Reflexões por ocasião do feriado do próximo dia 8, Festa da Padroeira – Anselmo Borges

” Agora a famosa revista … National Geographic, … que vem enaltecer Nossa Senhora. A capa da sua edição americana de Dezembro traz uma bela imagem de Maria e titula precisamente: “Mary, the most powerful woman in the world” (“Maria, a mulher mais poderosa do mundo”).
O que se passa é que quando falamos em poder vem-nos à mente o poder político, económico, militar… Mas há outros tipos de poder e influência. Pergunto:
- o que seria a Igreja em Portugal sem Fátima?
- E a influência de Fátima na política, sobretudo pela via da reconciliação, da pacificação de si mesma consigo e com os outros?
- Quem não se lembra da tristeza e angústia de tantos, por exemplo, durante a Guerra Colonial?
E era em Fátima que as mães iam desabafar. Como é lá que os portugueses vão desabafar nestes tempos medonhos de crise. Pertence a Frei Bento Domingues a definição inultrapassável de Fátima: “É o cais de todas as lágrimas dos portugueses.”
Claro que é preciso evangelizar Fátima. Estou convencido de que se deve, por exemplo, apresentar contas. E o Deus de Jesus não precisa nem quer que as pessoas se arrastem de joelhos. Mas na sua dor e aflições as pessoas vão aonde julgam poder encontrar socorro.
Quem se atreveria a ridicularizar? Quem não se comove? Perante o sofrimento, é preciso curvar-se com respeito e fazer algo.

2.Agora, é a famosa revista National Geographic, com 6,5 milhões de assinantes e que se não pode considerar propriamente “gentil” com a Igreja Católica, que vem enaltecer Nossa Senhora.
A capa da sua edição americana de Dezembro traz uma bela imagem de Maria e titula precisamente: “Mary, the most powerful woman in the world” (“Maria, a mulher mais poderosa do mundo”). Para justificar a afirmação, há um longo artigo da escritora e jornalista Maureen Orth.
Ela percorreu grandes santuários de peregrinação, em várias partes do mundo:
- Lourdes (“seis milhões de visitantes a cada ano”);
- Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina, 30 milhões de peregrinos durante as últimas três décadas;
- Fátima;
- Kibeho, no Ruanda;
- Czestochowa, na Polónia;
- Nossa Senhora de Guadalupe, que faz parte da identidade do México;
- Knock, na Irlanda;
- Aparecida, no Brasil.estarem isoladas ou esquecidas.”
Estes santuários atraem milhões de peregrinos a cada ano, apoiando “o turismo religioso, estimado em milhares de milhões de dólares”. Maria inspirou a criação de grandes obras de arte na escultura e arquitectura (a Pietà, de Miguel Ângelo, Notre-Dame de Paris), na pintura, na poesia, na música. Só a biblioteca da Universidade de Dayton tem mais de cem mil volumes sobre Maria.
” “Ela é a confidente espiritual de milhares de milhões de pessoas, independentemente de estarem isoladas ou esquecidas.”
Maureen Orth ficou impressionada com a devoção a Maria, mãe de Jesus, por parte dos muçulmanos. É a única mulher que dá o seu nome a uma sura (capítulo) do Alcorão: sura 19.
Foi escolhida por Deus “acima de todas as outras mulheres do mundo”. “Maria é a mais pura de todas as mulheres do universo”, diz Bakr Zaki Awad, decano da Faculdade de Teologia na Universidade Al-Azhar, no Cairo.
Maureen Orth falou com muçulmanos que, por causa da sua reverência com a Virgem Maria, não têm “qualquer pejo em visitar igrejas cristãs e rezar-lhe tanto na igreja como na mesquita”.
Conclui.
“A invocação da intercessão de Maria e a devoção por ela são um fenómeno global. A ideia de Maria como intercessora começa com o milagre do vinho nas bodas de Caná. Foi em 431, no terceiro Concílio Ecuménico, em Éfeso, que foi chamada Theotokos, Mãe de Deus. Desde então nenhuma outra mulher foi tão enaltecida como Maria. Como um símbolo universal de amor maternal, bem como de sofrimento e sacrifício, Maria é muitas vezes a pedra-de-toque da nossa ânsia de sentido, uma ligação mais acessível ao sobrenatural do que as doutrinas formais da Igreja. O seu manto oferece ao mesmo tempo segurança e protecção.”
Quando perguntaram ao Papa Francisco, que não é beato nem cobarde, o que significava Maria para ele, respondeu: “Ela é a minha mamã”.”
3. A quem estiver habituado a associar a devoção a Nossa Senhora só à beatice, lembro o hino revolucionário que o Evangelho de São Lucas colocou na sua boca, o Magnificat:
“A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome. A sua misericórdia estende-se de geração em geração. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias.”
Anselmo Borges – Padre e professor de Filosofia
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.
Fonte: http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/anselmo-borges/interior/a-mulher-mais-poderosa-4916501.html
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Respostas de 5
Sou luterana e tenho muito respeito por Maria e a fé católica. Mas não entendo uma coisa. Porque “padroeira”? É justo dar um nome patriarcal para Maria depois de tanto testemunho de fé inabalável, como se ela precisasse de um título assim para ser grandiosa? MADROEIRA seria reconhecer seu ministério como Mãe de Jesus? Isso abriria portas e janelas para as mulheres na ICAR? Isso me dói no coração…
Elisabet você tem toda a razão. O machismo está tão arraigado na nossa cultura, inclusive na Igreja católica, que nem nos apercebemos mais desses despautérios lógicos, linguísticos e teológicos. Francisco, em Roma, está tentando dar mais protagonismo à mulher na Igreja, mas os inimigos dele torcem o nariz e vão fazer tudo o que puderem para o impedirem… nessa e noutras reformas urgentíssimas e essenciais para a Igreja católica.
