A prisão do mordomo do Papa, o poder do secretário e os vendilhões

Por António Marujo

O presidente do banco do Vaticano demitido, o mordomo do Papa preso, cartas e documentos sigilosos de Bento XVI e seus colaboradores publicados em livro. A Santa Sé está em ebulição

O mordomo da casa pontifícia foi ontem formalmente acusado de posse de documentos ilegais, depois de ter sido detido na quarta-feira. A detenção, anunciada apenas na sexta, aconteceu no mesmo dia em que o presidente do Instituto das Obras da Religião (IOR), o banco do Vaticano, foi forçado pelo conselho de supervisão a demitir-se. E na mesma semana em que um livro publicado em Itália divulga cartas e documentos sigilosos enviados ao Papa, ao seu secretário e a responsáveis do Vaticano (ver texto na página ao lado), com o objetivo de “expulsar os vendilhões do templo”.

A detenção do mordomo foi confirmada pelo porta-voz do Vaticano, Federico

Lombardi: “A pessoa detida por posse ilegal de documentos confidenciais, encontrados no seu domicílio situado no território do Vaticano, é o senhor Paolo Gabriele, que permanece preso”, diz o comunicado. Gabriele será dos poucos leigos a viver, com a sua família, no interior do minúsculo Estado, tendo em conta as suas funções.

Sexta-feira, quando foi anunciada a detenção, o Vaticano não dissera quem era o suspeito, mas quer o jornal Il Foglio quer a agência italiana Ansa coincidiam em identificá-lo desde o início com o mordomo papal, de 46 anos.

Definido como homem de confiança da pequena estrutura próxima de Ratzinger, de 85 anos, e uma das raras pessoas em contacto direto com Bento XVI, Gabriele está no lugar desde 2006.

A detenção surge após as fugas de documentos que começaram no final de Janeiro e se estenderam por quase todo o mês de Fevereiro. Há um mês, o Papa Bento XVI nomeou uma comissão de cardeais para averiguar de onde partiram.

Pelos vistos, o primeiro resultado já apareceu e Gabriele, esclareceu o porta-voz, ficou “à disposição da magistratura vaticana para aprofundamentos ulteriores”.

De acordo com o comunicado oficial ontem divulgado, o acusado nomeou dois advogados, com quem já falou, e tem “todas as garantias jurídicas previstas pelo código penal e pelo procedimento em vigor no Estado da Cidade do Vaticano”.

Uma fonte não identificada, citada pela AFP, disse que o Papa ficou “triste e chocado” com este “caso doloroso”. “É tudo muito triste” é como outro responsável não identificado, citado pela Reuters, traduz o ambiente que reina no Vaticano. Mas fontes do Vaticano contatadas pelo PÚBLICO não acreditam que Gabriele seja o principal responsável pelas fugas de informação. Provavelmente, ele é apenas o elo mais fraco de um grupo de pessoas que pode mesmo envolver algum cardeal.

Em causa estará um ambiente de luta pelo poder, numa altura em que se começa a perceber que Bento XVI estará mais fragilizado. Sente-se no Vaticano, como o PÚBLICO noticiava em Abril, um clima de final de pontificado e adensam-se jogos – reais ou imaginários – para a sucessão do atual Papa. O cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano e número dois da hierarquia, tem sido um alvo privilegiado de críticas.

Inabilidade e ausência

O fato de Bertone não ser oriundo da carreira diplomática foi bem visto por muitos sectores, quando foi nomeado por Bento XVI – o atual Papa tinha chamado o cardeal para número dois da Congregação para a Doutrina da Fé.

Mas, entretanto, a sua alegada falta de habilidade na gestão da máquina eclesiástica e o fato de se ausentar com frequência do Vaticano têm sido objeto de muitas críticas. Tal como a alegada incompetência dos mais diretos colaboradores.

Em paralelo, emerge entretanto também o poder do secretário do Papa, o padre Georg Gänswein. Já com João Paulo II, à medida que a doença progredia e o Papa polaco ia ficando mais frágil, o papel do seu secretário ia sendo cada vez mais acentuado. Afinal, é o secretário quem controla a agenda do Papa.

