A força do lulismo

199“Os resultados da última pesquisa Datafolha mostram que caminhamos para o terceiro pleito presidencial sob o signo da polarização social. A dianteira que a candidata lulista tem sido capaz de manter está sustentada sobre o voto dos mais pobres, sendo nítida a desvantagem que leva entre as camadas de maior renda”,  analisa André Singer, cientista político, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 07-12-2013.

Segundo ele, “passados três anos de governo, os eleitores da área superior de ingresso parecem ter feito um giro completo para voltar ao mesmo lugar de onde saíram. Primeiro houve um encantamento com a presidente, quem sabe pela imagem da faxina. Depois veio a decepção, talvez em função do efeito combinado do julgamento da ação penal 470 e de alguma deterioração econômica. Por fim, voltou a rejeição, que já é marca registrada desde 2005”

“Enquanto isso, – continua – os mais pobres ficaram alinhados ao lulismo. É certo que durante os acontecimentos de junho houve uma retração temporária no segmento fiel. Logo depois das manifestações, Dilma sofreu uma queda de 20 pontos percentuais na intenção de voto entre os mais pobres. Porém, após quatro meses, recuperou 70% deles, enquanto que só cerca de 30% dos que dispõem de maior riqueza voltaram a apoiar a presidente após afastar-se. A previsão de que a perda de sustentação ocorrida no bojo dos protestos seria apenas um soluço vai se confirmando na base da pirâmide”.

Para o cientista político, “mantida a tendência atual, com Marina no lugar de Campos, Dilma chegará em primeiro lugar no domingo, 5 de outubro, mas haverá segundo turno. As incógnitas giram em torno de quem será o adversário do lulismo no último round e o quanto ele ou ela conseguirá reter dos votos dado ao terceiro colocado”.

André Singer 2

André Singer

é cientista político e professor da USP, onde se formou em ciências sociais e jornalismo. Foi porta-voz e secretário de Imprensa da Presidência no governo Lula.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/andresinger/2013/12/1382148-a-forca-do-lulismo.shtml

 

Respostas de 2

  1. As manifestações de rua convocadas pela redes sociais referiram a problemas crônicos e difusos, muito anteriores a Dilma e ao Lulismo. A midia anti-governo e aliada às elites tentou fazer uma colagem indevida à atual gestão. Referente aos itens Educação e Saúde, nínguém como Dilma teve ações tão importantes e concretas com abertura de perspectivas a curto e médio prazo. Entre elas o Programa Mais médicos para 700 municípios e mais de 11 milhões de pessoas e a aprovação em parto forceps, contra aliados, de 25% dos royalties do Pre-Sal para as respectivas áreas. Referente à junção de Marina com Campos é um casamento tão esdrúxulo que faz tremer até os túmulos de Chico Mendes e Arraes. A própria Marina afirmou que era uma união pragmática e provisória por não ter o seu partido reconhecido. O pior é que nesta Rede cabe tudo quando é peixe, desde ruralistas, UDR e congêneres. A tendêcia é Dilma crescer muito mais e ter dois mandatos como foram dados ao FHC E Lula. Não acredito que com um perfil melhor que os seus antecessores ela seja discriminada.

  2. Bono em Londres desafia Lula a fazer uma Bolsa Familia Planetária.Realmente é para refletir… Uma proposta muito feliz e factível! Lembra-me o sonho de D. Helder de um terceiro milênio sem fome. Diz o Bono:Se forem somados os 9,5 trilhões de dólares gastos para salvar bancos norte-americanos e europeus, depois da crise de 2008, mais os 1,7 trilhões de dólares despejados pelos EUA na guerra do Iraque, e você terá mais de US$ 11 trilhões. Isso significa que os recursos jogados na farra dos bancos e na invasão do Iraque seriam suficientes para montar um mega-programa Bolsa Família que atenderia a todos os pobres do mundo durante 150 anos. Para Bono, depois que o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, com problemas de saúde, retirou-se da política, Lula converteu-se naturalmente no grande interlocutor mundial dos pobres.É o lulismo para além das fronteiras da America Latina. Aceite Lula !!! Ou então passe a bola para o Papa Francisco.

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