“Existe mais coisa entre o céu e a terra do que pensa nossa vã filosofia…”
No desenrolar do XXI Concílio Ecumênio da Igreja Católica, ou seja, durante o Vaticano II (1962-1965), alguns gestos talvez tenham falado mais alto, pelo menos por sua repercussão midiática, do que os próprios textos promulgados nos ritos solenes da Basília de São Pedro em Roma. Entre vários, três se destacaram por suas implicações simbólicas: – a doação da tiara papal aos pobres da África por iniciativa de Paulo VI (13 nov.1964); – sua presença nas comemorações do 20º. Aniversário da ONU, na Assembleia Geral presidida pelo senador Amitore Fanfani (4 out. 1965); – o pacto das catacumbas celebrado por 40 padres conciliares, encabeçados pelo arcebispo de Olinda e Recife, Helder Pessoa Câmara (16 nov. 1965).
Quem por acaso teve a felicidade de vivenciar o clima do Concílio sabe muito bem que se tratava de sinais de uma gravidade tal que nem um milhão de palavras seria capaz de expressar de modo mais apropriado o espírito desse magno evento. Na verdade, se o Concílio se propunha dialogar com a modernidade, essa atitude não equivalia a uma capitulação, sobretudo porque o aggiornamento proposto pelo Papa João XXIII, que o convocou e presidiu sua primeira sessão, ia muito mais na direção da refontização – uma volta às fontes mais genuinas da secular tradição da Igreja – do que na ênfase reacionária que o levasse a proclamar novos dogmas ou a condenar desvios heréticos. Ora, qual seria o punctum saliens explicitado pelo Papa Buono senão o caráter prevalentemente pastoral do Concílio, ou seja, aliando a fidelidade à autêntica doutrina, torná-la compreensível através dos modos de pesquisa e formulação literária do pensamento moderno: tradição traduzível – tradição como transcriação sempre possível.
Por isso mesmo, os gestos acima relembrados ganham pleno significado no contexto do Vaticano II. Eles apontam para a substância mesma das estruturas da Igreja: sua constituição deveria se assentar bem menos nos parâmetros do poder e da subordinação dos fiéis e muito mais na ordem do serviço ao Povo de Deus, de cujo sacerdócio comum todos participam fraternalmente. Assim, o Concílio fez questão de abeirar-se da mais antiga tradição teológica, refontizada nas Sagradas Escrituras (A/NT) e na literatura patrística, a fim de apresentar uma figura da Igreja em que o bispo de Roma saisse de seu isolamento monárquico e cumprisse o seu papel efetivo de estimular e confirmar a fé de seus irmãos no exercício da colegialidade episcopal para o governo de toda a Igreja: como aquele que está na sede que “preside a agápê”, na expressão de Inácio de Antioquia.
Desfazer-se da tiara, que na interpretação mais radical de Bonifácio VIII, o Papa da Bula Unam Sanctam, era o símbolo do domínio papal (triregnum) sobre os céus, a terra e os infernos, falava talvez bem mais do que as palavras pronunciadas por Paulo VI na Assembleia da ONU, ao apresentar-se como perito em humanidade (esperti in umanità), desprovido de “qualquer poder temporal, de qualquer ambição de entrar em competição” com os outros chefes de Estado. Seu desejo era o de ser “a voz dos pobres, dos deserdados, dos infelizes, dos que aspiram à justiça…” e, sobretudo, de “poder servir naquilo que lhe fosse dado realizar com desinteresse, com humildade e amor”. Na mesma linha de afirmações gestuais foi lembrado o pacto das catacumbas, sem a pompa e as circunstâncias dos holofotes que iluminaram a retirada da tiara papal para um recanto de museu ou a apoteose de um pontífice católico em Nova Iorque a ocupar o centro das atenções do mundo profano. A penumbra da catacumba de Domitila, naquele 16 de novembro de 1965, poucas semanas antes do encerramento do Concílio, era o ambiente mais adequado para aqueles padres conciliares exprimirem suas convicções sobre os rumos que a Igreja doravante deveria tomar. Era um desafio aos seus irmãos no episcopado no sentido de levarem uma vida de pobreza numa Igreja servidora e pobre, comprometida com a mensagem evangélica ao “colocar os pobres no centro do ministério pastoral” numa “opção pelos pobres”. Esta seria a grande virada do Concílio e do seu alcance ecumênico: redescobrir a dignidade do Povo de Deus, peregrino na diáspora do mundo, e a colegialidade episcopal como fundamentos imprescindíveis da compreensão teológica da Igreja.