O que seria da Igreja sem a dedicação tão grande e tão qualificada de tantas mulheres?
Mas também, Elisabet, o que um bando de velhos monsenhores, bispos e cardeais entende de vida, de mulher, de família, de amor? E, sobretudo, de Igreja, Povo de Deus? Essa gerontocracia masculina, encastelada em suas roupas e adereços caros e vistosos (e ridículos) e em seus duros jogos de poder… e em seu pseudo-saber que julgam único, é que são hoje o grande problema da Igreja católica e a grande cruz do papa Francisco. Eles não vão parar nem impedir o sopro do Espírito Santo…
João, concordo plenamente com o seu comentário e também com o da Elisabet. Temos que rezar para que Papa Francisco tenha uma longa e saudável vida para lutar contra esta “gerontocracia masculina” (adorei esta ‘designação’) do Vaticano.
Padre João Tavares, adorei essa vossa definição (gerontocracia). Muito boa, porém, a questão é mais complexa, pois, além de revermos a postura litúrgica e seus adereços principescos, é preciso entender que a mulher sempre teve e tem um papel importante na Igreja, e a Igreja (instituição) tem valorizados e com grande abertura apoiado o trabalho (serviço) das mulheres na Igreja. É claro que aqui entendemos a valorização da mulher na Igreja, não como alguns querem ou pensam que é ordenando ao ministério que se está valorizando a mulher, ora, se é só isso, então, esses e essas que assim pensam, podem se filiar a outras igrejas. Não. Não é só isso! Por isso, façamos como essa Mulher Poderosa, Maria, a mãe de Jesus, que não ficou esperando uma estola, ao contrário, reuniu os Apóstolos e com eles rezaram (cenáculo) e fizeram caminho, foram a luta. Queridos, a videira é a mesma, porém, vários são os galhos (e ramos), católicos, anglicanos, luteranos, metodistas, presbiterianos, pentecostais, neopentecostais, etc., no entanto, cada qual (cada Cristão) no seu galho, fazendo a obra de Deus. Não precisamos misturar as estações e nem precisamos de uma estola (status ou rótulo) para fazer caridade, pois, pelo Sacramento do batismo somos e estamos todos enxertados na Videira (Cristo). Por isso, muitos homens e milhares de mulheres, desde os tempos apostólicos até os dias de hoje, fazem o serviço de evangelizar, catequizar, alfabetizar, e ali onde o Estado não chega, onde a prefeitura não vai, estão as irmãs e irmãos (cristãos – de hábito ou sem hábito), alfabetizando jovens, adultos e crianças, dando suporte médico e psicológico. Basta caminhar pelo Brasil e verás esses batizados, sem estola e sem clergyman, fazendo a Igreja acontecer, como Reino de Deus. Embora, nos tempos atuais, muitos querem ser apóstolos, bispos, pastores, presbíteros(as) com uma estola ou anel de bispo, com ou sem o templo do Rei São Salomão (assim alguns pentecostais tornam-se idolatras), etc. Porém, o que Deus pede e a Igreja necessita é de homens e mulheres de fé, assim como já podemos testemunhar em muitas igrejas e comunidades de missão, nos grandes centros e periferias do Brasil.
Sobre a ordenação presbiteral (ou diaconal) de mulheres, penso que, aquelas que poderiam assumir esse ministério, não estão interessadas, pois já o fazem nas igrejas (sem estolas). No entanto, aquelas que querem, não teriam condições, haja visto que ainda não fazem nada de igreja, como nos exemplos acima citado, salvo exceções. Padroeira ou Madroeira, o que importa é que cada qual faça a sua parte, como igreja, na sociedade e dentro da própria instituição onde frequenta. Bom, Talvez estejam esperando uma estola.
Desculpe, é o que penso.
Att.
Marcela Kapie, 49 anos de idade, casada a 25 anos com um advogado de 52 anos de idade, temos 04 filhos, somos católicos.
Médica (Pediatra) a 20 anos, funcionária pública e voluntaria de missões nas férias. Na Paróquia somos ministros extraordinários da comunhão, coordenadores do ECC e voluntários no núcleo socioeducativo, duas creches, uma casa abrigo e uma farmácia de medicamentos naturais mantido pelas Irmãs franciscanas (atende-se mais de 200 crianças e adolescentes com cursos técnicos profissionalizantes), juntamente com outros profissionais, somos voluntários nos serviços de entendimentos médicos, dentários, psicológicos e assistência social. O serviço social é mantido pela paroquia e caritas diocesana. Estamos na Zona leste de São Paulo e nas férias saímos para a região norte do Brasil como missionários (sem estolas), médicas(os), professoras, advogados(as), dentistas, psicólogos(as), pedreiros, eletricistas, cozinheiras, etc.
Paróquia Santo Antônio
(Padres Missionários Andrelinos)
Venerável Ordem Católica de Santo André
Rua Elias Monteiro Cardoso, 120, Vila Clara, São Paulo – SP.
Só tenho uma frase para dizer perante o que acabei de ler: “Gosto do texto e dos comentários”.
Por fim, Viva a Mãe da Igreja e madroeira de Portugal (que alguns chamam “madrinha”)!