A trajetória de um bispo do povo

336DOM JOSÉ MARIA PIRES

Dom José Maria Pires tem histórico de lutas por justiça social. Aos 96 anos, o arcebispo emérito de João Pessoa convida a Igreja a voltar à mensagem do Concílio Vaticano II

 

 

 Thaís Brito cotidiano@opovo.com.br
 Dom José Maria Pires recorda que, durante a ditadura militar, após o Concílio Vaticano II, a Igreja assumiu o compromisso de se voltar para os pobres, o que representava também mudança no estilo de vida dos religiosos
 
A mãe tinha sangue africano e cigano. O pai veio de família portuguesa. Na trajetória em defesa dos negros e oprimidos, dom José Maria Pires também ficou conhecido como dom Pelé e dom Zumbi. Aos 96 anos, o arcebispo emérito da Paraíba viaja pelo País para falar do Concílio Vaticano II, encerrado em 1965. É dos poucos padres conciliares vivos no Brasil. 

 Nascido em Minas Gerais, uniu a calma do mineiro à franqueza do nordestino para defender os mais pobres durante a ditadura militar. Teve no cearense dom Helder Câmara um amigo pessoal e aliado na luta pelos direitos humanos. Em entrevista ao O POVO, relembra o pacto firmado pela Igreja em alcançar os mais fracos e perseguir a simplicidade. Depois de 50 anos da última conferência, vê que é preciso uma conversão à mensagem do concílio. 

 

 EIS A ENTREVISTA

O POVO De onde vêm os apelidos de dom Pelé e dom Zumbi?

Dom José Maria Pires – Quando fui ordenado bispo, em 1957, eu era o único bispo negro no episcopado brasileiro. Foi a época em que Pelé estava no auge, jovenzinho. Numa das nossas reuniões, entrei um pouquinho atrasado com outro bispo. Quando entrei, disseram (referindo-se à dupla): “Feola (Vicente Feola, ex-jogador da seleção brasileira), que era um gorducho, e Pelé”. Então, começaram a me chamar de Pelé.

OPE o Zumbi veio como?

Dom José – Zumbi foi na Serra da Barriga (Alagoas), no centenário da abolição da escravatura. Nós fizemos uma romaria até a serra, que era a sede do Quilombo dos Palmares. Aí dom Pedro Casaldáliga (bispo emérito de São Félix do Araguaia) diz: “Olha, Zé Maria. Pelé não faz nada pelos negros. Você vive lutando pela negritude. Então vamos mudar seu nome de Pelé para Zumbi porque ele também deu a vida pela negritude”. A partir daí, me chamaram de dom Zumbi.

OP Por ser negro e de origem humilde, o senhor enfrentou dificuldades ou discriminação no início dos estudos?

Dom José – Olhe, a gente nem achava que era discriminação. Minas Gerais tem uma população de negros muito alta. Por ter sido terra de mineração, sobretudo de diamante, foram multidões de escravos para trabalhar na terra. E o negro lá é coisa normal. Agora, realmente os brancos fazem a sua acepção e sua distinção. Por exemplo, no meu primeiro ano de seminário, com 12 anos, tive um desentendimento com um colega meu.

O responsável nos colocou de castigo de joelhos no corredor. Aí passou o diretor da casa, nos viu ali, chamou o responsável e disse: “Este aqui é um menino muito bom, de boa família. Este negro que não presta” (risos). A visão era essa, e nós aceitávamos. A gente achava que negro era inferior. Só depois é que a gente veio ver que não era bem assim.

OP Em 1965, o senhor foi transferido para João Pessoa. Entrar em contato com as pessoas na Paraíba trouxe a visão de uma Igreja voltada para os pobres? Ou já fazia parte do seu trabalho em Minas?

Dom José – Fazia, mas em parte. Porque, naquele período, havia uma distinção social muito forte entre Minas Gerais, que estava no Sul, e o Nordeste. Mineiro é muito calmo, retraído. Já o nordestino, você chega e conversa com ele meia hora e já sabe a vida toda dele. É uma diferença marcante.

E houve um problema na Igreja no Nordeste porque, ainda durante o Concílio Vaticano II (1962-1965), houve uma divisão muito grande em algumas dioceses. Uma delas foi a da Paraíba. O clero estava dividido, quase na metade. O arcebispo tinha 62 anos, mas estava sem condições de trabalhar. Então era necessário providenciar alguém que fosse novo e tivesse condições de enfrentar aquela situação.

OP – Que divisão era essa? Eram duas visões de Igreja?
Dom José – O Concílio Vaticano II projetou uma nova imagem de Igreja e uma nova imagem do padre. Antes, o padre andava de batina, celebrava a missa e fazia batizado em latim. Devia ser um sujeito bem afastado, celebrava de costas para o povo. O concílio projeta uma imagem diferente. É aquele que é social, conversa com todo mundo, se aproxima. Então um grupo de padres mais velhos fica nesse rito antigo, os padres mais novos não. Dá uma confusão tremenda. No Nordeste, tinha isso.

