A ideia é extremamente polêmica. O promotor de Justiça do Rio Grande do Norte Silvio Brito propôs, em meados de março deste ano, a utilização de carne de jumento como solução para diminuir a superpopulação destes animais – uma espécie de símbolo do Nordeste.
A reportagem é de Emanuel Neri, publicada pelo jornal Brasil Post, 29-05-2014
Mais que isso, o promotor mandou abater dois jumentos para que pessoas convidadas por ele pudessem saborear a carne – ele mesmo puxou a fila para provar da iguaria. Em outro gesto polêmico, o promotor propôs que a carne deste animal fosse utilizada para a alimentação da população carcerária do país.
A iniciativa do promotor pôs em pé de guerra ambientalistas e defensores destes simpáticos animais por todo o país. Um abaixo-assinado, com mais de 50 mil assinaturas, entre eles artistas, acaba de ser 
entregue à direção do Ministério Público no RN e ao Ministério da Agricultura, protestando contra a iniciativa. (Você ainda pode engrossar este abaixo-assinado)
Uma página no Facebook também foi criada pelos defensores destes animais . “O jumento é nosso irmão”, diz o abre da página do Facebook. “Eu sou do RN e não concordo com o abate de jumentos”, afirma o abre da página, que é seguida por milhares de adeptos. O movimento tem seguidores em todo o país.
O jumento é vítima do progresso. Usado antes para transporte de pequenas cargas e para deslocamentos de pessoas, este animal foi aos poucos sendo substituído pela motocicleta. Com isso, o jumento perdeu sua finalidade e virou uma espécie de “bicho errante”, abandonado, andando sem rumo.
Sem donos, porque não tem mais nenhum valor de venda, os jumentos vivem soltos, invadem rodovias e causam acidentes com veículos. Sem ter nada para comer, entram em roças e comem tudo o que encontram. Destroem plantações inteiras. Também invadem as cidades, comem restos de lixo e destroem jardins.
Por causa disso, o jumento virou alvo de extrema crueldade. No Ceará, o Departamento de Estradas local foi flagrado enterrando-os vivos, em vala aberta por tratores. Outros animais são confinados e acabam morrendo de fome ou com pauladas na cabeça. Estes bichos também são vítimas de parte da população e são maltratados de forma cruel em roças e cidades.
Em todo o Nordeste, há inúmeras iniciativas de preservação destes animais. Em São Miguel do Gostoso, foi criado o Projegue, que tinha como objetivo alimentar jumentos famintos e tratar aqueles que tinham sido maltratados por donos de roças destruídas por eles. Mas o Projegue não deu certo.
É comum, no Nordeste, prefeituras, cujas cidades foram invadidas por jumentos, encherem caminhões com os animais e mandarem soltá-los em áreas rurais de outros municípios. Mas eles acabam invadindo outras áreas urbanas em busca de comida – são mandados para outros municípios e assim o sofrimento continua.
Mas, até agora, nenhuma ofensiva contra os jumentos causou tanta polêmica como a iniciativa do promotor potiguar que fez churrasco destes animais e queria que a população, incluindo presidiários em todo o país, adquirissem o hábito de se alimentar da carne destes animais. Aí a reação foi enorme.
Acredita-se que, diante da enorme repercussão negativa, o promotor desista de sua estranha iniciativa. Mas não vai amenizar o sofrimento dos jumentos, que continuarão sem rumo, causando estragos em estradas e cidades. É necessário que ONGs e governos encontrem soluções para o abandono de jumentos.
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