Desde há quatro anos, quando saiu um segundo secretário, Gänswein ficou sozinho no cargo. Uma das conclusões que se retira do livro Sua Santidade – Os Dossiers Secretos de Bento XVI, publicado esta semana, é que emerge cada vez mais o poder do secretário.

Os conflitos de poder são uma leitura possível para o outro caso que explodiu quarta-feira, quando o presidente do IOR (o banco do Vaticano) foi forçado a sair, depois de um voto de desconfiança do conselho de supervisão.

O comunicado oficial dizia que, na reunião ordinária de dia 24, quinta-feira, o conselho analisara a questão do governo do IOR, que já despertara “uma progressiva preocupação” mas que, apesar das repetidas comunicações, “a situação deteriorou-se”. Por causa disso, o conselho “adotou por unanimidade uma moção de censura ao presidente, por não ter desempenhado várias funções de importância primária para o seu cargo”.

Respeitado pelo Papa

O mais estranho é que Ettore Gotti Tedeschi, que tinha sido escolhido há dois anos e meio para o cargo, era muito respeitado pelo Papa (ver texto nestas páginas). A demissão surge num momento crucial: em Julho, um grupo de peritos europeus irá decidir se o Vaticano pode integrar a lista de estados transparentes na luta contra a lavagem de dinheiro.

O IOR teve uma vida polêmica nas últimas décadas, com escândalos a envolver dirigentes e que misturavam a máfia, a maçonaria e os serviços secretos italianos. Há dois anos, Bento XVI dotou o IOR de nova legislação e regras mais rigorosas. Mas, recorda a AFP, essas regras foram retocadas, aparentemente para limitar a possibilidade de inquéritos retroativos, o que teria desagradado a Gotti Tedeschi.

No final de 2010, o Papa criou ainda uma Autoridade de Informação Financeira (AIF), cujos poderes terão gerado debates acesos no Vaticano – e que podem ter sido mais um caso a levar à demissão do banqueiro, um profissional muito conceituado.

Pode haver outra razão: Gotti Tedeschi opôs-se a que o Vaticano salvasse financeiramente um hospital católico de Milão, o San Raffaele. O cardeal Tarcisio Bertone tinha a opinião contrária. Fontes consultadas pelo PÚBLICO não acreditam que este caso tenha sido decisivo para a saída, mas pode ter contribuído também para que tal acontecesse.

Uma das fontes contatadas diz que talvez Gotti Tedeschi se tenha deixado enlear pela teia de interesses contraditórios e dos grupos que se batem no interior do Vaticano. Verdade ou não, o Papa não tem sossego.

********************************

Crime, diz o Vaticano; limpeza da Igreja, dizem informadores

Por António Marujo

Vaticano não poupa nas palavras e diz que se trata de um crime: “A nova publicação de documentos da Santa Sé e documentos particulares já não aparece como questionável – embora, obviamente, difamatória – iniciativa jornalística, mas assume claramente as características de um ato criminoso.”

Em comunicado, quarta-feira, a Santa Sé reagia deste modo à publicação de Sua Santidade – Os Dossiers Secretos de Bento XVI, do jornalista Gianluigi Nuzzi. O livro, posto à venda esta semana, foi apresentado nesse mesmo dia em Roma. Nele se revelam, entre outros documentos, cartas ao Papa Bento XVI e ao seu secretário sobre assuntos sigilosos.

Não há nada sobre eventuais escândalos, dizem as notícias. Mas a documentação traduz o ambiente de tensão entre responsáveis do Vaticano, incluindo cardeais. Apesar de condenar a divulgação, a Santa Sé nunca contestou a autenticidade dos documentos – tal como sucedera em Fevereiro, quando vários deles foram mostrados na televisão.

Nuzzi justificou a divulgação com a vontade das suas fontes em “expulsar os vendilhões do templo”. A expressão alude ao episódio em que Jesus expulsa do Templo de Jerusalém os mercadores que faziam comércio num lugar de oração.

