Rogério Inácio Almeida Cunha voltou à casa do Pai. Padre da igreja católica dedicou sua vida à difusão do Reino de Jesus seja através do seu trabalho teológico e pastoral, como também em seu lar como padre casado.
“…Não deixei de ser católico por ter aberto mão da condição de clérigo, não deixo de ser cristão por discordar deste ponto central e de muitos outros, em que a mentalidade Católica me parece equivocar-se. Não considero o meu modo de pensar normativo para quem quer que seja. A Igreja Católica, na configuração histórica a que chegou, e que parece consolidar, é a minha mãe na Fé cristã, e tem o direito de ser o que ela quer. Uma vez eu disse em palestra a uns trezentos provinciais de Congregações Religiosas que quem xingar a minha mãe eu mato, mas se me botarem dentro da barriga dela de novo, sou eu quem morre…”
Fez da teologia sua profissão e nela se destacou como bom mestre, abrindo caminhos para a necessária e desejada renovação da igreja à luz do Concílio Vaticano II.
Era membro do movimento “Nós Somos Igreja” e defendeu ideais de:
1. Uma Igreja fraterna e dialogal;
2. Uma Igreja com uma nova atitude face às mulheres;
3. Uma Igreja onde os ministérios ordenados sejam reequacionados;
4. Uma Igreja que valorize a sexualidade, elemento constitutivo do ser humano, criado por Deus;
5. Uma Igreja empenhada nos direitos humanos, que valorize questões de ordem ética e moral.
Foi membro ativo e numinoso dentro do Movimento dos Padres Casados. Não via com bons olhos a institucionalização do Movimento, pois achava que “seu eixo é a solidariedade entre diferentes, não a institucionalização de igualdades”. Dizia ainda que: “Cada qual tem o direito de participar do MPC pelo motivo que lhe pareça bem, mas acredito que ninguém tem o direito de proclamar taxativas ou normativas as suas convicções pessoais ou grupais.”
Sobre a Eucaristia considerava que a mentalidade católica “falsifica teologicamente a Fé Cristã, quando fez dela uma Religião de Sacrifícios, re-instituindo – com o título de “Eucaristia”, ou de “Santo Sacrifício da Missa” – o que o Senhor aboliu, notadamente na noite em que, antes de padecer, tomou uma refeição com os seus. A re-instituição de um sacrifício, a transformação da refeição de partilha em ato sacrifical, concretizou a lógica que fez dos “presbíteros” a re-edição dos sacerdotes, sacrificadores. A instituição do “sacramento da ordem” instaurou no seio da Igreja Cristã a lógica institucional do Império Romano.”
Nosso site muitas vezes era enriquecido com os artigos que ele nos enviava. Lamentamos profundamente o falecimento do amigo e irmão, Rogério. Criou-se um vazio no meio teológico, no Movimento “Nós Somos Igreja”, no MFPC e em todos aqueles que apreciaram suas qualidades intelectuais e seu amor para com todos.
Com certeza combateu o bom combate e já recebeu a coroa da glória do Cristo. Seu trabalho trará seus frutos. Para a viúva Zenóbia nosso amplexo de solidariedade.
Clique Aqui para ler a mensagem enviada por
Rogério de Almeida Cunha em ocasião
do Encontro do MFPC em Recife,
em 06 de Janeiro de 2008
Fonte: http://www.oraetlabora.com.br/novo1/
Respostas de 4
Para os familiares do querido Colega Rogèrio, os nossos mais sinceros pésames.
Orlando e Famìlia.
Ceséna, 7.03.2011 – Italia.
o tempo passou e chegou a hora em que este velho amigo foi a casa do pai. a saudade e mto grande mas a esperanca de um dia estarmos juntos e mto maior. rogerio… valeu!!!
Conheci o Padre Rogério no início da década de 80, precisamente em 1983. Naquela época ele se esforçava para estruturar um centro de assessoria que, senão me engano, chamava “trilhando” ou “caminhando”. Este centro de assesoria era composto por profissionais de todas as áreas (saúde, economia, jurídica, religiosos, etc),e antecedeu ao do fortalecimento posterior da CUT e do PT. Rogério fez de tudo por esta entidde de poio aos movimentos populares e sindicais. Ele fazia tudo isso com muito amor, zelo e dedicação. Este movimento ajudou em muito o fortalecimento do sindicalismo e movimentos populares em toda Minas Gerais. o Padre Rogério merece todas as homenagens, ajudou muito para o crescimento das lutas daqueles que não têm voz por melhores condições de vida digna. Com certeza, ele retornou para os braços do Pai…sua ausência faz muita falta para todos nós cristãos.
Boa tarde.
Sou pesquisador da área de História e em minha investigação de Doutorado me deparei com diversos artigos assinados pelo então padre Rogério de Almeida Cunha no final da década de 1970. Fico imensamente agradecido se alguém souber e puder me passar alguns dados biográficos dele referentes ao período que vai até o final da década de 1970 – local e data de nascimento, local e período de formações acadêmicas, atuação em movimentos sociais, etc. Desde já agradeço pela atenção dispensada.
Cordialmente, Igor.