O que a Santa Sé faz? Pega um que nem conhecia o Nordeste. Então me tiram de Araçuaí (Minas Gerais) e me mandam para lá. Então pelo fato de ser mineiro e de não conhecer nada lá, eu entro assim sem preocupação nenhuma. Eu não tomava providência nenhuma e deixava que os padres fizessem isso. Realmente foi interessante para eles, mas dava para unir. Porque o bispo não era nem de um lado nem de outro. A gente conseguiu trabalhar. Não era mérito mesmo, é a mineirice. Ser um pouco diferente deles mudou a situação. E eu fui virando paraibano.

OP É na Paraíba que o senhor passa a conhecer dom Helder Câmara?

Dom José – Eu já conhecia desde que fui eleito bispo. Mas era um conhecimento assim muito genérico, naquela multidão de bispos. Quando eu vim pra Paraíba, aí foi diferente. Eu era o vizinho mais próximo dele.

OP –O processo de beatificação de dom Helder já começou, já existe a comissão colhendo depoimentos sobre ele…

Dom José – (interrompendo) Eu fui o primeiro a dar o depoimento.

OP Este depoimento é sigiloso, mas o que o senhor pode falar de dom Helder às pessoas?

Dom José –Posso falar tudo (risos). Era um grande padre, grande bispo. Uma capacidade de entender as pessoas, de conviver. Tinha um bom relacionamento com o povo. Onde já se viu um arcebispo de uma cidade como Recife não ter carro? Não ter secretário, comida em casa? Realmente era um testemunho maravilhoso. Pelo fato de eu ser o vizinho mais próximo dele, tínhamos muito contato pra poder ver como as coisas podiam caminhar. Tive uma amizade profunda com dom Helder.

OP
Pela atuação em defesa do povo durante a ditadura militar, as pessoas ainda se referem a vocês como arcebispos vermelhos. A que se deve este título e a ideia de que vocês estavam numa ala progressista na Igreja?

Dom José – Tudo dependia muito da região do Brasil. Lá no Sul, eles não tinham os problemas que tínhamos no Nordeste. Os bispos do Sul eram muito mais acomodados. E não acreditavam em muita coisa que a gente dizia. Recife, por exemplo, era um caldeirão. Era aquela ebulição constante. Essa foi a primeira razão. A segunda é que o fato de a gente viver no Nordeste, vendo a situação do povo, mexia muito com a gente. Por quê? Pobre tinha lá no Sul também.

Só que no Nordeste não era pobre, era o empobrecido. Tinha que dar condições pra pessoa se desenvolver. Lá no Sul não: o sujeito quer trabalhar, tem uma terra pra ele trabalhar. No Nordeste, se quer trabalhar, não tem terra nem nada, é uma espécie de escravidão. Isso muda completamente a visão da gente. Com dom Helder foi a mesma coisa. Ele foi bispo do Rio de Janeiro. Aí depois, é transferido pro Nordeste. Muda a linguagem dele, muda a atuação. Por quê? Somos arcebispos do povo. Então se o povo está em sofrimento, tem que mudar a cabeça da gente.

OP –E qual era a forma de a Igreja chegar perto dos menos favorecidos e atuar na defesa deles?

Dom José – Foi o que ela fez a partir do Concílio Vaticano II. Houve fatos muito sérios naquele período, de 1964 e 1965. O primeiro para nós foi a ditadura militar. E para a Igreja, o encerramento do Concílio Vaticano II. Então a gente sai do concílio com aquele entusiasmo, querendo que a Igreja seja dos pobres. Aí um grupo de 42 bispos vai celebrar nas catacumbas de Roma e assina um compromisso de ter a Igreja dos pobres. Isso era dizer:

“Nós, bispos, não vamos morar mais em palácio, não vamos ter nenhum objeto de ouro.Quem tiver cruz de ouro vai vender, vai doar”. Simplicidade, não é? Dar atenção especial às famílias mais simples, ao invés de ficar com as mais importantes. Muda não só a cabeça, muda também o estilo de vida. Isso, para os que estão no poder, é comunismo (risos). Mas a gente não se incomodava com isso. Chamavam dom Helder de bispo vermelho, escreviam no muro da casa dele. Isso não incomodava.

OP –E fazia com que vocês parassem de agir pelo povo?
Dom José – Não. Dom Helder fazia coisas inacreditáveis para um arcebispo de Olinda e de Recife. Nós estávamos lá em assembleia do Regional Nordeste 2, do qual ele era presidente. Chegam as pessoas do Interior e avisam que os proprietários daquela área tinham mandado abrir a cerca perto de onde moravam os mais simples, onde havia as plantações deles, para soltar o gado ali. Dom Helder procurou se informar se aquilo era verdade. E era. Aí disse: “E nós vamos continuar aqui na nossa reunião? Deixando o povo sofrer desse jeito? Temos que fazer alguma coisa”.