O jornalista, responsável pelo programa Os Intocáveis, na rede La Sette, que trouxe a público os primeiros documentos, no início do ano, afirmou, citado pela AFP: “Estamos perante pessoas que, desde há anos, querem expulsar os vendilhões do templo e que reconhecem no Santo Padre um ponto de referência.”

Talvez prevendo críticas, o autor afirmou ainda: “Não há uma palavra no meu livro contra a fé, a Igreja, o Santo Padre. Não encontrarão aí anticlericalismo.” Nuzzi revelou que recebia informações desde 2009.

Os documentos revelados remetem para temas que têm sido objeto de polêmica:

pressões sobre autoridades políticas italianas acerca de questões de sociedade, escândalos de abusos sexuais nos Legionários de Cristo, negociações com os integristas lefebvrianos ou questões fiscais na relação com o Estado italiano.

Extratos lidos pelo PÚBLICO falam da “sagrada ingerência sobre a Itália”, a propósito da chamada de atenção da União Europeia sobre eventuais benefícios fiscais da Igreja em Itália, com uma “memória” para o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano e, segundo alguns, principal alvo das fugas de informação. E relatam também um jantar “privado” entre o Papa e o Presidente Giorgio Napolitano, em Janeiro de 2009, ao tempo dos governos de Berlusconi. Os dois líderes falaram sobre temas da agenda italiana, como a eutanásia, mas também acerca da situação econômica, das leis raciais que Berlusconi preparava (e às quais o Papa se opunha) e do estatuto jurídico do Vaticano.

Pacheco Gonçalves, correspondente em Roma da Voz Portucalense, jornal da diocese do Porto, referia na sua crônica desta semana outros casos do livro.

Por exemplo, uma carta do líder da Comunhão e Libertação, padre Julián Carrón, a propor como “única candidatura” ao lugar de arcebispo de Milão o cardeal Angelo Scola. A Comunhão e Libertação é um dos grupos católicos mais poderosos em Itália, com ramificações no poder político, e Carrón dizia que havia a “exigência e urgência de uma escolha de descontinuidade significativa em relação aos últimos 30 anos”. Uma alusão, negativa, às lideranças dos cardeais Carlo Martini e Dionigi Tettamanzi, considerados demasiado “progressistas”.

Há ainda trocas de bilhetes quase familiares entre figuras públicas italianas e altos responsáveis do Vaticano. Por exemplo, o de Gianni Letta, homem de confiança de Berlusconi, a explicar ao secretário do Papa a dificuldade de colocar alguém “recomendado” pelo Vaticano.

******************

Perfil

Gotti Tedeschi

O bode expiatório mais fácil? Ettore Gotti Tedeschi, até quarta-feira presidente do Instituto para as Obras da Religião (IOR), o banco do Vaticano, terá confidenciado, após a sua demissão forçada, que preferia calar-se; caso contrário, “só teria de dizer grosserias”, contava o jornal La Croix. No dia seguinte, o banqueiro disse, segundo a mesma fonte, que estava dividido entre “o desejo de dizer a verdade e não querer perturbar o Papa”.

Nomeado a 23 de Setembro de 2009 para o cargo, como uma espécie de bombeiro para pôr as finanças da Santa Sé na ordem, Gotti Tedeschi tinha até há pouco “total confiança” da Santa Sé para ocupar o lugar. Apresentado como católico fervoroso, o banqueiro era considerado um importante especialista em ética financeira. Foi professor de Economia na Universidade Católica de Milão e desempenhou o cargo de presidente do Banco Santander em Itália. A sua nomeação tinha também como objetivo colocar o IOR na linha, depois das polémicas das últimas décadas e de modo a que o próprio Vaticano colaborasse com as autoridades financeiras internacionais na luta contra a lavagem de dinheiro. Em Setembro de 2010, a justiça italiana abriu um inquérito visando o banqueiro por alegado branqueamento de 23 milhões de euros. Em Junho seguinte, as acusações foram retiradas, o que deixou satisfeitos os responsáveis do Vaticano. Agora, a comissão de fiscalização do IOR – com o cardeal Tarcisio Bertone à frente – quer encontrar um “presidente excelente”, que pode bem vir a ser o atual vice-presidente, o alemão Ronaldo Hermann Schmitz, ex-director executivo do Deutsche Bank.

