Hipnose é possível, cura?

Comentário de João Tavares

Trata-se de um assunto discutido e discutível. Talvez de uma Ciência, como quer provar o autor. Talvez de uma Teoria ainda não bem aprofundada, mas que vem dando bons resultados. Claro, parte de hipóteses, de crenças “a priori”,  ainda não bem demonstradas…

Mas qual Ciência não parte de hipóteses, de crenças, de apriorismos? A Ciência, que nasce da necessidade de encontrarmos respostas para os reais problemas humanos, só progride por intuições, por tentativas,  por erros e acertos.

E a hipnose também está tentando… Mesmo que psicólogos, psiquiatras, etc., torçam o nariz e outros digam que o Inconsciente não existe. E mesmo que se corra o perigo de tantos, como fazem espíritas e outros, e as novelas da Globo tanto vulgarizam, acreditarem que há vidas passadas, reencarnação, etc., coisas que fazem rir filósofos e teólogos.

Se é mesmo dele, acho muito acertada a afirmação de Einstein, de que não usamos nem 5% de nossas capacidades mentais.  A neurociência está apenas começando a engatinhar… e a vocação do SER HUMANO é usar em plenitude as suas imensas potencialidades…

João Tavares

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Boa pergunta, mas antes de a respondermos, acredito ser interessante até fazermos outras, tendo em vista ser a hipnose algo que desperta atenção, curiosidades, estudos, mitos e medos: O que é hipnose? É ciência? É perigoso ser hipnotizado? Alguém pode não voltar de um transe hipnótico? Hipnose cura? Todas as pessoas podem ser hipnotizadas? São perguntas, em geral, frequentes, que talvez justifiquem escrevermos sobre esta temática, com o objetivo de esclarecermos realidades deste fenômeno tão empolgante, que por sinal, venho estudando, praticando, ensinando e divulgando há anos.

Em primeiro lugar, ouso afirmar: a hipnose é uma ciência. A hipnose é, cada vez mais, estudada e reconhecida, sobretudo pela medicina, odontologia, psicologia, psicanálise e tantas outras ciências humanas. Fiz vários cursos, assim como tenho ministrado, onde muitos profissionais da saúde se fizeram presentes, querendo conhecer este fantástico saber, com seu poder de influência sobre a mente humana, com possíveis transformações ou reprogramações na vida das pessoas.

Por que digo que a hipnose é uma ciência? Por ter ela uma área ou campo específico de estudo: a mente humana inconsciente com suas inerentes características. E, sobretudo, por ter a mesma um método determinado, que é a sugestão focada, por onde se conquista o transe hipnótico. Não há hipnose sem inconsciente, nem muito menos sem sugestões direcionadas. Por fim, a hipnose é uma ciência por dar resultados, inclusive terapêuticos.

Há duas formas básicas de conhecimento da hipnose: a hipnose de palco ou de show e a hipnose clínica. A importância da primeira é a divulgação do fenômeno da hipnose para o público. Demonstração, esta, do poder da mente humana inconsciente. É, em geral, esta forma de apresentação da hipnose que impressiona a muitos, desperta curiosidades, medos, mitos e alegrias. Diria, este é o lado brincalhão ou humorístico da hipnose.

Já a segunda forma, é a hipnose clínica. Também diria, este é o lado sério da hipnose. É sua dimensão verdadeiramente científica. Ela estuda este campo de saber ou este fenômeno da mente, com o objetivo de ajudar as pessoas a se libertarem de muitas limitações, que, em geral, veem de histórias traumáticas e inconscientes. É quando a pessoa sofre os sintomas sem ter a consciência das causas.

Normalmente a ciência lida com os sintomas das doenças. E uma vantagem impressionante da hipnose clínica é que ela torna possível o acesso ao inconsciente da pessoa, por regressão, e, assim, torna-se possível descobrir a origem, as causas de muitos sofrimentos humanos, dos sintomas.

Ora, chegando-se às causas, torna-se possível, através de pessoas qualificadas e sugestões adequadas à realidade, a ressignificação das tais causas, e, assim, eliminam-se, consequentemente, os sintomas. Se os sintomas desaparecem pela ressignificação das causas, consequentemente, pode acontecer a cura.

Sabemos que há problemas, como medos, pânicos, fobias (de avião, de elevador, de escuro, de dirigir) e tantos outros traumas ou neuroses que, até hoje, remédio nenhum tem curado. No entanto, há muitas experiências comprovadas de que, após um bom trabalho de sugestões hipnóticas, é possível reprogramar muitas neuroses que tanto fazem sofrer as pessoas, sobretudo, limitando-as nas suas atividades diárias.

Toda ciência tem como tarefa primeira explicitar saber e, evidentemente, libertar o ser humano da ignorância, de doenças, de traumas. Assim também se propõe a hipnose clínica.

Qualquer pessoa pode ser hipnotizada? Em tese sim, pois todos nós temos a mente inconsciente. Mas, para que haja hipnose são necessários alguns pré-requisitos: motivação, crença, relaxamento, sensibilidade e acolhidadas sugestões associadas a imaginações, que é por onde o inconsciente é acessado.

