Vejam só o que são Máximo de Turim, quarto/quinto século, escreve a respeito da coruja: “Não imites a coruja que, embora muito atenta à noite, é preguiçosa e cega durante o dia.
Com seus grandes olhos, ama a escuridão das trevas, odeia o esplendor do sol. É iluminada pela escuridão e é cegada pela luz. Este animal é símbolo dos hereges e dos pagãos. Abraçam as trevas do diabo, têm horror à luz do Salvador.Com seus grandes olhos enxergam as coisas vãs e não vêem as eternas. Deles diz o Senhor: Têm olhos e não vêem, caminham nas trevas.São agudos no que é supersticioso e obtusos no que é divino. Pensam voar nas asas dos discursos sutis, mas, na verdade, são sufocados pelo esplendor da verdadeira luz.” (Folhinha do Coração de Jesus, 2011).
Nosso santo avança na pista de nossos antepassados que tinham a coruja como ave de mau agouro, o diabo em pessoa. Horrível, quando ouviam estranhos sons e logo aparecia uma coruja. Eu mesmo quando jovem, no Seminário dos capuchinhos em Guaramiranga, serra de Baturité,Ceará, tive uma experiência desagradável com relação ao bicho. Dia após dia, sobre o forro de taboas das celas (quartos ) dos frades, começou-se a ouvir um ruído estranho.Uma armadilha pegou o monstro: um corujão de olhos enormes. Não recordo o que pretendíamos fazer com o coitado; nada de malvadez, com certeza. Acontece, porém, que um irmão leigo, supersticioso, matou escondidamente o infeliz, enfiando-lhe um arame ou pau pela goela, pois dizia que o corujão era o próprio satanás.
Mais acertados que o santo, andaram os gregos, ao terem a coruja como símbolo da deusa da sabedoria, Atenas. Um símbolo da filosofia. dos mestres.
Na verdade, a coruja no campo visual é um ser privilegiado, a começar do fato que, enquanto nós seres humanos conseguimos dar apenas uma voltinha com a cabeça, a coruja pode virá-la 270 graus de um lado para outro, pois tem mais vértebras no pescoço do que nós.Experiências científicas demonstraram que ela percebe a luz de uma vela a mais de 500 metros de distância.E por que ela vê tão bem no escuro? Atenção! Em nossos olhos nós temos conjuntos de células chamados cones, que servem para distinguir as cores e outros conjuntos, chamados bastonetes, que servem para perceber a luz e, neste ponto, a coruja nos bate longe, pois, digamos, com um pinguinho de luz, ela já vê um mundo e é por isso que a claridade que nos faz ver é demais para ela, como o sol direto os olhos da gente. Os seus bastonetes são mais numerosos que os nossos e dispostos de modo estratégico para a maravilha de enxergar no escuro para nós. A quantidade de bastonetes de que dispomos é o bastante para nossa função, como os poucos da galinha para esta, que já vai se escondendo ao pôr do sol, caso falte outra fonte de luz. Portanto, nosso caro santo Máximo de Turim navegou no erro, sem culpa sua, ao ver na coruja um símbolo dos hereges, aqueles que preferem as trevas do erro ao clarão da verdade.
E, finalizando, duas observações. Primeira: minha defesa da coruja encontrei no computador e, por isso, expresso a pena que tenho das pessoas que poderiam muito bem se enriquecer intelectualmente, se divertir com o computador e fogem dele, como um bicho papão. Idade? Aprendi a manejar esta máquina admirável com meus oitenta anos; professor explicando e eu anotando tudo, tintim por tintim, aprendendo um pouco, sem pretender ser professor também. Segunda observação: agradecer a Deus de todo o coração, toda a hora,a começar deste início de ano, o dom da visão, como sei que está agradecendo pelo êxito de sua cirurgia nos dois olhos, extraordinária correspondente minha em e-mails, de Quaraí, no extremo sul do Brasil.
PROF. LIMA
Publicado no DIÁRIO DO RIO DOCE, Gov.Valadares/MG – profalsantos@gmail.com
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O nosso querido prof Lima popularmente conhecido em Gov. Valadares, mas que se trata de D.Caetano ex-bispo de Ilhéus, atualmente viúvo e com 95 anos de idade, em sua crônica quinzenal no Diário do Rio Doce, não quis ir além da defesa da coruja. Sendo um dos poucos remanescentes do Vat II bem que poderia ter explorado o vestigio de maniqueismo ainda existente em algumas publicações que se dizem católicas mas estão longe de serem cristãs. São pensamentos que refletem uma mentalidade do sec V onde o mundo estava dividido entre o bem e o mal e Deus degladiando permanentemente com o diabo. Ele não entra nesta seara e sendo doutor em filosofia quis apenas defender o símbolo, as coisas boas e o que a coruja representa. Dele é o livro Filosofando com o Mestre,editora Vozes, prefaciado por D. Tepe, uma síntese da filosofia numa coletânea de crônicas que poderiam muito bem estar a serviço da pastoral. Um primor de humorismo, reflexões profundas e momentos de poesia. Assim se expressou D.Tepe no prefacio: ” comecei a ler e não parei mais, de tão leve e atraente que se me apresentou”.
Oba, amigo Almir, parabéns pelo excelente comentário. Você é “figura” importantíssima em nosso Movimento de Famílias dos Padres Casados do Brasil.
Continue sempre conosco, e nos envie outros artigos ou depoimentos para inserir no site e no jornal Rumos.
Abraço
Giba