“O Catolicismo hoje” , de autoria do filósofo Luiz Felipe Pondé, é um dos títulos da Coleção PARA ENTENDER da editora Benvirá (2011). O autor, ao citar o dito (pág. 133) que serviu de epígrafe a este texto, acredita ser esse um “resumo da espiritualidade da reação romana” acontecida no pós-Concílio com os dois últimos papas. Médico psiquiatra que também é de formação, soube documentar os sintomas das patologias da Igreja romana, embora reconheça que o quadro traçado esconde muito mais coisa a ser percebida somente com exames mais delhalhados e instrumental de primeira linha. Para ele: “A Igreja Católica é um “objeto infinito e selvagem” que exige do estudioso a coragem para um combate imerso na imprecisão e no risco” (pág.14). Com essas cautelas, colocadas pelo próprio autor, é que temos diante de nós um texto para ser lido com curiosidade crítica e, no final, termos um desfecho menos pessimista (ele não gosta de ser tido por pessimista) e mais esperançoso, quando destrincha a lógica conservadora da Igreja e o seu foco de atenção: “Sua hipótese [da Igreja] é a de que somos seres atormentados pela insegurança do cotidiano e pelo medo da morte” (pág.135s).
Contudo: “Se alguém ajudar-nos a lidar com esses afetos, amando-nos e dando-nos parâmetros, nós seremos melhores do que foi Caim. Enfim, uma busca pelo Abel que existe dentro de nós” (pág.136).
O tom mais otimista desse desfecho surpreendente contrasta com toda a sequência de medos, desafios e impasses que assolam a Igreja Católica hoje num discurso conservador e/ou reacionário que nos lembra a face sinistra do Grande Inquisidor, no sonho que Ivan conta a seu irmão Aliocha, no romance Os irmãos Karamázov, de Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski. Em síntese, afirma o agnóstico para o irmãozinho noviço que as observações do ancião fustigando o pobre Cristo, um idiota sem importância naquele cenário de poder eclesiástico, talvez seja o traço fundamental do catolicismo romano. A volta de um Jesus, desfigurado pela dor e pelas misérias humanas, é nada mais nada menos do que um estorvo. Ele não tem o direito de acrescentar uma palavra sequer às suas palavras antigas. Tudo foi transmitido ao papa, tudo depende pois do papa e, portanto, “não venha estorvar-nos antes do tempo.” A liberdade, a libertação para esses pobres depravados, revoltados, fracos e ingratos, não serve de nada. E numa reversão das três tentações do deserto, a obra de Roma com o gládio de Cesar é um processo inacabado de submissão da consciência desses fracos revoltados através das três forças do milagre, do mistério e da autoridade: “seremos césares e, então, pensaremos na felicidade universal, quando a liberdade desses homens fracos for depositada humildemente a nossos pés”. Desse modo, completa o Grande Inquisidor, “corrigiremos tua obra e nós os persuadiremos de que não serão verdadeiramente livres senão abdicando de sua liberdade em nosso favor”.
Não vale a pena repassar, numa espécie de resenha que não é o propósito deste comentário, toda a tessitura da argumentação do autor de “O Catolicismo hoje” que, no capítulo 2, traça o perfil do conservador, seguindo os passos do historiador americano Russel Kirk. Em nome da ancestralidade, a Igreja Católica romana, além de abominar qualquer tipo de revolução, cujo protótipo seria a francesa de 1789, não se dobra às apostas modernas na ciência, na política e na razão. Sua origem antiga e medieval lhe incute o temor e o terror diante da possibilidade de desencaixe (págs. 35; 58; 116) dessas maravilhosas construções do pensamento guiado pela fé e traduzidas nos dogmas, principalmente os dos primeiros Concílios ecumêminos que definiram a natureza divina e humana da pessoa do Cristo, Verbo gerado não criado. A relativização dessa linguagem, calcada em categorias filosóficas greco-latinas, seria um pecado mortal e a decretação de um tipo de tergiversação diante da verdade. Aí está o mal-estar conservador do catolicismo romano “em relação à ideia de progresso racionalista e logicista” e o seu horror ao “meliorismo utilitarista” (pág. 48), bem como à vocação relativista da modernidade (pág. 116).
