A impaciência do Cardeal

Os cardeais nas congregações gerais antes do conclave lhe deram um mandato claro: reduzir os dicastérios vaticanos, reavivar o diálogo entre as conferências episcopais e a Santa Sé, garantir a transparência na Cúria Romana.

Cinco meses depois da sua eleição, Francisco não esqueceu as demandas do Sacro Colégio, mas, convencido da prioridade de testemunhar e de colocar o Evangelho novamente no centro da vida eclesial para alcançar “as periferias da existência”, ele progride sem pressa.

A reportagem é de Giovanni Panettiere, publicada no sítio Quotidiano Nazionale, 18-08-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

De comissão em comissão – por último, ele criou a comissão sobre as administrações econômicas da Santa Sé –, o papa espera encontrar, no início de outubro, o grupo de oito cardeais que ele mesmo encarregou de estudar a reforma da Cúria. Só então a reviravolta entrará ao vivo.

Tarde demais? Entre os mais impacientes, está o arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, muito estimado
por Bento XVI, que o quis como relator no último Sínodo dos Bispos, e um dos eleitores Bergoglio, mais em chave anti-italiana do que outra coisa.

Recentemente, em uma entrevista ao liberal National Catholic Reporter, o purpurado criticou a tergiversação do pontífice no governo da Igreja: “Nós, cardeais, também queríamos alguém com boas capacidades administrativas e de liderança. Até hoje, não se visto muito isso”. Portanto, embora apreciando a atenção de Francisco aos pobres, Dolan lança aquilo que parece ser um ultimato: “Espero que, depois das férias de verão, se concretize algum sinal a mais com relação à mudança na gestão”.

Por trás da intolerância do arcebispo, esconde-se uma certa dor de barriga pelo baixo perfil com o qual Francisco rejeita o aborto e defende a família tradicional. Não por acaso, duas batalhas imprescindíveis para a ala direita do povo de Deus.

Dos muros leoninos, vazam rumores sobre o spoil system que está sob exame do papa. Dificilmente serão confirmados na cúpula dos dicastérios vaticanos cardeais italianos como Mauro Piacenza (Clero) e Fernando Filoni (Propaganda Fide). Os ministros das finanças Giuseppe Versaldi (Prefeitura de Assuntos Econômicos) e Domenico Calcagno (APSA) também estão quase com as malas prontas.

As não reconfirmações seriam o sinal da vontade de Francisco de interceptar a solicitação, que surgiu no pré-conclave, de uma Cúria menos italiano.

Também estaria em estudo do papa a hipótese de duplicar os chefes da Secretaria de Estado: um moderator Curiae para a coordenação dos órgãos romanos e um secretário de Estado para as relações com as chancelarias do mundo. Seria um redimensionamento do ofício de secretário de Estado, que agora governa toda a secretaria e atua como segundo pontífice. Um papel bem desempenhado, sob Ratzinger, por Tarcisio Bertone, que estaria prestes a sair em setembro, embora o salesiano exiba uma agenda cheia de compromissos.

Giovanni Panettiere

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/519554-um-diretor-geral-para-a-curia-entrevista-com-francesco-coccopalmerio

 

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  • 13/04/2013 – Papa cria comissão de cardeais para reformar a Cúria
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  • 27/03/2013 – Como o Papa Francisco pode reformar a Cúria vaticana. Artigo de Thomas Reese
  • 22/03/2013 – Papa, bispos e cúria. As reformas que virão
  • 20/03/2013 – ”Reforma da Cúria? Inevitável e não agradará a todos”. Entrevista com João Braz de Aviz
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