A.M.

secretariado@fraternitas.pt

 

Respostas de 11

  1. Realmente esta luta pelo poder na cúpula da hierarquia da nossa Igreja tem NADA a ver com o Evangelho, a Boa Nova, de Jesus. Porque será que nem o já beato João Paulo II nem o Bento XVI se dão conta deste fato?
    Uma boa leitura sobre esta ânsia pelo poder é também o último livro de Luís Guerreiro “O Peregrino”.

  2. IRENE, GRATO PELO OPORTUNO COMENTÁRIO.
    Quero ler o livro do Luís.
    Giba

  3. Irene,
    Como posso encontrar no Brasil este livro, O Peregrino de Luis Guerreiro? Qual é a citação completa do livro? Editora, local de publicação, cidade?
    Grato
    Nielsen

  4. Acredito que os padres casados deveriam tomar a mesma iniciativa que tomaram os povos do Egito, da Líbia, e da Síria. Exceptuando a violência e o uso das armas, claro.
    Só uma iniciativa destas iria afetar a cúria e faria com que o papa se pronunciasse.
    É neste espaço que é preciso atuar: o espaço público, nas ruas, onde imediatamente a mídia em geral traria seu apoio e suporte, inviabilizando completamente a indiferença e o silêncio do papa.

    Afinal o que tem os padres casados a perder se tomarem uma posição tão frontal ?
    Não já perderam tudo ao serem excluidos do ministério ?
    Aqui perdoe-me Giba minha agudeza, mas não achas que os padres da Àustria, do “chamado à desobediência”, estão demonstrando muito mais coragem que os padres casados ? Estes austriacos que estão ativos no ministério e eclesiasticamente ligados(submissos) à igreja, não temeram lançar-lhe publicamente um desafio!
    Por isso pergunto, o que os padres casados temem?
    Reformulando a questão, o que realmente pretendem ?
    Porque as diversas associações de padres casados que há no mundo, são mais de uma dezena, não fazem um evento ou uma assembleia geral em frente ao Vaticano A EXIGIR AS MUDANÇAS?
    Não tenho a menor dúvida de que, até mesmo a população católica e não católica em geral, iria apoiar e viabilizar uma tal manifestação pública…não tenho a menor dúvida disto: porque é algo que os céus querem que aconteça ! …contudo, parece que os padres casados não conseguem ver, nem ouvir, nem perceber.

  5. Prezado Sr. Nielsen Pires,
    Quem lhe responde é o próprio autor do livro “O PEREGRINO”, Luís Guerreiro Pinto Cacais, um padre casado que mora em Brasília há quase 38 anos. O livro acaba de ser lançado no início de maio. É o quinto do autor, um autor tardio, que sempre quis escrever, mas só o pôde fazer praticamente após a aposentadoria. Pouco conhecido por isso, escreve e adotou como método ir à busca dos leitores. O Sr. pode ser um deles.
    Querendo adquirir o livro, pode dirigir-se ao autor: Luís Guerreiro P. Cacais – SQS 103, BL G, Apto 607 – 70342-070 Brasília, DF – Tel. 061 3223 4599, E-mail: luisirenecacais@solar.com.br, ou: Editora SER – SEPS 705/905 Ed. Mont Blanc, sala 145 / 70390-055 Brasília, DF / Tel. 061 3242-6408/9629 6966 E-mail: editoraser@terra.com.br. O preço do livro, incluindo taxa de Correio, está em R$ 25,00.
    Penso que são os dados que o Sr. queria.
    Disponha.
    Luís Guerreiro P. Cacais

