”O papa pensa em renunciar”, afirma bispo italiano

A uma rádio italiana, o ex-bispo de Ivrea fornece a sua interpretação sobre as supostas manobras de atentado contra Ratzinger, publicada nos jornais. “Ele está cansado. Poderia ser uma manobra midiática para preparar a renúncia”. O padre Lombardi, porta-voz da Santa Sé, afirma: “O complô é uma história para não ser levada absolutamente a sério”.

O Papa Ratzinger pensa na renúncia. Essa é a opinião de Dom Luigi Betazzi, bispo emérito de Ivrea, dada no programa Un Giorno da Pecora, da Radio2.

O bispo não acredita que exista um complô para matar o Papa Ratzinger, como especulado pela imprensa. “Não, não acredito. Se fosse o papa anterior, eu entenderia, mas este papa aqui me parece muito manso, religioso. Não poderia encontrar os motivos para atacá-lo”.

Betazzi, porém, tem outra teoria, de algum modo relacionada com a notícia. “Acho que é um sistema para preparar a eventualidade da renúncia. Para preparar esse choque – porque a renúncia de um papa seria um choque – começam a jogar ali a coisa do complô”.

Mas Ratzinger realmente tem a intenção de renunciar? “Eu acredito que sim”, disse o purpurado, “embora tenham negado. Um velho cardeal, porém, sempre me dizia: se o Vaticano desmente, quer dizer que é verdade…”.

E os motivos da renúncia do papa poderiam ser encontrados no cansaço. “Penso que ele se sente muito cansado. Basta vê-lo. É um habituado aos estudos”, explica Bettazzi. “E diante dos problemas que existem, talvez também diante das tensões que existem dentro da Cúria, ele poderia pensar que o novo papa se ocuparia com essas coisas”, disse Dom Betazzi.

Sobre a questão do suposto complô contra o papa, pronunciou-se o porta-voz do Vaticano, o Pe. Lombardi: “É uma história que não merece ser levada a sério”, explicou. Uma longa resposta aos rumores que envolveram o Vaticano a golpes de documentos confidenciais que acabaram nos jornais. “Uma informação séria – afirma o Pe. Lombardi no comunicado divulgado pela Rádio do Vaticano – deveria saber distinguir as questões e entender o seu significado diferente. É óbvio que as atividades econômicas do Governatorato devem ser geridas sabiamente e com rigor; é claro que o IOR e as atividades financeiras devem se inserir corretamente nas normas internacionais contra a lavagem de dinheiro”.

“Estas – explica – são evidentemente as indicações do papa. Entretanto, é evidente que a história do complô contra o papa, como disse desde o início, é uma divagação, uma loucura e não merece ser levada a sério”. “Hoje – revela ainda o jesuíta – é preciso manter todos os nervos firmes, porque ninguém pode se surpreender com nada. O governo norte-americano teve o Wikileaks, oVaticano tem agora os seus leaks, os seus vazamentos de documentos que tendem a criar confusão e perplexidade e a facilitar que se jogue uma má luz sobre o Vaticano, sobre o governo da Igreja e, mais amplamente, sobre a própria Igreja”.

“Portanto, calma e sangue frio – afirma-se ainda na nota – e muito uso da razão, o que nem todos os meios de comunicação tendem a fazer. Trata-se de documentos de natureza e de peso diferentes, nascidos em tempos e em situações diferentes: uma coisa são as discussões sobre uma melhor gestão econômica de uma instituição com muitas atividades materiais como o Governatorato; outra coisa são as notas sobre questões jurídicas e normativas em discussão e sobre as quais é normal que existam opiniões diversas; outra coisa ainda são os memorandos divagantes que nenhuma pessoa com a cabeça sobre o pescoço considerou como sérios, como o recente sobre o complô contra a vida do papa. De fato, juntar tudo isso ajuda a criar confusão”.

A reportagem é do jornal La Repubblica, 13-02-2012. A tradução é de Moisés Sbalerdotto

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/506567-o-papa-pensa-em-renunciar-afirma-bispo-italiano

PARA LER MAIS:

  • 14/02/2012 – Uma fé enfraquecida nos palácios das intrigas
  • 12/02/2012 – Intrigas sagradas
  • 14/02/2012 – ”Há um estilo de trabalho maldoso na Cúria”. Entrevista com Walter Kasper
  • 14/02/2012 – ”Complô” contra o papa: uma encruzilhada chinesa
  • 13/02/2012 – Vaticano investiga complô contra o papa
  • 12/02/2012 – Complô contra Bento XVI: nota em discussão e investigação interna
  • 12/02/2012 – Vaticano ridiculariza notícia sobre complô para matar o papa
  • 12/02/2012 – Os documentos ”confidenciais” do Vaticano e os complôs inexistentes
  • 11/02/2012 – Complô contra Bento XVI. A denúncia de um jornal italiano

  • Respostas de 3

    1. Onde há fumaça tem fogo. Não é novidade na história da igreja e parece-me que Bento XVI prestes a completar 85 anos em abril prestara homenagem a Celestino V no ano passado.São alguns sinais que podem ser considerados. Mas há outros pontos de reflexão: A igreja é divina e humana, por isso até que ponto a sua eleição foi obra do Espirito Santo ou influencia do seu antecessor??? Estas coisas devem bater na sua consciência de teólogo. Celestino V renunciou e influenciou na eleição de Bonifácio VIII e por isso Dante Aleghieri o mandou para o inferno na Divina Comédia.Esperamos que com Bento XVI seja muito diferente. Que ele o faça por amor a igreja diante da incapacidade de renová-la e por não ter colocado em prática a Colegialidade apregoada pelo Vaticano II. Esta atitude exige muita humildade, não apenas para renunciar mas também para não ser uma sombra na sucessão apóstólica.

    2. Almir, perfeitas são suas colocações! Parabéns, e continue a nos transmitir seus profundos conhecimentos e sentimentos.
      Giba

    3. I have subscribed to your rss so I could continue to receive such wonderful information with your articles! I will share it with my friends, too!

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *