Rebeldes católicos desafiam bispos austríacos

VIENA (Reuters – 07/11/2011) – Dissidentes católicos austríacos anunciaram que leigos começarão a celebrar missas quando um sacerdote não estiver disponível, um claro apelo à desobediência num momento em que os bispos do país realizam sua conferência de outono.

Um manifesto adotado por dezenas de ativistas no fim de semana disse que os leigos vão pregar, consagrar e distribuir a comunhão nas paróquias sem padre, disse Hans Peter Hurka, chefe do grupo “Nós Somos a Igreja”.

“A lei da Igreja proíbe isso. A pergunta é: pode a lei da Igreja se sobrepor à Bíblia? Somos da opinião, com base nos achados do Concílio Vaticano II, que esta (proibição) não é possível”, disse ele na segunda-feira.

Um grupo de sacerdotes divulgou um “Chamado à Desobediência” para tentar pressionar pela reforma. Os sacerdotes dissidentes dizem que vão quebrar as regras da Igreja dando a comunhão a protestantes e católicos divorciados novamente casados.

Grupos de reforma católica na Alemanha, Irlanda e Estados Unidos têm feito exigências semelhantes.

Respostas de 2

  1. Pode parecer paradoxal essa manifestação e suas exigências, mas chama atenção para os rumos que as autoridades eclesiais estão dando à Igreja Católica. Há consciência dos leigos de que muitas coisas precisam mudar imediatamente, sobretudo questões disciplinares.
    O povo tem que ter maior participação nas decisões e ser conduzido a orientar-se de maneira intra e extra-eclesial. A hierarquia está para servir a Igreja de Cristo que comporta todo o povo de Deus: clérigos e leigos.
    A Igreja está em crise e sua linguagem precisa adaptar-se aos tempos modernos.
    Quanto à falta de padres é coisa muito séria. O celibato obrigatório tem impedido a Igreja de ter mais padres e muitos homens, com dificuldades sócio-afetivas e por afinidades estão se “refugiando” no clero promovendo um corporativismo que insinua carreirismo e busca de poder.
    Daí muitos escândalos de pedofilia e o influxo considerável de pessoas homoafetivos no sacerdócio prejudicando a permanência de sinceras vocações, ainda que, sem preconceito, pessoas com tendências homossexuais possam ser sacerdotes. Padres estão deixando o ministério, não sem razão, tendo em vista seu não pertencimento ao “grupo”. Assim falam estudiosos de psicologia social.
    A mulher não tem voz oficialmente na Igreja e muitos consideram isso outra dificuldade que limita o avanço da Igreja para “águas mais profundas”.

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