Papa Francisco: “A porta de entrada da Igreja é o batismo e não a ordenação sacerdotal ou episcopal”

 Discurso do Papa Francisco aos 85 participantes na Assembleia do Pontifício Conselho para os Leigos, no Vaticano
Papa Francisco

© L’Osservatore Romano – 17 junho 2016

“O Pontifício Conselho para os Leigos nasceu por expressa vontade do Concílio Vaticano II” recordou o Santo Padre Francisco, hoje, em seu discurso aos 85 participantes na Assembleia do Pontifício Conselho para os Leigos, no Vaticano. Trata-se “de um dos melhores frutos do Concílio Vaticano II”.

“Podemos dizer – disse Francisco – que o mandamento que recebestes do Concílio foi precisamente o de “motivar” os fieis leigos a envolver-se sempre mais e melhor na missão evangelizadora da Igreja, não por “delegação” da hierarquia, mas porque o seu apostolado “é participação à missão salvífica da Igreja, à qual são todos membros do Senhor por meio do batismo e da crisma”.

Em seu discurso, o Papa recordou que o “Pontifício Conselho para os Leigos” será incorporado no Pontifício Conselho para a Família, em conexão com a Academia para a Vida.

Na primeira parte do seu pronunciamento, Francisco fez uma retrospectiva das atividades do Pontifício Conselho para os Leigos, desde a sua instituição, há quase 50 anos, por obra do bem-aventurado Paulo VI, que, na época (1976), não hesitou em definir o organismo da Santa Sé “um dos melhores frutos do Concílio Vaticano II”, cujo objetivo era a coordenação, estudo e consulta para “estimular os leigos a tomar parte ativa da vida e da missão da Igreja”.

Nesse contexto, a porta de entrada da Igreja é o batismo. “E esta é a porta de entrada! À Igreja se entra pelo Batismo, não pela ordenação sacerdotal ou episcopal, se entra pelo Batismo! E todos entramos por meio da mesma porta. É o Batismo e a Confirmação que faz de cada fiel leigo um discípulo missionário do Senhor, sal da terra, luz do mundo, fermento que transforma a realidade a partir de dentro”, afirmou.

Agradecendo por estes anos, em concreto, o Santo Padre mencionou o surgimento

  • dos movimentos,
  • dos novos ministério laicos,
  • bem como o crescente papel da mulher na Igreja
  • ou as Jornadas Mundiais da Juventude.

Referindo-se à atual junção do Dicastério, o Papa disse que

“À luz deste caminho percorrido, é tempo de olhar novamente com esperança para o futuro. Falta muito ainda por percorrer aumentando os horizontes e reunindo os novos desafios que a realidade nos apresenta. Daqui nasce o projeto de reforma da Cúria, especialmente da junção do vosso Dicastério com o Pontifício Conselho para a Família em conexão com a Academia pela Vida”.

Portanto, o pontífice convidou todos a

“acolher esta reforma, que vos corresponde, como sinal de valorização e de estima pelo trabalho que vocês realizam e como sinal de renovada confiança na vocação e missão dos leigos na Igreja de hoje”.

Por conseguinte, Francisco explicou que o “novo Dicastério que vai nascer terá como “timão” para continuar na sua navegação, por um lado a Christifideles laici e por outro a Evangelii gaudium e a Amoris laetitia, tendo como campos privilegiados de trabalho a família e a defesa da vida”.

“Convido-vos a acolher esta Reforma da Cúria Romana, que os envolverá, como sinal de estima e valorização do seu trabalho, na vocação e missão dos leigos no seio da Igreja. O novo Organismo terá como ‘leme’ prosseguir na sua navegação, tendo como campos privilegiados a família e a defesa da vida. Sobretudo neste Ano Jubilar, a Igreja é chamada a ser ‘casa paterna’, comunidade evangelizadora.”

Finalmente, o Santo Padre sublinhou que

precisamos de leigos bem formados, animados pela fé cristã, que “sujem suas mãos” e não tenham medo de errar, mas que prossigam adiante. Precisamos de leigos com visão do futuro e não fechados nas pequenezas da vida, mas experientes e com novas visões apostólicas”. (MT)

Fontes:

 

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