Dom Helder nunca decidia o que fazer, ele jogava o problema, e a gente discutia. Daí é que saía a solução. Saía do encontro das opiniões. O resultado foi: “Tem que alguém ir lá e dar apoio ao povo”. Então fomos quatro bispos. Eu dirigindo um Fusca, dom Helder ao meu lado. Quando chegamos lá, estava montada aquela coisa, tinha mais de cem soldados. Logo veio um dos comandantes cumprimentar dom Helder. Quando viram os bispos entrando, as pessoas se animaram. Estava todo mundo acuado nas suas casas, e o gado comendo tudo.

O pessoal sai das casas, e dom Helder começa a recitar com eles os mandamentos da não-violência. Dom Helder gritava: ‘Primeiro”. O pessoal dizia: “nunca matar”, “nunca ferir” e por aí vai. Terminaram os mandamentos, dom Helder disse: “Agora vamos tirar o gado”. Chega um militar e diz: “Isso o senhor não pode fazer”. Ele diz: “Então vai deixar o gado comendo a plantação do povo?”. O militar diz: “Mas isso é o proprietário que tem de fazer”.

Mas foi o proprietário que mandou abrir a cerca e mandou a polícia para garantir aquilo. Dom Helder não discutiu mais. Pegou uma maniva, aquela barrinha da mandioca, e disse: “Nós vamos tocar o gado é devagarzinho. Porque o gado comeu muita mandioca e pode se sentir mal se correr. Vamos devagarzinho, não é?”. Pronto, fomos nós quatro tangendo o gado. Era uma coisa muito simbólica.

OP –E com a sua atuação na arquidiocese da Paraíba, o senhor sofreu alguma perseguição na ditadura militar?

Dom José – Perseguição não. Dom Helder e eu tivemos restrições. Por exemplo, ele fazia muitas viagens ao exterior. E seguravam o passaporte dele. Ficava com a Polícia Federal. Quando era quase na hora da viagem, chegava alguém com o passaporte dele. Faziam uma pressão também sobre nós violando nossa correspondência. Você via claramente.

Havia esse tipo de perseguição, depois intimidação. O que eles faziam era intimidar a gente. Se você cedesse, era vitória deles. Mas se você insistisse, eles não tinham coragem de enfrentar. Foi um tempo muito interessante (risos).
OP –Neste período foi fundado o Centro de Defesa dos Direitos Humanos, em 1971. Essa instituição era ligada à arquidiocese? Em que ela ajudava as pessoas?

Dom José – Nosso centro de defesa foi o primeiro que surgiu na América. O concílio insistiu muito sobre a questão dos direitos humanos. E como a gente vai ajudar a pessoa, se sobretudo os pobres é que estão sendo mais atingidos? Então você recorria a um advogado para defender fulano de tal que foi preso. Mas não dava porque precisaria de gente que tomasse isso a sério.

Então a diocese da Paraíba resolveu contratar um advogado pra ficar só por essa conta. Tínhamos agora advogado, um daqueles que não fica esperando a coisa aparecer. Foi uma bênção pra aquele pessoal pobre saber que tinha um advogado.

OP –Até hoje o senhor é chamado nos encontros para falar sobre o Concílio Vaticano II. Além de mudanças na imagem de um padre e na proximidade com as pessoas, que mudança o senhor destaca na atuação da Igreja?

Dom José – Não é questão de mudar. Toda aquela doutrina de antes continua válida. Você agora vai colocar o foco nas coisas que são importantes para o povo. Antes, a imagem da Igreja era como se fosse uma pirâmide. Lá em cima está o papa, depois vêm os bispos, os padres, os religiosos e lá na base está o povo. Vaticano II projetou uma outra imagem. Igreja é povo.

Cada um com a sua função. É como numa sociedade: as pessoas têm autoridade exatamente para exercer aquela função. Na Igreja, tem alguns que são destacados para ser autoridade em benefício da caminhada. Igreja é povo de Deus a caminho.

OP –
E como ficou o diálogo da Igreja com outras denominações cristãs? O concílio abordou o ecumenismo. Foi importante falar sobre isso?

Dom José – Antes ecumenismo era uma coisa um tanto teórica. Com o Vaticano II, vem a coisa prática. A gente vai se encontrar porque tem alguma coisa em comum entre nós. Por exemplo, todo ano temos um encontro de bispos e pastores evangélicos. O que é comum entre nós? A Bíblia. Se é a Bíblia, de manhã a gente tem que ter uma celebração da palavra. E quem preside é um protestante.

