”Essas declarações não são atribuíveis ao papa”, afirma Vaticano

A reportagem é do sítio da Rádio Vaticano, 13-07-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No entanto, como já ocorrido anteriormente em uma circunstância análoga, é preciso salientar que o que Scalfari atribui ao papa, referindo “entre aspas” as suas palavras, é fruto da sua memória de jornalista especialista, mas não de uma transcrição precisa de uma gravação e muito menos de revisão por parte do interessado, a quem as afirmações são atribuídas.

Portanto, não se pode e não se deve falar de modo algum de uma entrevista no sentido habitual do termo, como se se relatasse uma série de perguntas e de respostas que refletem com fidelidade e certeza o pensamento preciso do interlocutor.

Se, portanto, pode-se considerar que, no conjunto, o artigo reporte o sentido e o espírito da conversa entre o Santo Padre eScalfari, é preciso reiterar com força o que já havia sido dito por ocasião de uma “entrevista” anterior, que apareceu na La Repubblica, isto é, que as expressões individuais referidas, na formulação relatada, não podem ser atribuídas com segurança ao papa.

Por exemplo e em particular, isso vale para duas afirmações que chamaram muita atenção e que, ao contrário, não são atribuíveis ao papa. Isto é, que entre os pedófilos há “cardeais” e que o papa afirmou com segurança, a respeito do celibato, que “vou encontrar as soluções”.

No artigo publicado no La Repubblica, essas duas afirmações são claramente atribuídas ao papa, mas – curiosamente – as aspas são abertas no início, mas depois não são fechadas. Simplesmente faltam as aspas de fechamento… Esquecimento ou reconhecimento explícito de que se está fazendo uma manipulação para leitores ingênuos?

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/533195-essas-declaracoes-nao-sao-atribuiveis-ao-papa-afirma-vaticano

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Comentário de João Tavares:

Atribuir a um jornalista do calibre de Eugênio Scalfari a intenção de que “se está fazendo uma manipulação para leitores ingênuos”, é grave. Mal por mal, prefiro acreditar mais na veracidade das informações e afirmações de Eugênio Scalfari, um jornalista sério e tarimbado, do que nas elocubrações do comentarista da Rádio Vaticana. Fico torcendo para que Francisco consiga dizer o que pensa, sem censura de Opus Dei,  Legionários de Cristo et caterva.  

É evidente que verdades dessa natureza incomodam muito a Cúria romana e os que pensam que, em tempo de internet, ainda é possível continuar a esconder as reais mazelas da Hierarquia… e a pensar que os leigos são crianças a quem não se pode dizer  toda a verdade…

Respostas de 2

  1. Talvez o porta-voz do Vaticano, que não necessariamente porta-voz do Papa, prestasse um melhor serviço se se entretivesse a colocar as aspas onde lhe parece que faltem.
    Às vezes, estas coroas de rosas murchas em vez de clarificarem discurso, pretendem anulá-lo. Parece-me que Francisco, se quiser desmentir, clarificar ou confirmar afirmações suas, o fará na altura própria ou o irá fazendo à medida das necessidades. É do estilo deste Papa e não tão transcendente como isso. pelo menos uma vez o seu antecessor Bento XVI, sentindo que estava a ser interpretado de forma desajustada, não mandou recado por ninguém: veio ele assumir a resposta à crítica na primeira pessoa do singular a esclarecer e também a criticar. Porque não?
    Papa não deixa de ser homem, com direitos e deveres!

  2. Gostei muito de seu comentário, João Tavares. É bem por aí mesmo! Tentam manipular e calar o Papa. Mas desta vez o tiro vai sair pela culatra…

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