“Parabéns, Santidade. As rajadas de vento frio não vão deter a primavera”

Da China, os parabéns de José Wei Jingyi, bispo “clandestino” (não reconhecido pelo governo) de Qiqihar,  ao Papa Francisco: Queremos seguir qualquer decisão do Papa”

José Wei Jingyi (na foto) – 17/12/2016 –

Tradução: Orlando Almeida

Foto: La Stampa

No dia 17 de dezembro é o aniversário de 80 anos do nosso amado Papa Francisco. Quero dizer-te: Santo Padre, estás trabalhando muito! Jesus te ama! E nós também te amamos! Os católicos chineses te amam!

O jornal ‘China Daily’ replica a notícia de um jornal alemão que fez a lista das 100 pessoas que mais mostraram autoridade1 encorajadora no mundo, e o Papa está em quarto lugar. Dizem que o Papa tem uma liderança “humilde”, e a Igreja Católica se move na direção correta. Da China não vemos bem tudo o que acontece no mundo. Mas o trabalho do Papa e do Governo chinês para melhorar as relações entre a China e a Santa Sé nós o vemos bem.

Há algum tempo que nos chegam boas notícias sobre os contatos entre as duas partes. Além disso, vemos que entre as dioceses que há tempos estavam sem bispo, agora finalmente, algumas tiveram o seu pastor reconhecido seja pela Santa Sé seja pela República Popular da China.

 

Para melhorar a relação China-Vaticano II, a Igreja na China não deve permanecer como ‘espectadora’.

 Alguns anos atrás, a professora Wang Meixiu, da Academia Social das Ciências chinesa escreveu um artigo que expressava considerações pertinentes sobre a relação China-Vaticano.

“… A questão da igreja chinesa é o tema principal que se procura objetivar e negociar na relação China-Vaticano…. Por isso a igreja chinesa entra na relação China-Vaticano como o terceiro elemento …. Por isso a relação China-Vaticano é composta por três elementos: a China, o Vaticano e a Igreja Chinesa …. É uma relação tri-lateral e não apenas bilateral. Os fiéis da China querem ser bons cidadãos e bons católicos … para viver como bons cristãos chineses eles têm de considerar o que é exigido tanto pela fé como pela lei chinesa”.

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Ela observava que a questão da Igreja católica na China é sem dúvida o principal assunto dos contatos e negociações bilaterais. Por isso, a Igreja Católica na China representa inevitavelmente “a terceira parte ‘invisível’ na mesa de negociações”. Neste sentido – assinalava a professora Wang Meixiu (foto) “as relações sino-vaticanas são relações trilaterais entre China, Santa Sé e Igreja católica chinesa, em vez de relações bilaterais entre China e Santa Sé”.

Além disso, ressaltava que os católicos chineses querem ao mesmo tempo amar o próprio País e seguir a própria fé, aspiram a ser tanto bons cidadãos como bons crentes. E em caso de conflito entre os preceitos da fé e as leis seculares, não podem fazer outra coisa senão mover-se nos espaços disponíveis, procurando alargá-los. Por estas razões, o que impele a China e a Santa Sé para o diálogo é certamente a abertura da China para o exterior, mas também a esperança da Igreja da China de viver a comunhão plena com a Santa Sé e com a Igreja universal.

No momento atual, no entanto – escrevia Wang Meixiu naquele ensaio de alguns anos atrás – acerca destas coisas, a quase totalidade dos católicos chineses está “reduzida a um silêncio passivo” e constitui uma espécie de “maioria silenciosa”. No entanto, é “exatamente esta ‘maioria silenciosa’ que está no centro das disputas entre a China e o Vaticano”.

 

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Católicos numa igreja chinesa. Imagem da internet

Eu creio que devemos dar a nossa contribuição para melhorar as coisas, não devemos permanecer meros espectadores. Se formos fervorosos nas nossas orações e permanecermos na fé que recebemos, com as nossas vidas e com as nossas ações, podemos também melhorar o relacionamento entre a China e o Vaticano. Nós não aceitamos coisas ilícitas no estilo ‘Dong Guanhua’ (o padre “clandestino” que diz ter sido ordenado bispo sem o consentimento da Santa Sé, ndr) ou outras coisas ilícitas. Jesus não quer que a gente vá contra as leis.

 

O vento frio não conseguirá deter a chegada da primavera

 Nós nos alegramos pelo fato de que algumas dioceses tiveram os seus novos bispos, reconhecidos como tais tanto pela Santa Sé como pelas autoridades chinesas. Vimos também que, em algumas celebrações de ordenação estava presente um bispo não reconhecido pelo Papa. Mas foi o bispo ilícito que quis à força estar presente na ordenação? Isto não pode ser dado como certo.

Os fiéis chineses – dizia também Wang Meixiu no artigo que mencionei – são chamados a seguir a própria fé como ensina a Igreja católica, e também devem respeitar a lei chinesa que preserva a dignidade e a soberania do Estado. É óbvio que se a relação entre China e Vaticano não for harmoniosa, um bispo chinês, que tem a “dupla identidade” de cidadão chinês e de pastor da Igreja católica, vai se encontrar numa posição embaraçosa. Agradeçamos portanto a Deus, se agora os líderes chineses mostram a vontade de se abrir para o mundo.

Agradeçamos a Deus por ter mantido vivo na Igreja da China e na Igreja universal o desejo ardente de preservar e manifestar a plena comunhão. Quando todos participam e dão a sua contribuição, então há esperança. Não sabemos em que ponto está o diálogo entre a parte chinesa e a parte da Santa Sé. Não sabemos quanto tempo ainda será necessário. Não devemos preocupar-nos com isso. O importante é que cada um faça a sua parte.

Nos sessenta anos de relações tensas entre a China e o Vaticano, e também nas fases de melhoria, aconteceram muitas coisas infelizes e foram ditas muitas palavras desagradáveis. Criticar os outros é fácil. Ser mal interpretados é fácil. O Papa é o chefe, ele é o ‘responsável’. Quando ele é mal entendido, ele não pode procurar um advogado. Só pode olhar para o céu.

Nós rezamos todos os dias pelo Papa. Nós acreditamos que na Igreja opera o Espírito Santo, que o Espírito Santo guia o Papa e o sustenta para tomar decisões apropriadas. Nós queremos seguir qualquer decisão do Papa.

O Advento está prestes a terminar, e está chegando o Natal. O grande amor de Jesus Cristo veio ao mundo para procurar-nos. O amor levou o Papa Francisco a trabalhar de maneira eficaz pela unidade e pela manifestação da plena comunhão entre a Igreja que está na China, a Santa Sé e os irmãos da Igreja de todo o mundo.

Depois do Natal, será o Ano Novo Chinês. Em seguida, a primavera chegará à nossa terra. Talvez haja rajadas de vento frio. Mas o vento frio não vai conseguirá deter a chegada da primavera.

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1 ‘Autoridade –  força de personalidade de um indivíduo, ou grupo, que lhe permite exercer influência sobre pessoas, pensamentos e opiniões’ (Dicionário Houaiss).

 

José Wei Jingyi

http://www.lastampa.it/2016/12/17/vaticaninsider/ita/vaticano/auguri-santit-le-folate-di-vento-freddo-non-fermeranno-la-primavera-sUeEdmBnIZJX2KlrazuzrI/pagina.html

 

 

 

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