  6. Bom questionamento feito por Campos de Sousa. Penso que já passou da hora dos Padres Casados, tomarem uma posição mais radical em relação a Igreja. A meu ver, os padres casados mesmo sendo completamente excluidos da vida da Igreja, ainda continuam sendo mais fiéis a ela, do que os padres que estão na ativa… Agindo desta forma, dificilmente a Igreja irá desviar o seu olhar e se incomodar.(São Padres Ovelhinhas) Vejam o exemplo do “chamado a desobediência” Jesus com certeza está com eles. Isto não deveria ser também uma ponta de lança a despertar os padres casados? Vou propôr uma sugestão somente, entre as várias possibilidades: Os milhares de padres casados no Brasil poderiam fazer um bom uso da internet para exercer os seus ministérios…(criar paróquias online, celebrar missas online…etc )Isto seria uma ponta de lança!…

  7. Valeu, amigo José.
    Iremos debater este assunto em nosso próximo Encontro Nacional, em Fortaleza.
    Giba

  8. Caro amigo José Martins,

    Agradeço-te imenso o apoio…até dei aqui uns saltitos…foste a primeira pessoa a declarar concordância com minha singela (mas cheia de pretensão) sugestão.
    Já agora, gostei muito de sua proposta, considero-a bastante válida. Oxalá os padres cdos a utilizem…será um bom começo (os padres casados precisam pastorear o rebanho dos filhos de Deus que, ao saírem da ICAR,não conseguem ingressar noutras igrejas, sejam quais forem…, já pensaram nisto?).
    Contudo, insisto: o espaço da Internet ainda é um espaço que não faz “moça” na Cúria…;
    Todos nós que gostaríamos de ver as mudanças na ICAR, aquelas mudanças que é o Espírito Santo que deseja realizar: fim do celibato obrigatório, Etc., deveríamos sair às ruas, como fez Gandhi na India, ou Martin Luther King, nos EUA.
    Só assim, faremos moça na Cúria…e que moça ! Tenho a mais plena convicção, que a uma marcha desta lá no Vaticano, se juntariam milhões de pessoas – de todo o mundo – aí sim, os “deuses” da Cúria teriam de se curvar.
    Cumprimentos,
    Campos de Sousa

  9. Li a matéria A Prisão do mordomo do Papa, li os 8 comentários, particularmente o de Campos de Souza. Está difícil perceber um nexo razoável entre a matéria A Prisão do mordomo do Papa e a proposta de Campos de Souza e ainda mais difícil perceber um nexo das duas com o Encontro Nacional, que já tem temário e programação. Um posicionamento como o proposto por Campos de Souzalevaria a o que ? Quem é que está interessado na reconquista do poder clerical por parte dos padres casados ? Isso é saudade da cristandade, que já passou e nãotem mais chance na pos-modernidade.
    Padres Casados são uma realidade da Igreja. Diante do fenomeno pos-conciliar de muitos que não mais queriam um ministério regido pelo CIC o Vaticano aceitou a saida e dirimiu ( dispensou) do impedimento jurídico que torna nulo o casamento de quem recebeu a imposição de mão poara o episcopado, o presbiterato ou o diaconato. A Igreja não duvidou de que os que receberam a imposição das mãos continuam presbíteros, bispos ou diáconos, tanto assim que no próprio CIC está expressa a norma da obrigação de reassumir o ministério regido pelo CIC em certas circunstâncias.
    Entendo que a grande mudança, grande transformação que nos cabe, como presbíteros que se desvincularam do ministério regulado pelo CIC, deve provir de dentro de nós mesmos. Jesus não deixou nenhuma legislação jurídica, nenhum plano de pastoral, mas assegurou que o Espírito que comunicou aos discípulos dará a resposta para todos os momentos de todos os tempos. O que deve provir de dentro dos presbíteros é a fé no Espírito. Uma fé que não é sentimento, nãosão os posicionamentos da RCC, mas a resposta dada ao Espírito com uma nova forma de viver o Presbiterato, o diaconato, ou o episcopado. Desvincular-se do m insiterio regido pelo CIC apanas nos libertou de um sistema obsoleto e superado, mas não impede de anunciar o Evangelho. Alguém pode proibir de anunciar o Evangelho ? É preciso atrelar-se ao sistema paroaquial para anunciar o Evangelho ? Alguém pode impedir que visite os doentes, que visite os presos, que trabalhe entre os pobres, que forme grupos de partilha da fé com os visinhos, alguma coisa impede que a família que formamos seja uma pequenA comunidade de acolhida e partilha ?
    Não posso me alongar, apenas posso rezar pedindo que o Espírito nos livre de querer colocar sobre os ombros o clericalismo que nos aprisionará nas cadeias das quais a vocação ao amor humano nos libertou. Um abraço.

