Da Índia a Paris, passando pelo Politécnico de Turim, desenvolveu uma tecnologia revolucionária
Fabrizio Assandri – 20/10/2016
Raphael Kiran de 32 anos, no trabalho
“O que aprendi na Europa e na Itália vai me ajudar a melhorar o mundo”: Raphael, engenheiro eletrônico biomédico, tem grandes ambições. Assim como a startup que ele inventou, “Dymond Cleantech”, com a qual pretende purificar a água da chuva e fabricar chuveiros que reutilizem a água, as chamadas “duchas perpétuas”.
Atualmente em Paris, Raphael Kiran, de 32 anos, pretende purificar a água através dos diamantes para ajudar os seus compatriotas indianos. E há também um pouco de Itália na startup que Kiran inventou. Ele estudou no Politécnico de Turim, a cidade onde viveu seis meses antes de desenvolver a tecnologia que lhe rendeu uma bolsa da França e a oportunidade de apresentá-la no Eliseu, diante do Presidente Hollande .
Este dirigiu-lhe uma série de perguntas sobre o seu protótipo e comentou: “Esta tecnologia trará mudanças revolucionárias nos campos da saúde e da indústria”.
“O que aprendi na Europa e na Itália vai me ajudar a melhorar o mundo”: Raphael, engenheiro eletrônico biomédico, tem grandes ambições. Assim como a startup que ele inventou, “Dymond Cleantech”, com a qual pretende purificar a água da chuva e fabricar chuveiros que reutilizem a água, as chamadas “duchas perpétuas”.
“Na Índia, durante as monções é despejada uma quantidade incrível de água – explica – mas depois ela escorre para o mar e os indianos têm falta de água potável.” Um problema que, certamente, não afeta apenas a Índia. “Muitas vezes, os sistemas de depuração usam substâncias químicas contaminantes: eu uso apenas diamantes e um pouco de eletricidade”. Diamantes industriais, é claro, “que custam pouco mas têm as mesmas características”.
Para a purificação da água, o sistema que ele patenteou utiliza os elétrodos das pedras preciosas. A tecnologia, deve ser dito, não é inédita. “Já existem estudos sobre a purificação da água com diamantes”, mas geralmente estão direcionados para os setores industriais – explica – eu ao contrário quero desenvolver esta tecnologia para a vida de todos os dias”.
Acompanham-no nesta aventura três estudiosos franceses. “Agora estamos procurando tornar este sistema disponível em grande escala”.
A trajetória de Raphael começa em Kochi, a segunda cidade mais importante do Estado de Kerala, onde os pais dele são médicos. O pai estudou em Veneza (e ainda conserva o sotaque veneziano): foi, entre outras coisas, o médico dos marines italianos Girone e Latorre durante a sua estadia em Kochi. Raphael quis seguir os passos do pai e estudar na Europa.
“Não saí do meu País por razões econômicas, mas para aumentar os meus conhecimentos” – diz Raphael.
Seguiu um programa de estudos para o mestrado em Nanotecnologia que o levou à França, à Suíça e a Turim, onde se graduou. Nos primeiros dias ficou hospedado no Cottolengo, realidade com a qual estava em contato na Índia, depois conheceu a cidade.
“A formação foi muito útil para depois dar vida aos meus projetos. Os laboratórios eram de bom nível”. Admite que respeitou a tradição supersticiosa dos estudantes: não subir à Mole Antonelliana antes de se graduar. Da cidade sente falta “dos belos parques e especialmente do chocolate”.
O prêmio recebido da França ascende a 25.000 euros para o primeiro ano, valor que já dobrou com outros investimentos. É um incentivo para os empreendedores estrangeiros que querem investir no País. É também uma política de integração. Por isso Raphael, que tem um contrato com um centro de pesquisa em Paris, escolheu a França. Mas a Itália ainda está no seu coração.
Para o seu projeto foram fontes de inspiração também “os poços de Veneza”, pequenas lagoas formadas pelas águas da chuva que impedem a entrada da água salgada. A ideia de Raphael é utilizar o subsolo para conservar a água a ser purificada com os diamantes: tal uso já foi experimentado na Pequena Casa da Divina Providência [Cottolengo] de Kerala.
O outro aspecto refere-se à chamada água “cinza” de origem doméstica, a usada na cozinha ou no chuveiro: com o sistema de Raphael a água do banho ficará pronta par um novo uso após quatro horas.
FABRIZIO ASSANDRI 
Sobre o mesmo tema:
Dymond Cleantech: http://www.dymondcleantech.com/