Um grupo de sacerdotes católicos casados do Quênia pediu ao papa Francisco que se reúna com eles, durante sua visita ao país, já que consideram que a Igreja Católica queniana os discrimina por ter abandonado o celibato, informaram hoje os meios de comunicação locais.
A reportagem é publicada por Religión Digital, 27-11-2015. A tradução é do Cepat.
Os sacerdotes, liderados por Joseph Ndambuki, criticaram duramente o bispo queniano responsável pela organização da visita papal, Alfred Rotich, que no passado domingo afirmou que os sacerdotes que contraíram matrimônio não são considerados parte do clero e que não poderiam “nem se aproximar” do Santo Padre.
“O Papa foi muito claro no tema da marginalização dos sacerdotes casados e sempre pediu que não sejam discriminados”, disse Ndambuki ao jornal Daily Nation. O papa Francisco reconheceu, em maio de 2014, que havia uma “porta aberta” na questão da reforma do celibato sacerdotal na Igreja Católica, ainda que não tenham ocorrido movimentos oficiais a esse respeito.
“A Igreja Católica tem padres casados. Católicos gregos, católicos coptas… há no rito oriental”, recordou então o Papa, quando perguntado sobre o que pensa da prática do celibato sacerdotal na Igreja ocidental.
Segunda Ndambuki, no Quênia há pelo menos 200 sacerdotes que abandonaram o celibato por considerar que não é bíblico, divino e nem símbolo de santidade.
PARA LER MAIS:
- 07/10/2015 – Não separemos celibato eclesiástico e indissolubilidade matrimonial. Artigo de Piero Stefani
- 07/10/2015 – O lado mais obscuro do celibato. Artigo de Marco Marzano
- 04/03/2015 – Celibato dos padres: as diversas cartas na mão de Bergoglio
- 15/12/2014 – Igreja católica australiana vincula o celibato a abusos sexuais
- 02/12/2014 – Arcebispo de Dublin: o celibato não é um dogma e poderia ser reavaliado
- 30/05/2014 – “O Pontífice disse que é possível enfrentar a questão do celibato. Mas não quer resolvê-la imediatamente”. Entrevista com Marco Politi
- 29/05/2014 – O Papa abriu a porta para discutir o celibato
- 28/05/2014 – Abusos, celibato, família, liberdade religiosa… Os temas tratados pelo Papa na viagem de retorno a Roma
Uma resposta
Acho que os padres se casarem não interfere em nada a fé do povo e muito menos tirará a mística do sacerdócio. Afinal, em torno do celibato existem os monges e irmãos que podem optar livremente por essa vocação, também alguns padres que não desejarem se casar, como os que pertencem a uma determinada congregação, por exemplo. Penso que seria lindo isso acontecer porque nos aproximaríamos muito das primeiras comunidades cristãs, e haveria mais padres para presidir a missa e, no meu ponto de vista, haveria mais comunidades unidas. Penso que isso aproximaria o padre mais inda da comunidade paroquial, lhe tiraria o estigma de “pessoa irreal”, abriria espaço para o foco no Evangelho, pois muita gente não compreende o evangelho como meio de vida; fica preso a questões inúteis como leis mesquinhas…
Sei lá, é o que penso. Para mim os conservadores não estão amando o Cristo, Deus me perdoe falar isso; mas estão sim é com medo das suas próprias sombras! Não há nada de espantoso em padre casar; padre é um presbítero! Exerce um chamado a sê-lo que não está, na minha humilde opinião, ligado ao celibato.