AO ARTIGO DE DOM PEDRO B. GUIMARÃES SOBRE O CELIBATO I
Li com atenção – e admiração – as bem articuladas linhas de Dom Pedro Brito Guimarães.
Com modéstia e pedindo licença, emito aqui uma singela opinião – e somente opinião -:
HEROÍSMO, IDEALISMO, DOAÇÃO são fundamentais na vida consagrada (celibato) e na vida conjugal. São escolhas diferentes, não está em questão se melhores ou piores. Manca há de ser qualquer das duas escolhas onde falte estas ou mesmo uma destas virtudes!
POBREZA. Na vida consagrada, onde se faz este o VOTO, a pobreza passa ser uma forma concreta de vida, por eleição, o que necessariamente não acompanha a opção pelo celibato. Celibatários há muito abastados e muito bem postos. Na vida conjugal, onde há dois ou mais – se acontecem filhos -, a pobreza pode ser até o possível da escolha. E se houver riqueza, o problema está na posse e uso dela. Casados há que são muito abastados e muito bem postos.
VIDA SAUDÁVEL. Aqui, discordo de Dom Pedro. O celibato proposto como escolha mais saudável que a da vida conjugal, física e psiquicamente, é uma falácia. No século XXI, com as conquistas da medicina, da sexologia, da psicologia e sobretudo da psicanálise a afirmação de Dom Pedro parece-me absolutamente insustentável.
Enfim, liberdade e consciência, então cada um escolha DIGNA e HONRADAMENTE o que seu desejo lhe ditar.
Com todo respeito,
João Batista Ferreira
jb.lembi@gmail.com
II
A dificuldade em conceber o celibato obrigatório não é por que o sexo tenha se tornado banal como se fosse apenas um problema hodierno, mas por que agride a natureza, os direitos humanos e não tem fundamentação bíblica para se tornar uma disciplina obrigatória.
Jesus escolheu homens casados. Não sei se o aguilhão na carne a que Paulo apóstolo se referiu estava relacionado a concupiscência ou ao fato dele ter perseguido a igreja nascente, antes da queda do cavalo… todavia, ele foi categórico ao afirmar : ” É preferível se casar do que se abrasar”.
Na minha ótica, o arcebispo de Palmas, repetiu o que ouvi durante 14 anos no seminário e não agrega nenhum valor diante do pedido público de perdão feito pelo papa Bento XVI pelos crimes de pedofilia existentes no seio da igreja.
Por acaso viver autenticamente o cristianismo em família, numa sociedade consumista, não exige igualmente heroísmo, idealismo e espirito de doação? As famílias cristãs não devem também primar pela vida saudável, espirito de pobreza e testemunho da fé?
Faltou ao articulista dizer que o celibato é um carisma e carisma não se impõe como lei positiva e universal. Em boa teologia a graça supõe a natureza, não a sobrepuja.
A nossa igreja católica hierárquica está precisando urgentemente cair do cavalo e descobrir o Cristo misericordioso que não morreu de amores por leis nem instituições e não teve nenhuma atitude discriminatória em relação às mulheres.
Almir Simoes
almir.simoes55@gmail.com
III
O assunto é atual, complexo e vibrante. Podem ser aduzidos fortes argumentos pró e contra.
Não bíblicos, nem teológicos, pois isso seria forçar a barra e querer gerar fumaça.
Mas dos pontos de vista psicológico, sociológico, histórico, pastoral e, agora, ético (moral), há muito a dizer.
Mas tem de ser com muita competência. E ouvindo, também, e sabendo perscrutar os ventos da História, os Sinais dos Tempos de que falava o tão saudoso João XXIII.
A simples e teimosa vontade de Roma de não abordar o assunto, não é um argumento. É só um fato político. É a vontade de estar fora e acima da História real, negando evidências solares.
Será que toda essa grande crise de vocações sacerdotais não é a voz de Deus dizendo às Igrejas que está na hora de enfrentar esse problema do Celibato sacerdotal com coragem, cabeça aberta, ouvindo com autenticidade o Povo de Deus?
E que dizer desse tsunami de homossexualidade e de pedofilia hoje, no clero, em tantos países do mundo? E de tantos milhares de vítimas indefesas e inocentes? E das mulheres e filhos escondidos de tantos padres que começam a tentar se organizar em vários países e a reclamar seus direitos naturais básicos de darem um pai a seus filhos e a exigir a colaboração deles na manutenção e na educação?…
Onde está, nesses numerosos casos, a propalada Justiça Social de que a Hierarquia se faz paladina para fora, mas que, sempre que pode, nega dentro de si mesma?
E a moral da responsabilidade pelo que fazem seus ministros?
João Tavares
tavaresj@elo.com.br
Respostas de 2
Gente!Não podemos pensar que não podemos fazer nada!Por isso que existe esse fechamento da Igreja,porque nos calamos,não impomos o que acreditamos e achamos correto.Eu sou católica praticante,mas não acho correto a igreja impôr aos homens que têem vocação de ser padres,não poderem casar-se.O casamento é abençoado por Deus.A família é um dom de Deus.Os padres se dedicam à Deus,mas eles também são homens com desejos,necessidades,todos nós precisamos de alguém que seja nosso companheiro,alguém para dividir os problemas do dia,alguem que possamos abraçar,apoiar-nos e amar.Por isso que existe tantos padres fazendo coisas erradas,porque um ser humano não pode passar a vida inteira reprimido!Vamos unir nossas forças para ajudar esses homens padres que tanto nos ajudam a poderem ter uma família,assim como nós e serem mais felizes e completos e assim,servirem melhor á Deus.A igreja diz que é vocação dos padres serem castos…Pois eu quero é ver os padres solteiros se a igreja liberar o casamento dos padres!na igreja catolica oriental os padres podem casar!e nao e a mesma igreja?pq no ocidente ainda se sacrifica tanto esse pobres homens?Isso fere a liberdade,o direito de decidir a própria vida!Já temos mais de 100.000 padres casados no mundo.Pq ao casarem eles teem que deixar a igreja a qual se dedicaram tanto?O que há de errado em casar,amar,ter uma família?Deus criou Eva por achar que Adão não estava bem sozinho.E quem pode ser mais do que Deus para obrigar homens a morrerem sem casar-se e sem deixarem sua posteridade(seus filhos)?vamos refletir!
Laura, parece-me que já lhe respondi este comentário.
Você pensa certo. Como a maioria dos bons católicos.
Mesmo na Igreja católica do rito latino os padres podiam casar, até que no século XI um papa proibiu erradamente, contrariando a bíblia e a tradição católica. E esta proibição injusta e anti-humana perdura 10 séculos!.
Giba