Governo equatoriano amplia disputa com velha mídia

Na Argentina, de há uns anos para cá e, agora, no Equador, trava-se um dura batalha contra o oligopólio da comunicação, nas mãos de poucas famílias que fazem delas não só um negócio muito rendoso, mas também um meio poderoso de moldar consciências no país e de difundir a ideologia neo-liberal, cujo maior valor é Mercado e o Lucro.


No Brasil talvez seja pior ainda, mas, em nome da governabilidade, nem Lula nem Dilma, pretensamente de esquerda, portanto mais afinados com os interesses do Povo, tiveram ainda a coragem de enfrentar estes fortíssimos feudos da comunicação, sobretudo Rádio e TV que, por sua natureza, são públicos, do Povo Brasileiro e, consequentemente, a serem usados para o Bem do Povo.
Infelizmente, também e talvez sobretudo no Brasil, a mídia tornou-se um feudo de pouquíssimos que a usam para tudo o que querem, inclusive para desestabilizar governos, espalhar mentiras, adormecerem a consciência crítica do Povo Brasileiro com intermináveis novelas melosas e fazedoras de princípios morais, cívicos, etc., segundo os critérios desses poucos donos.
Em nome da liberdade de expressão, o Povo Brasileiro está à mercê dos donos de jornais, revistas, Rádios e TVs que buscam sobretudo seus interesses comerciais. E com um instrumento do Povo (eles detêm concessões públicas, portanto têm de prestar contas ao CONCESSOR, o Povo Brasileiro, mediante o governo que o representa) eles se sentem no direito de dizerem e fazerem o que bem entendem, sem controle algum de qualquer autoridade.
Sou a favor da censura à Mídia?
Não, sou a favor de mecanismos democráticos que limitem a liberdade absoluta dos donos da Mídia. E do uso desses poderosíssimos meios para a educação e o lazer sadio e ético do Povo Brasileiro.
Porque não há ninguém acima da Lei e do Bem Comum do Povo Brasileiro. E a Mídia é importante demais para ficar, sem controle algum, nas mãos de um pequeno oligopólio cujos principais interesses são o DINHEIRO, o LUCRO e, sobretudo, a capacidade de formar as cabeças dos brasileiros.
Não podemos esquecer como os Governos Federais, sobretudo de Sarney para cá, têm usado concessões de Rádio e TV  como moeda de troca a políticos, no intuito de, antecipando o monstruoso crime do MENSALÃO, só agora a ser julgado, conseguirem seu apoio no Congresso Nacional.
 
Por isso vejo com muita simpatia a renhida luta de Cristina Kirchner na Argentina e, agora, a de Rafael Correa no Equador, para que o imenso poder da Midia volte aos seu dono, o POVO ou, pelo menos, seja distribuída equitativamente entre as várias forças da nação, quebrando de vez o oligopólio nas mãos dos  pretensos “donos” do Povo.
 
João Tavares

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Presidente Rafael Correa cancela publicidade oficial nos jornais comerciais, como parte do esforço para aprovar nova Lei das Comunicações e redistribuir canais de rádio e TV
Na Rede Brasil Atual
No que depender do presidente equatoriano, Rafael Correa, os grandes jornais, revistas e canais de rádio e televisão do país já não poderão contar com as receitas da publicidade oficial para financiar sua programação. No último sábado (28), o mandatário anunciou que deixará de contratar anúncios pagos nos meios de comunicação comerciais.
“Não temos por que, com o dinheiro dos equatorianos, beneficiar o negócio de seis famílias do país”, constatou o presidente, recomendando ao secretário de Comunicação, Fernando Alvarado, que retirasse imediatamente a grande mídia equatoriana da carta publicitária das empresas e instituições governamentais. “Daqui pra frente, zero publicidade oficial aos meios mercantilistas, para ver se fazem comunicação por vocação ou por negócio.”
A notícia veio durante a 282ª edição do programa Enlace Ciudadano, uma espécie de prestação de contas misturada com propaganda institucional que Rafael Correa realiza semanalmente em algum lugar do país – desta vez, o evento ocorreu em Ibarra, ao norte da capital, Quito. O presidente lembrou que seis semanas antes havia sugerido aos meios de comunicação privados que renunciassem à publicidade oficial, uma vez que criticam tanto o governo por não respeitar a liberdade de expressão.
De acordo com o mandatário, nenhum meio abriu mão da verba publicitária. Pelo contrário, o presidente da Associação Equatoriana de Editores de Jornais (AEDEP, na sigla em castelhano), Diego Cornejo, afirmou em uma emissora de rádio que nenhuma empresa de comunicação do Equador deixaria de veicular as rentáveis propagandas oficiais. Fazê-lo, argumentou, seria contrariar a lógica do negócio. “Maravilhoso que seja honesto”, exaltou Correa. “Reconhece que é um negócio, que sua lógica é fazer dinheiro.”
Batalha
A suspensão da publicidade oficial é apenas mais um capítulo da batalha política entre o governo e os meios de comunicação equatorianos. O último passo de Rafael Correa em direção à grande mídia do país havia sido desferido em junho, quando o presidente proibiu seus ministros de concederem entrevistas exclusivas aos veículos comerciais. Em contrapartida, os editoriais e artigos de opinião atacam constantemente a administração correista por não respeitar a liberdade de imprensa.
A mais recente decisão do presidente ganha peso devido à Lei de Comunicação, que tramita há dois anos na Assembleia Nacional do Equador. Depois de muita discussão, o projeto está pronto para ser votado em plenário. O problema é que nem governo nem oposição têm maioria para aprová-la ou rechaçá-la. Esperava-se que a lei fosse apreciada pelos deputados na semana passada, mas o presidente da Assembleia, Fernando Cordero, suspendeu a votação alegando falta de quórum.
Entre seus 120 artigos, a Lei de Comunicação pretende dividir as frequências de rádio e televisão entre meios de comunicação privados, públicos e comunitários. A proporção seria 33%, 33% e 34%. Os canais de rádio e televisão que acabam de perder a verba publicitária oficial se opõem ferrenhamente ao projeto. O governo é seu maior entusiasta.
“O texto determina expressamente que o governo deve distribuir a receita publicitária entre os meios privados, públicos e comunitários – e também entre os meios rurais e urbanos”, assegura Romel Jurado, assessor do deputado Mauro Andino, presidente da comissão que escreveu a Lei de Comunicação.

Fonte: http://ponto.outraspalavras.net/2012/08/02/rafael-correa-suspendera-publicidade-grande-midia/

Uma resposta

  1. fassisresende@uol.com.br

    Tavares:
    Concordo com suas ponderações.
    Todos temos o direito de dar e receber informações. No entanto, no atual modelo apenas fornecem informações os donos dos meios de comunicação. Não há um canal de retorno, para concordância ou discordância daqueles que as recebem. Nem há um conselho ou agência que represente os clientes da mí­dia, para decidir o que deve ou não ser veiculado. Poucos são donos dos meios de comunicação de massa e estes poucos decidem o que deve ser veiculado. Muitas vezes, passam apenas a versão que lhes convém e não o fato tal como ocorreu.

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