De tarde, tem uma celebração da eucaristia. Quem preside é um bispo. E todos assistem. E durante o dia nós vamos discutir assuntos que dizem respeito à sociedade. Por exemplo, a gente falava da violência. Interessa ao protestante e ao católico que as pessoas se entendam e se aproximem.

OP Você tem da mãe a ascendência africana. No diálogo com outras religiões, como você vê a espiritualidade de milhões de negros no Brasil que têm herança do catolicismo e da cultura africana, mesclando devoção aos santos e aos orixás?

Dom José – No começo, a Igreja condenou tudo isso. Porque ela entrou no Brasil e na América através dos que vieram da Europa. Eles eram católicos, todos. Eles achavam que religião era aquilo, tinha que ser desse modo. Quem não praticasse daquele jeito, naquele estilo, estava fora.

As coisas de índio eram consideradas como superstição. As coisas de negro eram superstição. Então joga fora o candomblé. Vai passando o tempo, e a gente então vai descobrindo que realmente Deus está presente nessas culturas todas. Você tinha que respeitar a cultura diferente. Não foi fácil.

Em 1992, a gente ainda teve uma discussão forte sobre isso em Santo Domingo, na Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano. A gente viu que o que a Igreja crê é na inculturação da fé, do evangelho. Eu não posso viver a minha fé do mesmo modo que vive um sujeito lá da Europa, que tem um estilo de vida completamente diferente. A fé é a mesma, a maneira de viver é diferente. Para o europeu rezar, quanto mais calmo tiver, melhor. Para o negro, não. Quanto mais dançar, mais ele acha que está louvando a Deus com suas danças e batuques.

Até 1992, não se aceitava esse processo de inculturação. Em Santo Domingo, foi aprovado que era necessário inculturar o evangelho na América. Isso exigiu uma adaptação e mostrou que as culturas não são ruins. O que é fundamental na cultura afro? Os orixás. Se tivessem entendido isso desde o começo, os negros teriam adorado. O orixá é como se fosse meu anjo da guarda. Todo mundo ao nascer tem o seu orixá. Na doutrina católica, todo mundo tem o seu anjo da guarda.

Então é só porque mudou de nome? Todo mundo da Igreja Católica adora a Deus. Na cultura africana, eu adoro Olorum. Só mudei de nome, não é? O fato de o Vaticano II ter dado atenção a estas culturas fez com que muita coisa que antes era impossível se tornasse fácil. Esse diálogo entre diversas culturas religiosas também ficou.

OP –
O concílio também trouxe a mensagem de uma Igreja mais misericórdia e menos condenação. Vemos muito esta ideia no discurso do papa Francisco, de ir às periferias e alcançar as pessoas. Na sua opinião, do que a Igreja precisa para seguir este caminho e ter mais visão de misericórdia?

Dom José – Precisaria só de uma coisa. Que, nos seminários, se estudasse mais o Vaticano II. Tudo isso está no Concílio Vaticano II. Uma Igreja que não está no centro, está na margem, na periferia. Ela tem que ir pra periferia porque é lá realmente que está a missão dela. Precisaria que a gente se convertesse ao Vaticano II e quisesse colocar em prática. Porque não é fácil.

OP –Então seria uma conversão?

Dom José – Seria. E essa conversão não é só no povo. Começa dos bispos. Seria voltar à tradição original, a gente foi perdendo com o tempo. O importante é voltar às comunidades evangélicas primitivas. O pessoal vivia mesmo como irmão. Não tinha “isso é meu”. Isso aqui é nosso. Realmente as comunidades viviam a fraternidade. Elas não estavam preocupadas em defender isso ou aquilo. Estavam preocupadas em viver o evangelho. Precisamos o quanto possível voltar àquele espírito de fraternidade.

OP –Por que a visão da Igreja para os mais pobres precisa começar na formação dos sacerdotes?

Dom José – Pelo evangelho, a Igreja tem que ser dos pobres. O Cristo, ao fazer-se gente como nós, fez a opção pelos pobres. Ele podia ter nascido numa cidade grande, nasceu em Belém. Podia ter nascido num palácio, nasceu numa gruta. Nem casa tinha. Primeiro sono dele, dormiu num cocho. O presépio é o cocho onde se colocava comida para os animais.

Ele fez essa opção pelos pobres. Não excluiu os ricos, mas a opção preferencial foi para os pobres. Então se a Igreja quer ser fiel a ele, ela tem que ver onde é que está havendo mais pobreza. Não é só a pobreza material, às vezes é a pobreza intelectual, pessoas que não são aceitas, que fizeram um crime. Todo esse pessoal que está vivendo uma pobreza física, material, intelectual ou espiritual é o objetivo principal da Igreja.

 

 Thaís BritoThaís Brito

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