Por que esse medo todo, quando a própria Constituição do Vaticano II que trata da Palavra de Deus, tocada pelo mesmo diapasão pastoral do Concílio, anelava por um “rejuvenescimento” da Tradição com a investigação teológica, á luz da fé, de “toda a verdade contida no mistério de Cristo” (Dei Verbum n. 24)? Em matéria de relativização, não se deveria apelar para textos do Concílio, a fim de minimizar esse temor, mas escutar de novo o que nos escreveu Paulo de Tarso, o fariseu apóstata, em sua primeira carta aos coríntios: “Sim, livre em relação a todos, eu me fiz escravo de todos, para ganhar o maior número deles. Eu estive com os judeus como um judeu, para ganhar os judeus; com os que estão sujeitos à Lei, como se eu o estivesse – ao passo que eu mesmo não estou -, para ganhar os que estão sujeitos à Lei; com os que são sem Lei como se eu fosse sem Lei – quando não sou sem Lei de Deus, visto que Cristo é a minha Lei -, para ganhar os que são sem Lei. Eu compartilhei a fraqueza dos fracos para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para de alguma maneira salvar alguns. E tudo isso eu o faço por causa do Evangelho, para dele participar” (1 Cor 9,19-23).
Mesmo que não se considere autênticamente paulina a carta aos colossenses, uma das do cativeiro, é aí onde o paulinismo se projeta para uma perspectiva abrangente do Cristo cósmico (Col 1,15-20), que – herdeiro do mais puro estoicismo – antecipa as visões modernas de um Theilhard de Chardin, da qual também Leonardo Boff se apropriou em seus primeiros escritos (O Evangelho do Cristo cósmico). Dialogar e se servir de categorias em circulação no meio onde o Evangelho está sendo anunciado é uma velha prática que não tem nada a ver com os relativismos modernos, mas enxerga na diversidade cultural e na mulfifacetada linguagem dos povos para exprimir as coisas sagradas, a mais legítima prática pastoral e não apenas um exercício acadêmico de encaixe ou desencaixe de conceitos e teorias ancestrais.
Sem Filão de Alexandria, o sábio judeu, e sem o autor anônimo do Livro da Sabedoria de Salomão, da mesma cepa alexandrina, jamais teria prosperado o entendimento da divindade de Jesus, o Messias, como Logos e Sophía divinos (João e Paulo). Quando Sab 1,7 diz que o Espírito abraça tudo, o synechei que depois aparece em 2 Cor 5,14 e é impropriamente traduzido como constrange/ empurra: “O amor de Cristo nos constrange”, muito melhor seria traduzí-lo com a semântica estóica do synechei como o abraço que o amor de Cristo, Palavra e Sabedoria divinas, nos une e congrega num grande corpo (sôma) e nos leva à plenitude de vida (plerôma): ideias muito caras à religiosidade popular propagada pelo estoicismo. Até mesmo quando Paulo denomina o Cristo/Messias de Senhor, poderia ser constatada aí uma evidente ambiguidade linguística em que esse Kyrios, ora se torna o Adonay (Yhwh) da Bíblica hebraica em sua tradução LXX, ora expressa uma velada alusão ao domínio dos césares romanos, suplantado pelo único e verdadeiro senhorio do Senhor ressuscitado, que vem ao encontro dos seus num cortejo triunfal à maneira das parusias (visitações) imperiais (1 Tess 4,15ss). Talvez se devesse atentar para as inúmeras denominações do Inominável e Impronunciável Nome divino, quando o fiel o chama de Deus Onipotente (‘El Elyion), Deus dos Exércitos celestes (Adonay Sevaôt), Deus das Alturas (‘El Shaday) ou até com o emprego do plural ‘Elohîm. O “por muitas vezes e de muitos modos” do discurso aos hebreus (última carta atribuída a Paulo: Hebr 1,1) espelha bem mais a flexibilidade da linguagem humana que não pode ser engessada, nem mesmo quando uma instituição como a Igreja Católica romana consegue unificar, em dogmas válidos para todo o sempre, certas proposições e ritos para falar do sagrado. Os dogmas são balisas valiosíssimas de uma longa caminhada que precisa se conectar com a multiplicidade de veredas e caminhos por onde o Espírito vai conduzindo a humanidade em busca da verdade, pois a plenitude da verdade é um processo e uma caminhada sempre a refazer (Jo 16,13).
O medo da ousadia na intelecção e formulação de questões sempre novas em diálogo contínuo com a riqueza cultural da humanidade não faz jus ao legado pastoral do Concílio Vaticano II. Trata-se muito mais de pusilanimidade e apoucamento da fé sem a parrêsia (2 Cor 3,12) de que o apóstolo da gentilidade foi exemplo máximo, na ruptura de padrões e paradigmas envelhecidos. Ele não precisava mais cobrir-se com um véu para ocultar o seu rosto do esplendor da verdade (2 Cor 3,12-17).
