Vade retro

Tristes manifestações de ignorância em 15/03/15. Que têm a ver Paulo Freire e Marx com a roubalheira todos os Partidos?

“Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado (Eduardo Cunha e Renan Calheiros) transformaram a presidente Dilma numa “rainha da Inglaterra” e impuseram ao País um “parlamentarismo branco”. Um acinte. Tudo sem consulta aos eleitores que, por duas vezes (1963 e 1993), rejeitaram o parlamentarismo em plebiscito”

Valdemar Menezes – 30.03.2015 – Adital

O papa Francisco certamente não convalidaria o discurso político desprovido de compaixão de certos segmentos católicos conservadores que parecem colocar seus interesses de classe acima das necessidades dos extratos mais baixos da pirâmide social (há até quem afirme que “os pobres não querem mais trabalhar”).

Francisco certamente repudiaria também a defesa do desemprego como meio para manter os “fundamentos” da economia neoliberal e proteger os lucros do capital financeiro. Será que ele teria sido poupado de gritos de “vá para Cuba”, caso tivesse defendido suas ideias “subversivas” nas manifestações de 15 de março?

 

CAI O VÉU

Nova prisão preventiva foi decretada contra o suposto operador do PMDB, Fernando “Baiano”, em face a novos elementos sobre a propina de R$ 10 milhões que teria sido paga ao ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

O grão-tucano Álvaro Dias, por sua vez, nega ter recebido parte da bolada: http://bit.do/2QfP. Já o Sindicato dos Advogados de São Paulo pediu a Janot a abertura de investigação sobre os 120 mil dólares mensais supostamente pagos a Aécio Neves por uma diretoria de Furnas (http://bit.do/2Qhr).

Some-se a isso o processo por corrupção aberto pelo STF contra o senador do DEM, José Agripino, e torna-se insustentável a linha de investigação focada apenas no PT. Já o mensalão tucano está parado há um ano (http://bit.do/2RBX).

 

REBOLIÇOS

A Justiça iniciou uma nova ação contra 11 empresas acusadas de formar um cartel para obter contratos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), durante os 20 anos de governo tucano no Estado.

O rombo chegaria a R$ 834 milhões. Outro fato jornalístico revelador diz respeito ao líder do “Vem Pra Rua”, Rodrigo Chequer. O rapaz vivia até há pouco tempo nos EUA. Ao sair de lá, deixou um processo aberto na Justiça contra si e uma sociedade desfeita com uma abonada empresa chamada Atlas Capital Management (http://bit.do/2PpF).

 

ACINTE

Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado (Eduardo Cunha e Renan Calheiros) transformaram a presidente Dilma numa “rainha da Inglaterra” e impuseram ao País um “parlamentarismo branco”. Um acinte.

Tudo sem consulta aos eleitores que, por duas vezes (1963 e 1993), rejeitaram o parlamentarismo em plebiscito. Os dois políticos estão implicados na Operação Lava Jato, e a instituição que comandam (Congresso) mal se aguenta nas pernas (apenas 9% de aprovação no DataFolha).

 

RETROCESSOS

 

Cunha e Renan tramam outros dois retrocessos:

  • 1) incluir na Constituição o financiamento das campanhas eleitorais por empresas;
  • 2) implantar o distritão.

No primeiro item, não estão sós: o ministro Gilmar Mendes (STF) vem impedindo, escandalosamente, há um ano, a proclamação da decisão majoritária da Corte contra o financiamento por empresas.

Esta semana, CNBB e OAB reclamaram a devolução do processo: http://bit.do/2QgB.

  • Todos os escândalos eleitorais desde a redemocratização têm como causa principal o financiamento da campanha por empresas: http://bit.do/2Qhj.
  • Já o distritão significaria implantar o voto majoritário nas eleições parlamentares sob o comando das oligarquias familiares e seus currais eleitorais.

Os deputados tenderiam a focar apenas as questões locais, despolitizando os eleitores sobre os grandes problemas nacionais (tudo o que a direita queria). Despolitizados, ficaria mais fácil o domínio do País pelos interesses estrangeiros.

 

ACORDO

Os manifestantes de 13 e 15 de março

  • têm em comum a rejeição ao apodrecido sistema político atual (e a maioria não considera a ditadura militar como alternativa).
  • Querem um sistema que lhes permita não só escolher os políticos de sua preferência, mas, exercer o controle sobre seus mandatos, inclusive, o direito de cassá-los (recall).

Deveria ser tentado um acordo mínimo entre as bases dos dois movimentos (com o isolamento dos ultra-radicais) em torno da proposição de novas regras de legitimação do poder político, dentro dos marcos da atual Constituição (que já prevê o instituto participativo).

A CNBB poderia estabelecer a ponte entre os dois campos para uma pauta unificada em torno de uma nova redação do artigo que dá exclusividade ao Congresso para convocar plebiscitos e autorizar referendos, de modo a permitir que os cidadãos também possam fazê-lo por iniciativa legislativa popular.

Assim, a última palavra em caso de eventuais impasses institucionais ou de divórcio entre representantes e representados seria dos cidadãos (tal como na Suíça), restabelecendo sempre a legitimidade.

É a forma de evitar que a democracia brasileira seja atropelada por forças ilegítimas. Não há tempo a perder.

 

Valdemar MenezesWaldemar Menezes

Fonte1: Jornal O Povo

FONTE2: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=84516

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