Completamos nove anos desde nossa Dorothy passou para a vida eterna e ela está mais presente que nunca: seu doce sorriso, contagiosa risada, persistência até irritar, fé inabalável que há algo de bom em cada pessoa, cada acontecimento, cada criatura desta terra, sua oração simples e profunda, sua sensibilidade com a dor do outro, sua combatividade frente o mal que ameaça o povo e a mãe terra.Nove anos! Há quem diz: “Dorothy morreu e tudo continua no mesmo; nada mudou”. Muito pelo contrário!!
- Foram muitas as conquistas destes nove anos.
- Moradores nos PDS e Assentamentos estão vivendo de sua produção e com boas casas.
- Estão organizados e convocando audiências públicas, pressionando as autoridades competentes para fazer valer seus direitos.
- Estão reflorestando fazendo frente ao mar de capim e fechando à entrada de madeireiros.
- Dos cinco assassinos oficialmente acusados, todos foram condenados apesar de múltiplas manobras judiciais e midiáticas para desconstruir o caso contra eles, não só como assassinos, mas como criminosos fraudando a nação e usurpando os direitos do povo. Muito mudou!!
“Eles querem me tirar daqui. Mas eu não posso sair. Não posso sair porque com o que sei, sei que o povo tem razão: eles estão grilando terras públicas, eles não tem documentos que lhes dêem direito a madeireiros, criadores de gado a explorar estas terras que são da Nação, da nação brasileira”.
Perguntada, pelo jornalista, Jonas Campos, quem estava por trás da ameaças que ela estava recebendo, se ela confirmava e quem era… Dorothy confirma e diz, “sim, de Regivaldo Galvão”.
Regivaldo, assim como os outros, foi condenado por um júri popular. Está em liberdade enquanto os recursos jurídicos não forem julgados. Mas é condenado e quantas vezes for julgado deverá ser condenado novamente. Estamos atentos.
12 de fevereiro de 2014. Iniciamos o décimo ano desde o assassinato da Irmã Dorothy. Vamos fazer este ano o ano da virada! Vamos virar o jogo. Aliás, isso já vem acontecendo, mas vamos renovar nossos esforços e fazer sentir o efeito de nossa energia pelo bem, que é infinitamente mais forte e mais cheia de vida que a energia do mal.
Onde estiver, faça algo, por pequeno que seja, que muda as coisas. Não aceitemos mentira, maldade, corrupção, ameaças. Não fechemos nossos olhos ou cruzamos nossos braços frente crimes que violentam pessoas e a natureza. Sejamos corajosos – que não significa estar sem medo, mas agir mesmo com medo.
Como Papa Francisco fala, vamos “até o fim”, seja o que for. Afinal temos a força divina lutando a nosso lado. Vamos aprender com Davi que enfrentou um gigante do mal com cinco pedras e uma funda, com nossa Dorothy que enfrentou assassinos com uma bênção e as bem-aventuranças. – Também com denúncias, boletins de ocorrência a cada infração e retomadas sistemáticas.
Somos gente da esperança. A terra que bebeu o sangue da Dorothy chama-se Esperança. Esperança para o povo de Anapu, esperança para o mundo. Sejamos gente da palavra que se realiza em ações.
Feliz quem encontra sua alegria no Senhor. Ela será como uma árvore plantada à beira de um riacho, que dá fruto no devido tempo. (Sl 1)
Os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como águia, correm e não se afadigam, andam, andam e nunca se cansam. (Is 40,31)
Ainda na memória:
Regivaldo Galvão controlava e controla, detêm documentação e negociações criminosas, em dezenas de outros lotes, todos “sedes” das fraudes, roubos e graves violações de direitos humanos, perpetrados para tirar recursos públicos da antiga SUDAM.
Desde 1999, em documentos e ações, Dorothy Stang e as comunidades da Transamazônica denunciavam formalmente e buscavam ações das autoridades contra a invasão criminosa daquelas terras pelo bando de sudanzeiros, onde se destacava Regivaldo Galvão e seus sócios.
Em 2004 e no começo de 2005, Dorothy e as comunidades estavam obtendo vitórias legais importantes que ameaçavam não só o domínio ilegal dos lotes no Bacajá, mas desmontariam como castelo de cartas as ações criminosas do grupo e dos sócios de Regivaldo Galvão.
Irmã Dorothy Stang não era dada a tristeza diante das adversidades nem a resignação diante do abuso da força e da injustiça.
- A sociedade brasileira, neste ano que começa uma década do crime, tem que exigir que justiça seja feita com quem mandou, pagou, e segue mandando e pagando para que outros pagassem pelo assassinato de Dorothy Stang.
- E que as perguntas não esclarecidas sobre o conluio de interesses que sustentou o crime, que segue cometendo crimes na região, sejam respondidas com ações determinadas para quebrar a impunidade. Para Regivaldo Galvão e seus sócios a crime ainda compensa. Não porque sejam inocentes, mas porque tem poder para seguir cometendo e acobertando crimes atrás de crimes.
- A farsa montada no ano passado para o quarto (sim, quarto júri!) do testa-de-ferro Vitalmiro Bastos de Moura, fabricando suposta “nova” testemunha, “fatos novos” sobre o assassinato de Dorothy Stang, escancarou o risco à justiça, à sociedade, representada pela liberdade e impunidade do poder criminoso e corruptor de Regivaldo Galvão e seus sócios. Felizmente, a clareza de jurados, desmontou a farsa mantendo a condenação de Vitalmiro Bastos.
- A desconstrução da condenação de Regivaldo Galvão, coordenada desde Brasília – evidenciada nas operações do júri de 19 de setembro do ano passado – tendo muito dinheiro ilícito em jogo, prossegue ameaçando a sociedade brasileira e as pessoas de bem. Como os crimes dos sudanzeiros seguem ameaçando e violando as comunidades da Transamazônica.
- Cabe as instituições impedir que o crime qualificado, apoiado em relações políticas de poder, predomine sobre a sociedade decente.
Irmãs de Notre Dame de Namur- Província do Brasil.
Fonte: recebida, por e-mail, de Lucyane Diniz – lucyaned@hotmail.com