Outro sintoma do sem sentido do discurso do Grande Inquisidor na interpretação do Vaticano II é o problema criado pela Cúria Romana e especialmente pelo dicastério para a Doutrina da Fé (antigo Santo Ofício da Inquisição romana) ao sentenciar a versão vulgata da Teologia da Libertação como um produto espúrio do marxismo, seja pela praxis do conflito e da luta de classes, seja pela ideologização política da religião a serviço de um messianismo meramente terreno, imanente, negador da transcendência, do mistério e da espiritualidade, de acordo com essa versão. De fato, a redescoberta pela exegese do Jesus histórico que – conforme o hino transcrito por Paulo na carta aos filipenses (Fil 2,6-11) – se esvazia de seus atributos divinos para se tornar tão próximo e fraternal, tão humano a ponto de não se envergonhar de se chamar nosso irmão (Hebr 2,11-18), é um estorvo para os hierarcas empavonados e dominadores, donos da verdade e inimigos dos fracos, imbecis e ingratos. Falar de liberdade e libertação e do cuidado que os mais pobres e os mais pequenos (mikrôn de Mt 10,42; 18,10) merecem é um impecilho para a continuidade de uma obra magnífica construída com base no poder, na dominação e na submissão aos que se julgam melhores e mais dignos. O termo Povo de Deus cheira a democratismo herético e nem mesmo deve ser pronunciado para caracterizar a nova face da Igreja. Muito menos colegialidade que atribui aos cabeças das igrejas particulares qualquer tipo de responsabilidade no governo da Igreja Universal. Compartilhar autoridade e responsabilidade, um princípio que João XXIII chamou de subsidiariedade, é coisa impensável e deve ser banida do governo da Igreja, regida por rígidos princípios monárquicos. A Teologia da Libertação – em sua versão vulgar – foi execrada não apenas pelas denúncias políticas das injustiças sociais nas estruturas de pecado da sociedade (ranço das teorias de Rousseau, afirma o autor), mas antes por mexer numa concepção de Igreja revolvida e desmontada pelo Vaticano II, que – sem despresar a mais genuina tradição – elaborou um discurso cheio de misericórdia e condescendência (como a do Jesus de filipenses) para com a humanidade, suas alegrias, esperanças, tristezas e angústias (Gaudium et Spes, n. 1 ).
Nesse sentido, não é apenas Leonardo Boff que é neo-pagão (p.86s ), mas todos os que se esforçam para romper com antigos paradigmas e se prestam a escutar os anseios mais profundos de seus irmãos, seja em nome de um ethos mundializado (ecumênico/ ecológico), seja em nome de uma busca tateante que dormita no peito de todas as Samaritanas que perguntam ao Senhor junto aos poços de Jacó da vida: “Onde é o lugar apropriado para adorar a Deus?”. E Jesus, que não morria de paixão por Jerusalém, o Monte Tsión, responde-lhe sem pestanejar: “Acredita-me, ó mulher, vem a hora em que nem sobre esta montanha, nem em Jerusalém adorareis o Pai… Mas vem a hora, e é agora, na qual os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade; tais são, com efeito, os adoradores que o Pai procura” (Jo 4, 21-24). Os samaritanos, as prostitutas, os publicanos, os coxos e cegos de nascença, os leprosos estão mais próximos do Reino de Deus do que aqueles que se julgam seguros em suas falsas seguranças.
“O Catolicismo hoje” não se entende se o quadro diagnóstico se fixar apenas na perspectiva do Grande Inquisidor e não se recuperar a fala do Jesus de Nazaré, impondo-lhe silêncio, pois sua fala desmontaria hoje mais uma vez o discurso dos poderosos. O Vaticano II não é deturpado quando recupera a figura de uma Igreja pobre e a serviço dos pobres e de sua libertação, mas quando insiste em imobilizar a evangelização e a ação pastoral em modelos e paradigmas que apelam pura e simplesmente para a sua herança ancestral, sem qualquer esforço de tradução e transcriação. Esse tipo de catolicismo romano foi justamente objeto das críticas e das profundas rupturas operadas pela magna Assembleia dos anos 60, que estão a apelar para uma reedição com mais ousadia e empenho pastoral e teológico neste século XXI. O retrato pintado por Luiz Felipe Pondé, em parte fiel e eloquente, precisaria de um contraponto que descesse às entranhas mesmas do feeling conciliar que hoje adormece nos túmulos dos quase três mil bispos que se reuniram em Roma.
