The Market Watch –Foto:Pablo Tupin-Noriega
Emmanuel Macron, o recém-eleito presidente francês, pretende reformular a zona euro – tornando-a em algo semelhante ao sistema federal dos Estados Unidos.
Macron não tem experiência em cargos eletivos, não tem um partido “real” e é provável que enfrente forte oposição tanto em França como fora. Mesmo assim, o mais jovem presidente do país está decidido a avançar uma proposta radical para reformular a zona euro.
- um Tesouro comum,
- um Parlamento da zona euro,
- uma política fiscal comum,
- obrigações em euros
- e significativas transferências dentro da união monetária.
Se estivéssemos a falar de software, tratar-se-ia da versão Euro 2.0.
No longo prazo, o euro ainda enfrentaria bastantes desafios – mas no curto prazo ficaria em melhor forma.

François Macron, Presidente da França – AP Photo/Michel Euler, POOL
Quando Macron lançou a sua candidatura à presidência, as probabilidades de ganhar eram escassas ou nenhumas. Era o protegido do mais impopular presidente e vendia uma postura pró-UE e pró-liberalismo empresarial a um eleitorado que parecia profundamente desconfiado de ambos. Aconteceu que ganhou – e por uma margem impressionante.
- Angela Merkel não o permitirá.
- Será rapidamente bloqueado por oposição a reformas em França.
- Os restantes países da zona euro não irão concordar – e mesmo que o façam, o seu eleitorado não irá concordar.
Contudo, mesmo assim, mesmo que as hipóteses sejam escassas, não significa que não acontecerá.
- A Grécia perdeu um quarto da sua economia e voltou à recessão.
- A economia italiana não cresce de forma significativa há vários anos.
- Espanha e Irlanda cresceram – mas depois entraram em colapso –
- enquanto França escorregou para permanente desemprego em massa e baixo crescimento.
- Entretanto, a Alemanha acumula cada vez mais superávit, agora correspondente a 9% do Produto Interno Bruto.
1. Em primeiro lugar, abriria caminho para uma recuperação sustentada na Europa
Agora, a procura está distante da periferia, concentrada na Alemanha. As transferências fiscais na escala que Macron prevê impulsionariam a procura e dariam a esses países a hipótese de reforma e recuperação. Em países como a Grécia, Itália e Portugal há bastante potencial para crescimento mais rápido – espere que uma modesta recuperação se torne em recuperação sustentada, o que por sua vez tornará mais fácil líderes políticos levarem a bom porto o tipo de reformas que são capazes de elevar a competitividade.
2. Em segundo lugar, criaria mais centralização
E, ao longo do tempo, taxas mais elevadas. Um Tesouro e um Parlamento da zona euro, centralizados, em Bruxelas permaneceriam bastante afastados das vidas das pessoas.
Além disso, os impostos não seriam apenas uniformes, também seriam mais elevados. Ao longo do tempo, tal poderia tornar a zona euro menos atraente para empresas globais. No entanto, apenas dentro de uma década ou assim. No curto prazo, o crescimento e a estabilidade torná-la-iam mais atraente.
3. Por último, mais países seriam arremessados para o euro
Com o seu próprio Parlamento, e um Tesouro, e sem os britânicos problemáticos, os países da UE ainda de fora do euro não teriam muita hipótese. A UE e a zona euro seriam, efetivamente, a mesma coisa. Seria de esperar a adesão da Suécia, de forma relutante, e dos pequenos países da Europa de leste.
A questão mais interessante: envolver-se-iam a Polónia, a Hungria e a República Checa em maior integração? Poderiam não querer – e encontrar aliados na Suíça e Reino Unido.
É verdade que o euro continuaria uma moeda disfuncional, em deflação, independentemente das reformas conduzidas. É difícil imaginar como as transferências fiscais poderiam realmente ser grandes o suficiente para manter os desequilíbrios sob controle – e é difícil compreender como um sistema tão centralizado poderia ser verdadeiramente democrático.
Há, certamente, melhores versões do que o que existe agora – e é possível que Macron possa conduzir a sua ação nessa direção. A longo prazo as coisas poderiam ser difíceis.
Contudo, no curto prazo, a sua ação daria certamente um impulso à zona euro. Quantos mais sinais existirem de que Macron está a ser bem-sucedido, mais os investidores deverão aceitar a recuperação europeia.
