido,
- pois isto fere o mais elementar princípio democrático
- que é o da publicidade e transparência dos atos dos agentes públicos.
Um prefeito contra a cidade
Como se sabe, o consenso médico, técnico e jurídico admite a internação compulsória
- em casos especiais e com medidas adequadas,
- sempre a partir de uma abordagem e avaliação individualizadas do dependente.
Dória se insurge contra este consenso,
- não por conta de erro ou de não compreensão das circunstâncias,
- mas pelo capricho autoritário de querer fazer valer a sua vontade.
Vontade que, no caso da Cracolância, mistura
- ideologia autoritária,
- rejeição aos pobres e moradores de rua,
- racismo,
- interesses econômicos,
- especulação imobiliária
- e pressa em se projetar nacionalmente em face de sua aspiração de ser candidato à presidente da República no próximo ano.
Várias das principais ações de Dória até o momento mostram que ele governa contra a cidade. No caso da Cracolândia, esta sucessão de erros, este ataque ao bom senso e à prudência, são demonstrações
- de desumanidade
- e de falta de piedade para com aqueles que precisam de ajuda em face de sua desgraça.
O prefeito
- mandou cortar parte do programa Leve Leite, um programa suprapartidário, pois foi criado por Maluf e mantido por Pitta, Marta, Serra Kassab e Haddad.
- Da mesma forma, a Virada Cultural, tal como vinha sendo editada, abrigava um consenso suprapartidário, pois os últimos prefeitos, independentemente de partidos, mantinham o mesmo formato.
- Em sua fúria destruidora, a gestão Dória a modificou, resultando num fracasso.
No seu excesso de esperteza, o prefeito vem fazendo o seguinte:
- rebatiza programas de gestões anteriores como se fossem novos
- e paralisa os programas anteriores sem tirar do papel aqueles rebatizados.
Vive mais em eventos, festividades, em viagens para Dubai, Seul, Europa e Estados Unidos para promover negócios privados enquanto abandona a cidade à sua própria sorte.
- Semáforos apagados,
- buracos nas ruas,
- lixo espalhado,
- falta de zeladoria,
- hospitais municipais sem remédios e leitos,
- trânsito cada vez mais lento
é o que não falta.
- não está fundamentalmente focado em governar a cidade de São Paulo.
- Quer ser presidente.
- Para isso, busca criar um culto em torno de si.
- Quer conquistar devotos a partir da imagem de que ele é um grande gestor, um grande transformador.
Faz promessas grandiosas, anuncia programas mirabolantes,
- zera filas,
- acaba com Cracolândias,
- faz e desfaz a cidade.
A dor, o desemprego, a trágica desgraça dos drogados e dos moradores de rua, as horas perdidas no trânsito, o crescimento das mortes nas marginais, tudo se transforma em “cidade linda” sem que nada aconteça e mesmo que as condições da cidade piorem. Com esse passe de mágica, os devotos crescem, principalmente fora de São Paulo.
Dória
- inventa títulos entusiasmados para programas que não existem,
- anuncia o começo e o fim de tudo, sem que nada mude,
- usa palavras envernizadas para ações que não são nem explicadas e nem detalhadas.
No seu manual, ensina-se que é preciso combinar promessas vagas com conceitos nebulosos mas atraentes, tudo embrulhado no entusiasmo ardente da demagogia. Se algo sair errado, Dória se retira de campo e terá sempre um secretário, um auxiliar ou um inimigo como bodes expiatórios.
Para Dória
- não importa a dor da família dos drogados,
- não importa o vazio da alma do dependente químico,
- não importa da desgraça do morador de rua,
- não importam as atribulações dos trabalhadores,
- não importam as angústias dos desempregados,
- não importam a falta do pão e do leite para as crianças.
Tudo isto é coisa feita, que atrai mais desgraça. O que importa para ele é
- o brilho do poder pelo poder,
- as luzes das festas,
- a fama da celebridade,
- o arrogante conforto da riqueza.
Dória é o mais lídimo representante da ideologia perversa da elite branca dos Jardins. Esta mesma ideologia
- que interdita direitos,
- hipoteca o futuro do povo
- e condena o Brasil a um passado eterno de iniquidades e injustiças.
Aldo Fornazieri
Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/doria-nazismo-na-cracolandia-por-aldo-fornazieri
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- http://jornalggn.com.br/noticia/doria-nazismo-na-cracolandia-por-aldo-fornazieri
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