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Francisco Salatiel de Alencar Barbosa – e-mail: chicosalatiel@gmail.com
Obteve licenciatura plena em filosofia (Universidade Católica de Salvador/BA), é mestre em teologia (Universidade Gregoriana de Roma) e exegese bíblica (Pontifício Instituto Bíblico de Roma) e doutor em antropologia social (Universidade de Brasília/DF).
Respostas de 4
Tic-Tac, Tic-Tac, Tic-Tac…
Enquanto a cúria e o Papa cerram os dentes, e dizem não, às mudanças que o Espírito Santo quer realizar na ICAR…, muitos fiéis,continuarão a tomar a sábia decisão de agregarem-se a outras famílias de Deus, onde o Espírito tem liberdade.
Tic-Tac, Tic-Tac, Tic-Tac…
Enquanto os padres casados esperam passivamente que a cúria e o Papa, os reintegre no ministério, milhares de católicos optam por ingressar em outras igrejas…amanhã talvez será tarde demais.
Tic-Tac, Tic-Tac, Tic-Tac…
…como está escrito: “ferirei o pastor e espalharei as ovelhas”.
Senhor Jesus, dá aos padres casados a força, a fé e a coragem para, cortarem o cordão umbilical com a ICAR, e faz com que eles pastoreiem o rebanho, que por justiça, e por teu chamado, merecem pastorear – pois não foste Tu quem os excluiu! Que o amor deles para com as ovelhas, seja maior que o amor a instituição religiosa e às tradições. Pai faz com que eles digam a Ti, e não ao papa: eis-me aqui envia-me a mim. Amém.
No amor de Cristo que a todos nos ABRAÇA.
Campos de Sousa.
Amigo, suas críticas são válidas.
Apenas 2 observações:
– Nós, padres casados, muitos não estamos esperando passivamente. Agimos.
– Continuamos unidos à Igreja católica, apesar de certos erros humanos e administrativos dela.
Giba
Caro amigo Giba, agradeço sua resposta.
Reconheço que minhas palavras são agudas, mas, não as escrevo com intenção de crítica, apenas expresso minha opinião.
Dizes que os padres casados não estão passivos…Penso que, restringir a ação ao espaço virtual, a encontros, seminários, palestras, livros, artigos e outras iniciativas semelhantes, não afetará significativamente as pessoas ou o “poder” que pode mudar a situação.
Acredito que os padres casados deveriam tomar a mesma iniciativa que tomaram os povos do Egito, da Líbia, e da Síria. Exceptuando a violência e o uso das armas, claro.
Acredito que se fosse iniciada uma manifestação em frente ao Vaticano, com milhares de padres casados, a exigir a reintegração, tal como foram aceites os mais de 100 padres casados da igreja anglicana(isto foi e é uma grande injustiça – o aceitar filhos de outra família e rejeitar os filhos criados na sua própria casa – não tenhamos dúvidas: até no céu esta injustiça brada diariamente, Deus não tolera a injustiça).
Só uma iniciativa destas iria afetar a cúria e faria com que o papa se pronunciasse.
É neste espaço que é preciso atuar: o espaço público, nas ruas, onde imediatamente a mídia em geral traria seu apoio e suporte, inviabilizando completamente a indiferença e o silêncio do papa.
Afinal o que tem os padres casados a perder se tomarem uma posição tão frontal ? Não já perderam tudo ao serem excluidos do ministério ?
Aqui perdoe-me Giba minha agudeza, mas não achas que os padres da Àustria, do “chamado à desobediência”, estão demonstrando muito mais coragem que os padres casados ? Estes austriacos que estão ativos no ministério e eclesiasticamente ligados(submissos) à igreja, não temeram lançar-lhe publicamente um desafio!
Por isso pergunto, o que os padres casados temem?
Reformulando a questão, o que realmente pretendem ?
Porque as diversas associações de padres casados que há no mundo, são mais de uma dezena, não fazem um evento ou uma assembleia geral em frente ao Vaticano ?
Não tenho a menor dúvida de que, até mesmo a população católica e não católica em geral, iria apoiar e viabilizar uma tal manifestação pública…sabes porque não tenho a menor dúvida disto: porque é algo que os céus querem que aconteça ! …contudo, parece que os padres casados não conseguem ver, nem ouvir, nem perceber.
Sentiste-te beliscado ? …se sim, cumpri minha missão. Perdoa-me irmão.
Um grande abraço.
Prezado Campos, suas idéias são de meditar. Oxalá todos os padres casados tivessem ânimo para essa luta…
Giba