Rádio Vaticano – 21/09/2016 15:24
Papa visita Igreja Luterana em Roma, 15/11/2015
Sinteticamente, o documento poderia ser definido como “uma Palavra comum”, disseram o Cardeal Marx e Dom Heinrich. Comum porque representa a base teológica para as celebrações que ganharão corpo neste outono em diversas localidades de toda a Alemanha e se concluirão em 31 de outubro de 2017, aniversário da publicação das famosas “teses” por Lutero e considerada, de fato, o início da Reforma Protestante.
De fato, já é grande a expectativa para o evento conjunto previsto para Hildesheim, na Baixa-Saxônia, em 17 de março próximo, véspera do II Domingo da Quaresma. Católicos e luteranos também escreveram diversas orações para uso comum nas diversas iniciativas ao longo das celebrações.
Vontade de perdoar e olhar para o futuro
Depois de uma série de aniversários caracterizados por acusações recíprocas, “desta vez será diferente”, prometem o Cardeal Marx e Dom Heinrich no Prefácio. “Será um momento extraordinário para as nossas comunidades. Depois de séculos de fechamentos, hoje existe a vontade de perdoar e olhar para o futuro”, completam.
Conflito enraizado na memória coletiva
O texto apresenta um preciso panorama do ponto de vista histórico em relação ao “acontecimento” envolvendo Lutero, um acontecimento assumido dentro da igreja Católica a nível político (cfr. Dieta de Worms, 1521) e ligada às guerras de religiões que ensanguentaram a Europa antes e depois dele. Conflito tão “profundamente enraizado na memória coletiva”, cujo impacto histórico chega até os nossos dias, mesmo que “com o Vaticano II tenha se iniciado a respirar um novo ar”.
Cultura da memória
A primeira parte do texto é dedicada à “cultura da memória”, com uma descrição das diversas perspectivas e recíprocas feridas do passado e sucessivamente um olhar sobre os passos realizados pelo movimento ecumênico, sem negligenciar as numerosas questões ainda abertas, como a da Eucaristia, mas tudo numa perspectiva de grande esperança para o futuro: “é necessário resistir à tentação de tomar a própria identidade como medida teológica”.
Precisamente sobre isto concentrou-se grande parte da apresentação do documento em Munique. “Aquele de 2017 será o primeiro aniversário na história celebrado conjuntamente por parte de duas Igrejas separadas”, repetiram com satisfação os dois bispos.
Mas o documento não para por aí. Em linha com toda uma obra de reavaliação e estima pela figura de Lutero (cfr as palavras do Papa Francisco na coletiva de imprensa no voo de retorno da Armênia: “as suas intenções não eram erradas, era um reformador”, ou o recente texto do Cardeal Kasper, “Martinho Lutero, uma perspectiva ecumênica”, Queriniana, 2016), o Cardeal Marx sublinhou:
“Como católicos, podemos reconhecer com todas honestidade que a sua intenção era a de renovar a Igreja Católica, não fundar outra. Queria chamar a atenção ao Deus clemente e misericordiosos e despertar as pessoas de seu tempo”.
“É necessário admitir com toda sinceridade que os conflitos do passado, hoje aparecem um tanto vergonhosos”, acrescentou por sua vez o Bispo Heinrich.
Tratar conjuntamente os acontecimentos do passado
“Os preconceitos por tantos anos enraizados nas nossas Igrejas poderiam constituir um obstáculo à reunificação – explica o Presidente dos Bispos Católicos alemães – por isto é tão necessário tratar juntos os acontecimentos do passado e pedir perdão a Deus hoje. Estou seguro de que o processo espiritual da cura da memória e a recíproca reconciliação permitirá de aproximarmo-nos com sinceridade e compreendermo-nos um ao outro nas respectivas posições. Se pode dizer que uma ferida está curada, somente se, tocando-a, a cicatriz não faz mais mal…”.
Cura da memória
O processo de “cura da memória” representa uma parte essencial das iniciativas conjuntas pré-dispostas pela EKD e pela Conferência Episcopal alemã, para recordar o aniversário de 2017, um processo que, por vontade das Igrejas, não deverá estar limitado dentro dos dois grupos, mas chegar à sociedade para assumir a conotação de uma “autêntica reconciliação” de toda sociedade alemã.
Peregrinação à Terra Santa
No contexto das orações comuns, assume um papel relevante a peregrinação conjunta entre os membros dos dois Conselhos de Presidência que se realizará de 16 a 22 de outubro próximo à Terra Santa, local da origem da única fé em Jesus Cristo.
je/vatican insider
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