Há tempos que eu venho me perguntado, angustiado:
Que tipo de padre e para que tipo de Igreja nossos bispos, ajudados pelos formadores, estão preparando nos seminários?
A mensagem que nos aparece nas palavras e nas atitudes pessoais, sociais e pastorais dos padres novos, são bastante ambíguas: parece que falta uma linha clara de formação e que há formação e formadores para todos os gostos, desde carismáticos, a opus dei, focolarinos, legionários, neo-catecumenais, pastoral das Cebs, etc.
E dá claramente a impressão de uma promiscuidade ideológica, eclesiológica, filosófica e teológica inquietante. E que nossos bispos fogem desses graves problemas acima. Ou, pior, que querem ordenar o maior número possível, mesmo sem a certeza de um mínimo de qualidades intelectuais, morais e humanas em geral dos candidatos, só não os aceitando os em casos extremos.
E há um outro problema: quem forma os formadores? Como e para quê?
Será possível, um formador sozinho, dar conta do recado de formar bem, na Filosofia e/ou na Teologia, entre 10 e 20 candidatos ao Sacerdócio? Muitas vezes com seu bispo a centenas de kms…
João Tavares.
Meu caro Seminarista:
Não tenho o prazer de te conhecer, porque faz tempo que não vou ao seminário, devido a problemas de alergia. Mas eu queria entrar em contato contigo, agora que vai chegar o Dia do Seminário, para te oferecer o Serviço de Atenção da Comunidade (SAC), que se ocupa do cuidado, participação e igualdade entre todos os seus membros, e eu não acredito que seus formadores te tenham falado disto.
O S.A.C. lançou o Plano Integrado de Re-fundação da Igreja Católica (P.I.R.I.C), que inclui uma Campanha de Prevenção de Riscos Ocupacionais, explicitamente dirigida a seminaristas que, como a ti, eles estão modelando na atual estrutura da igreja para serem os futuros profissionais da religião. Através de estudos, pesquisas, levantamentos e diagnósticos populares, foram detectados riscos, os acidentes e/ou doenças no clero que prejudicam homens celibatários e, por extensão, toda a sociedade. Por isso é urgente um esforço de prevenção.
Os riscos profissionais mais agressivos no clero, são, como sabemos, pederastia, pedofilia, abuso infantil e discriminação contra as mulheres, vítimas do celibato imposto. E sobre a gravidade e necessidade de prevenção desse males, não é necessário insistir.
Mas há uma série de outros perigos igualmente prejudiciais, como “Robotite” vírus que é inoculado por demasiada exposição e contato com materiais reciclados da sucata provenientes da teologia escolástica, o direito canônico, o magistério eclesiástico, a moral sexual vaticana ou a espiritualidade pietista, que pode degenerar em cegueira ou em dependência de robot.
Também há a “Síndrome de poder” popularmente conhecido como “Colhonite aguda” que é a inflação dos gânglios do macho, para colocá-los reiteradamente em cima da mesa e que produzem pérolas como: “exclusão”, “ordeno e mando” e “a paróquia é minha”.
O “mobbing celibatário” é a opressão sofrida por muitos sacerdotes, localizada na região cardíaca e na região lombar inferior, usando-se como falsos paliativos o ocultamento e a falsa solução ou sentimental.
Outro risco profissional é o “Mal de Sacristia” que se manifesta numa claustrofobia ao social, político e laical, para se refugiar no ritual e no sagrado.
A “Alergia a Mulher” é outro tipo de doença crônica eclesial e clerical que é produzido pela propagação de endoparasita institucional que contagia os mais próximos e cujos efeitos colaterais recaem sobre 50% dos crentes, ou seja, mulheres.
O “Traumatismo Múltiplo” são as lesões em órgãos e tecidos vitais de profissionais como teólogos, pesquisadores, exegetas, professores, padres casados, homossexuais…, provocadas por práticas hierárquicas abusivas.
Sem pretender ser exaustivo, gostaria de mencionar, por último e de forma abreviada, alguns outros riscos a que terás de ficar atento para não seres vítima deles, como: a paralisia doutrinal, miopia comunitária, estados climatéricos, asfixia ortodoxa, sonolência litúrgica , febre numismática, mania de perseguição, sede doentia de privilégios e outras manifestações curiais que podem levar a erupções cutâneas, eczema e comichão social.
Para evitar esses riscos, problemas, conflitos, acidentes e doenças do clero, te remeto ao Plano Integrado Re-fundação da Igreja Católica (P.I.R.I.C) acima mencionado, que consiste basicamente, numa mudança radical no modelo de produção da igreja: mudança estrutural, teológica e litúrgica que dá como resultado a certeza de que outra igreja é possível e necessária. Para ser eficaz, este plano se apoia nestes pressupostos: a comunidade, antes da instituição; todos os crentes, e não sacerdotes e leigos; a vida, antes do culto; Deus, antes da ortodoxia; o espírito, acima da lei; igualdade entre homens e mulheres; o amor em lugar do direito canônico; ministérios, e não privilégios; o reino de Deus e a sua justiça, e depois, muito depois, a Igreja.
Desta exposição se deduz que não se trata de uma reforma nem de uma renovação, nem de uma restauração, mas sim de uma re-fundação, ou retornar à Igreja dos primeiros tempos, na qual, entre outras coisas, não havia nenhum clero ou ministério ordenado como casta e quem era mais importante era a Comunidade, fosse ela grande ou pequena, para ela mesma repartir funções e ministérios, conforme a necessidade e os carismas.Eu não posso me estender mais na descrição mais detalhada desta outra Igreja, porque isso seria assunto não de uma carta, mas sim de um diálogo em profundidade, mas gostaria que tu pensasses sobre essa proposta e a desses a conhecer aos teus colegas, porque evitariam todos os riscos, acidentes… próprios do clero e porque eu acho que esta visão de Igreja tem futuro.
Tu podes te informar com mais detalhes sobre esses pontos acima, nos seguintes lugares de referência: Teologia da Libertação, Comunidades Eclesiais de Base, Sites cristãos abertos, ou movimentos Nós Somos Igreja, Comunidades Populares, Adital, Mulheres e Teologia, entre outros. Aqui estão pessoas que te vão acolher e te mostrar suas experiências comunitárias e onde poderás ver que não só Outra Igreja é possível, mas que Outra Igreja já é realidade.
Se tu entendes espanhol, podes acessar, pela internet: Redes Cristianas, Comunidades Populares, Moceop, Mujeres y Teología. Mas, em português, também podes encontrar bons teólogos, bons Sites que te apresentam essa “outra Igreja possível”: Adital. Instituto Humanitas, etc. (Nota do Tradutor).
Espero te ver por aqui. E assim nos poderemos conhecer.
ANDRÉS MUÑOZ, almaruecha@gmail.com Getafe (Madrid).
Tradução de: João Tavares
Uma resposta
Prezado Erick, lamento seu comentário cheio de acusações e desamor.
Nós, padres casados, continuamos amando nossa Igreja católica. Mas, como profetas, temos o direito e o dever de denunciar seus erros humanos e administraivos.
O que dizemos é o que diz a sã teologia, baseada nos livros sagrados do Evangelho e da Bíblia. Nossa “ideologia” é atual, cristã e coerente com as diretivas do Concílio Vticano II.