Hipnose implica dissociação entre o consciente e o inconsciente, que, resumindo, significa sair do foco racional, lógico, da vontade e entrar no foco da imaginação, outro pré-requisito básico da hipnose. Com um detalhe importantíssimo: o inconsciente não faz a distinção entre a realidade e a imaginação, ou seja, a imaginação é real no inconsciente.

Por isso, uma pessoa hipnotizada é capaz de comer uma cebola sentindo o gosto de uma maçã gostosa. O imaginário é real. Neste sentido, um sonho é real no inconsciente. Daí porque Freud vai dizer que o sonho é a realização de um desejo reprimido.

Na hipnose a pessoa também vive o que é sugerido. A imaginação é mais forte que a vontade. Se a mente inconsciente tem esse poder, ela consegue ressignificar realidades humanas como os traumas.

Nos pré-requisitos expostos estão os segredos da hipnose. Faz-se necessário, ser, cientificamente, aprendidos, para se exercer com competência a hipnose clínica, ou seja, a ciência hipnótica. Razão porque sempre afirmo: hipnotizar não é difícil, é uma técnica a se aprender.

O desafio para o hipnólogo clínico é o que fazer ou dizer à pessoa hipnotizada, para que a sua mente possa ressignificar um trauma ou uma neurose, que pode ter sido registrada até no tempo da vida intrauterina e que, até então, perturba a vida da pessoa.

Dito isto, nos vem uma outra pergunta curiosa: Então, o hipnólogo cura? Resposta precisa: Não, o hipnólogo em si não tem nenhum poder de cura. Como então acontece a cura? Toda hipnose é, na verdade, uma auto-hipnose, ou seja, a pessoa recebe a  sugestão e a sua mente passa a executar aquela sugestão. A mente faz acontecer a ressignificação,  a reprogramação do problema, a cura.

Isto é possível porque a mente humana é auto-curativa. Ela, que gerou o problema, tem o poder de refazê-lo, e o refaz quando recebe uma sugestão sintonizada com uma emoção que reprograme um trauma. Isso é tão verdadeiro, que é possível uma cura pela auto-hipnose, pela auto-sugestão.

O que é necessário para que isto aconteça? Primeiro, é preciso a pessoa acreditar no que está vivenciando, seja pela auto-hipnose ou pela heterohipnose (outra pessoa sugerindo).

Neste sentido, acreditar na pessoa e nas sugestões do hipnólogo é fundamental para que haja transformações. Não há hipnose sem crença, sem motivação, sem emoção, sem sugestões adequadas a cada situação. Acreditar e sentir é a fundamentação de tudo em nossa vida, seja crença positiva ou negativa. Exemplo: um casamento verdadeiro acontece quando você acredita e sente que há o amor mútuo.

Na técnica hipnótica chamada ponte humana, por exemplo, a pessoa só a vivencia quando, a partir da sugestão de que ela vai virar uma barra de ferro, ela se imagina, acredita e se sente ter virado uma barra de ferro. Só assim é capaz de ficar duro entre duas cadeiras. Portanto, para haver cura em hipnose é essencial crença e emoção juntas.

A hipnose clínica quer retrabalhar crenças negativas. Uma neurose nada mais é do que uma crença emocionalmente registrada e o inconsciente executando-a. O inconsciente não pensa, ele é, essencialmente, executivo de crenças. Crenças cristalizadas no inconsciente, que podem vir inclusive de heranças psíquicas. E estas podem ser, como dissemos, transformadas, libertas, curadas pela própria mente da pessoa.

Qual é, então, a tarefa do hipnólogo? Cabe ao hipnólogo ser nada mais que um guia nas sugestões ajustadas para que a mente da pessoa possa reprogramar-se, ressignificar-se e refazer na vida com novas esperanças e perspectivas.

Então, com este artigo, não pretendemos explicitar tudo sobre a hipnose. Isto é impossível seja pela complexidade que envolve o referido tema, seja pelo limite deste espaço. Apenas quis trazer algumas explicitações a respeito deste empolgante campo de saber, e, quem sabe, despertar interesse a quem quiser conhecer mais sobre a hipnose.

Exerço hipnose quase diariamente e sou testemunha da libertação que ela causa nas pessoas. Hipnose tem início, meio e fim. Tem a indução, a programação e a saída do estado hipnótico. Assim, ninguém fica em transe sem que volte ao estado de vigília. Se acontecer é por desconhecimento da dinâmica deste saber. Por fim, só o estudo e a experiência nos fazem perder medos,eliminar dúvidas e mitos impregnados em nossas mentes sobre a hipnose.

Acredito que esta ciência possa ser, no futuro, mais e mais conhecida e reconhecida quer pelos estudiosos da mente humana, sobretudo, do inconsciente, quer pelas áreas da saúdee, de modo especial, pelos órgãos competentes a quem cabe sua oficialização. São meus votos!

Luciano Furtado Sampaio

Psicanalista e hipnólogo em Fortaleza, CE

www.lucianosampaio.com.br

Fonte: enviada pelo Autor, via e-mail: lucianosampaio53@gmail.com

 

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