  10. Parabéns, Armando, pela excelente reflexão.
    Seu comentário vai esclarecer os demais comentários enviados sobre o assunto.
    Giba

  11. Ilustre Pe. Armando, saudações em Cristo.

    Não pude deixar de responder sua objecção,bem fundamentada e, permita-me, transparecendo estar carregada de sentimentos…pela Causa.Parabéns.

    RESPOSTA 1:”e a proposta de Campos de Souza e ainda mais difícil perceber um nexo das duas com o Encontro Nacional, que já tem temário e programação.” – está a dizer que, tal e qual como na ICAR, a liberdade do Espírito deve ser tolhida por um programa pré-estabelecido…pelo “missal” ? Nesta sua pós-modernidade o Espírito continua sem liberdade de falar o que quer, quando quer, por meio de quem quiser, para Sua igreja (isto não é: clericalismo?)?

    RESPOSTA 2:”Padres Casados são uma realidade da Igreja.” – de qual igreja ? onde ela está ? Onde está o corpo sacerdotal desta igreja,quem são? quantos são no Brasil, 150 mil ?…e no mundo ? …dos milhares de milhares de católicos que deixam de ir a ICAR, quantos estão a militar/peregrinar nesta igreja? …que sacerdotes os estão a acolher, pastorear, cuidar, amar -já que estes ex-católicos não conseguem, não se adaptam a outras igrejas?

    RESPOSTA 3: “o Espírito que comunicou aos discípulos dará a resposta para todos os momentos de todos os tempos.” Aqui estamos em total acordo. Apenas faz-se necessário discernir a voz do Espírito e a Sua vontade para Sua igreja TODA -a igreja corpo de Cristo- e não apenas e só, para cada padre casado.

    O Nobre Armando também diz que “fomos libertos de um sistema obsoleto” e “que o Espírito nos livre de querer colocar sobre os ombros o clericalismo que nos aprisionará nas cadeias..”. UAL… Profética-mente, sem que te tenhas apercebido, o Espírito deu-te estas palavras… Da tua boca saiu a resposta do Espírito, para tua própria inquietação: É da vontade do Espírito, e portanto de Deus e de Cristo, que TODA A CRISTANDADE CATÓLICA SEJA LIBERTA, todos sem ex-cessão, pois, como bem o dissestes(pelo Espírito), estão todos sob cadeias, escravizados por um sistema obsoleto, superado !…(eu até daria outros adjectivos).
    Para que tal aconteça, para que a tão amada e sonhada liberdade de, e, no Espírito possa ser uma realidade para todos que em nossos dias, estão presos sob as cadeias da ICAR, só há uma forma, uma solução: LUTAR, AGIR, ACTUAR EM POSICIONAMENTO DE ATAQUE (de forma cívica e não violenta) E NÃO EM POSIÇÃO DE DEFESA, PARA QUE TAIS CADEIAS SEJAM ENFIM PARTIDAS, DESFEITAS, E ACONTEÇA A LIBERTAÇÃO DO POVO DE DEUS QUE PEREGRINA NA ICAR! …Porventura o Espírito já não iniciou esta batalha ? Ele já está no “front”…quem tem ouvidos ouça, e, veja…! Acompanhá-lo nesta luta é nosso dever, nossa obrigação. Os que não alinharem nesta batalha, poderão vir a ser considerados covardes, não apto para o Reino de Deus. No amor de Cristo que a todos nos acolhe. Um abraço.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *