“Não devem existir líderes vitalícios na Igreja. Viram pavões”, diz o Papa  

Na praça estavam presentes, além de cardeais e a presidência da Conferência dos Bispos Italianos – CEI, patriarcas orientais ortodoxos, católicos, bispos anglicanos e luteranos, pastores pentecostais.

“Existe, caros irmãos e irmãs – disse o Papa – uma grande tentação para os líderes – repito, prefiro o termo servidores, que servem -; e esta tentação para os servidores vem do demônio, a tentação de se acreditarem como indispensáveis, seja qual for o cargo.

O demônio os leva a quererem ser como aqueles que comandam, aqueles que estão no centro e assim, passo a passo, resvalam no autoritarismo, no personalismo e não deixam viver as comunidades renovadas pelo Espírito.

Esta tentação faz com que seja ‘eterna’ a posição daqueles que se consideram insubstituíveis, posição que sempre tem uma forma de poder ou de estar acima dos outros. Tenhamos clareza sobre o seguinte: o único insubstituível na Igreja é o Espírito Santo, e Jesus é o único Senhor. Não há outros”.

E o Papa continuou:

“Deve-se por um limite de tempo para os que ocupam cargos, que na realidade são serviços”.

E completou:

“É conveniente que todos os serviços na Igreja tenham um tempo limitado. Não há líderes vitalícios na Igreja. Isto acontece em países onde existe a ditadura. “Aprendam de mim que sou manso e humilde de coração”, disse Jesus. Esta tentação, que é do diabo, te faz passar de servidor a patrão, tu te tornas dono desta comunidade, daquele grupo.

Esta tentação nos faz resvalar na vaidade. Estas tentações fazem sofrer a comunidade e impedem de fazer o bem, e tornam-se uma organização como se fosse uma ONG; – o poder leva à vaidade! E depois te sentes capaz de fazer qualquer coisa, podes resvalar para os negócios, porque o diabo sempre entra pelos negócios, pelo dinheiro: esta é a porta de entrada”.

Luigi Accattoli, jornalista especializado nos assuntos do Vaticano, comenta que a admoestação do papa Franciscode que “todos os serviços devem ter um tempo limitado”, também podem se aplicar aos eclesiásticos.

“Sabemos – escreve no jornal Corriere della Sera, 04-07-2015 – que Francisco recordou várias vezes a práxis introduzida por Paulo VI das “renúncias” episcopais aos 75 anos, mas uma vez disse que era contra um limite de idade para o Papa tratando-se de um papel “realmente particular”.

E o jornalista conclui:

“Pode-se acrescentar um elemento jesuítico: a Companhia de Jesus era a única família religiosa católica que tinha um superior vitalício, tanto que era conhecido como “Papa negro”. Mas desde o pontificado de Bento XVI, o então “prepósito” Kolvenbach se demitiu aos 80 anos com o consenso do Papa. E agora Francisco autorizou o atual “prepósito” Nicolás a renunciar: em dois anos ele completará 80 anos e ele convocou uma Congregação Geral para o final de 2016 que elegerá o sucessor”.

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