Campanha internacional defende acesso de divorciados e recasados à comunhão católica

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Com a proximidade do Sínodo da Família 2015, a ser realizado de 04 a 25 de outubro deste ano, no Vaticano, 20 teólogos/as espanhóis lançam uma campanha na plataforma Change.org para recolher assinaturas pedindo às “pessoas de boa vontade” o apoio ao acesso dos divorciados e dos civilmente recasados à comunhão da Igreja Católica.

Cristina Fontenele – 28/08/2015

Adital

A ação se contrapõe a uma outra, lançada por um grupo ultraconservador, que já reuniu cerca de 500 mil assinaturas contra o acesso de divorciados e de recasados à “sagrada” comunhão, e contra a união civil/religiosa de homossexuais, que seria “contrária às leis divina e natural”.

“Notamos, com angústia, como o modelo casto e fecundo da família ensinado pelo Evangelho está em risco. Este modelo de família é a única tocha capaz de guiar milhões de fiéis bombardeados ao longo de décadas por uma revolução sexual e por sua propaganda hedonista”, diz o grupo de católicos e de associações autodenominados de “pró-vida”. Segundo esta corrente, a Igreja Católica parece ter aberto uma “brecha” que desorienta os/as fiéis e relativiza os ensinamentos de Jesus Cristo.

Os/as teólogos/as que assinam a campanha de apoio aos divorciados e recasados acreditam que setores rigorosos têm pressionado o Sínodo e o Vaticano, mas seria o momento do Papa Francisco ouvir “o clamor do povo de Deus”, pois admitir a comunhão aos divorciados é ser fiel ao espírito do Evangelho e não à letra.

Em carta ao Sumo Pontífice, os/as teólogos/as defendem que a prudência pastoral exige uma mudança de postura e que uma “disciplina de misericórdia” não equivaleria a um “relaxamento moral”. “Não se conhecia, no tempo de Jesus, a situação de um matrimônio (seja pela culpa dos dois ou por uma incompatibilidade de características, antes não descoberta), que falhou em seu projeto de parceria. Dada a situação da mulher em relação ao marido, na Palestina do século I, esta hipótese era impensável. E aplicar as palavras de Jesus em outro contexto diferente de sua época, na qual não havia abandono de uma das partes, mas o fracasso dos dois, pode distorcer essas palavras”.

O tema do Sínodo 2015 será “A vocação e a missão da família na Igreja, no mundo contemporâneo”. Em dezembro do ano passado, o Vaticano apresentou o documento preparatório (‘lineamenta’), no qual propõe 46 perguntas sobre se a descrição da realidade da família corresponde ao que se encontra na Igreja e na sociedade de hoje.

O documento foi enviado às Conferências Episcopais, aos responsáveis pelos Institutos Religiosos e aos organismos da Cúria Romana, para que discutam e registrem suas contribuições. As respostas sobre o contexto e os desafios sobre a família deveriam ter sido enviadas à Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos até abril último. O material será utilizado na elaboração do documento de trabalho (Instrumentum Laboris) da 14ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos.

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A seguir algumas das perguntas propostas na ‘lineamenta’:

* Em que proporção e com que meios a Pastoral Familiar ordinária se dirige aos que estão afastados?

* Como ajudar a compreender que ninguém é excluído da misericórdia de Deus e como exprimir esta verdade na ação pastoral da Igreja com as famílias, especialmente as feridas e frágeis?

* O que se pode fazer para que, nas várias formas de união – em que é possível encontrar valores humanos –, o homem e a mulher descubram o respeito, a confiança e o encorajamento a crescer no bem por parte da Igreja, e sejam ajudados a alcançar a plenitude do matrimônio cristão?

* A Pastoral Sacramental em relação aos divorciados recasados precisa de um ulterior aprofundamento, avaliando, inclusive, a prática ortodoxa e tendo presente “a distinção entre situação objetiva de pecado e circunstâncias atenuantes” (n. 52). Quais as perspectivas flexibilização? Quais os passos possíveis? Que sugestões para superar formas de impedimentos indevidas ou desnecessárias?

* A normativa atual permite dar respostas válidas aos desafios lançados pelos matrimônios mistos e pelos interconfessionais? É preciso levar em conta outros elementos?

* Como dirige a comunidade cristã a sua atenção pastoral às famílias que têm no seu seio pessoas com orientação homossexual? Evitando toda a injusta discriminação, como tratar, à luz do Evangelho, pessoas em tais situações? Como propor-lhes as exigências da vontade de Deus sobre a sua situação?

 

Cristina Fontenele
Repórter.
E-mail: cristina@adital.com.br ; crisfonte@hotmail.com

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