HENRIQUE SWILLENS (1922 – 2014) anotações de uma vida …..

           “91 Anos de vida, “uma vida valiosa”, como dizia a coroa de flores do MFPC. Uma vida feita de uma peça só, amada por Deus em cada momento, em todos os aspectos. Com Henrique cremos que toda vida é de Deus e leva a Deus.”

 

Henrique nasceu em 5 de agosto de 1922 na Alemanha, pertinho da fronteira com Holanda, de mãe alemã e pai holandês.

A família se mudou, naqueles tempos, para Susteren, um pequeno vilarejo no sul da Holanda, onde os Padres da Congregação da Missão (Lazaristas) haviam dado início ao seu primeiro apostolado em território holandês, dedicando-se aos funcionários e trabalhadores da Companhia Ferroviária e pregando missões nas cidades da redondeza.

A casa dos padres servia também para receber missionários em férias ou impossibilitados de voltar para suas missões na China, Bolívia, etc. ..

Dois ex-missionários da China chamavam a atenção do Henrique: Hubertus van Musch e Henricus Forstman. Suas histórias sobre China impressionaram ao Henrique e cresceu nele a vontade de querer ser missionário na China.

 Henrique entrou na Congregação da Missão em 1941, na qual recebeu a ordenação sacerdotal em 31 de julho de 1949. O sonho de poder ir à China, porém, não se concretizou, uma vez que no ano de sua ordenação o ditador chinês Mao Tse Tung fundou a República Popular da China: o novo governo chinês fechou as fronteiras do país e a Igreja foi impossibilitada de dar continuidade ao seu apostolado naquele imenso país, onde os Lazaristas haviam se dedicado às missões desde 1899.

    

Como era de costume naqueles tempos, os superiores da Congregação enviavam os padres recém-ordenados àqueles países onde havia mais necessidade (com raras exceções, desejos próprios dos recém-ordenados não eram levados em consideração) e, desta feita, Henrique acabou sendo nomeado para o Brasil, junto com mais quatro colegas de turma.

Os Lazaristas haviam assumido, desde 1946, diversos seminários menores no Nordeste do Brasil: Caxias (MA), Limoeiro do Norte (CE), Mossoró (RN), Caicó (RN), Campina Grande (PB), além dos seminários de “Prainha” em Fortaleza e “Santo Antônio” em São Luís, onde já estavam presentes há muitos anos.

Henrique trabalhou em diversos seminários menores: Mossoró (1950-1954), Limoeiro (1954-1955), Campina Grande (1955-1964). Num depoimento sobre este período, Henrique disse:   “Os ex-alunos elogiam a formação que receberam nos seminários, enquanto nós, os padres, nos achávamos incapazes: na realidade deve ter sido o Espírito Santo que dava as aulas!” Para melhor qualificar os padres-professores, muitos foram fazer cursos, como, por exemplo, o de CADES (Curso de Aperfeiçoamento do Ensino Secundário) em Fortaleza. Henrique seguiu o curso de matemática.

Na década de 1960, a direção de todos os seminários menores foi entregue às respectivas dioceses. Em seguida, de 1964-1972, Henrique trabalhou com muito gosto e prazer em duas pequenas comunidades no interior paraibano: Fagundes e Galante.

Ele continuou a dedicar-se à formação do povo e fundou, em Fagundes, o “Ginásio João XXIII” e, em Galante, o “Ginásio Comercial Luso”. A fim de melhor servir a estas instituições de ensino, ele mesmo cursava Letras na Faculdade de Filosofia em Campina Grande (PB).

Quando, em 1972, foi transferido para Recife – paróquia de Nossa Senhora das Dores no Apipucos – desenvolveu seu apostolado no bairro do Alto do Mandú, onde ajudou a levantar o ginásio “São Miguel”.

A vida continua …..

Heinrich em alemão … Hein em holandês … Henrique em português, porém sempre o mesmo. Padre … marido, pastor … professor, porém sempre o mesmo. Dom Helder dizia: “Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo”.

Henrique e Edite construíram, desde 1976, a sua vida em união. Ele se empregou na UNIFOR, (Universidade de Fortaleza) até a sua aposentadoria, trabalhando na administração acadêmica e no departamento de avaliação de curricula vitae e revalidação de estudos.

A vida matrimonial com Edite não o afastou nem da Igreja, nem da Congregação. Ele seguia, de perto, o vai o vem dos padres com quem havia convivido durante tantos anos.

Mesmo quando estes voltavam, em razão de doenças ou idade, para Holanda, ou vinham a falecer aqui mesmo, ele procurava manter o contato com os novos, estimulando-os na sua vocação sacerdotal. Embora sofresse por saber que a Igreja não aprovava o casamento dos padres, ele nunca deixou de amar e defendê-la.

Para Henrique e Edite o Movimento das Famílias dos Padres Casados foi muito importante e benéfico, porque nele construía-se um ambiente familiar, amigo e de muita colegialidade. A casa do casal serviu, todos os anos, para uma das reuniões mensais e todos se sentiam muito bem em casa. Sempre quando Henrique e Edite podiam, participavam dos encontros nacionais, proporcionando novo ânimo a este movimento, valorizando a opção de tanto padres pelo matrimônio, enriquecendo-o.

Henrique se despediu da Edite, dos seus familiares, dos amigos do MFPC, no dia em que Vicente de Paulo fundara, em 1617, a Congregação da Missão, em 25 de janeiro. Que coincidência!

Ontem dia 26 de janeiro, muitos se reuniram para a última despedida “numa bela e emocionante celebração
eucarística, que tinha como tema ‘Vida e Ressurreição”, e animada por Dom Edmilson da Cruz, bispo emérito de Limoeiro do Norte (CE) – o mesmo que abençoou a união matrimonial de Henrique e Edite (1976), 
como relatou Gil Absil numa carta aos familiares do Henrique na Holanda. 

Henrique foi lembrado como aquele que, em todas as fases de sua vida, nunca deixou de ser ele mesmo, um cristão autêntico, Lazarista, marido, defensor do Papa, admirador de Vicente de Paulo e amado da Edite. Como Henrique havia gostado sempre do canto gregoriano, entoamos o “Pater Noster” e a “Salve Regina”.

Após a celebração, seguimos para o cemitério “Parque da Paz” e o sepultamos “no silêncio de Deus”, como mencionou Padre João Pubben.

91 Anos de vida, “uma vida valiosa”, como dizia a coroa de flores do MFPC. Uma vida feita de uma peça só, amada por Deus em cada momento, em todos os aspectos. Com Henrique cremos que toda vida é de Deus e leva a Deus.

 

23/01/2015

Geraldo Frencken

 

 

FONTE: http://padrescasadosceara.blogspot.com.br/2015/01/henrique-swillens-1922-2014-anotacoes.html

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