Entrevista com o historiador Alberto Melloni, que reconstrói os eventos do passado e lembra que João XXIII também estava pronto para se mudar para São João de Latrão.
A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 22-04-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
“João XXIII queria voltar a viver em São João“, explica o historiador do cristianismo Alberto
Melloni, agora que se pensa que Francisco poderia realizar a intenção do seu antecessor.
“É o retorno ao palácio do bispo, em vez do palácio do príncipe”, indica o professor Melloni.
“Inocêncio III habitava em Latrão. O deslocamento dos pontífice para o Vaticano corresponde, no século XV, ao papado transcendental e a uma visão eclesiológica particular”.
O apartamento papal em São João havia sido concluído, mas Roncalli não teve tempo para ir morar lá, porque adoeceu e morreu. Por vontade do cardeal-vigário Poletti, a habitação foi desmontada e anexada ao Museu do Vicariato, no qual estão expostas obras de arte e presentes recebidos pela diocese de Pedro. Quase para evitar, no futuro, a eventualidade de uma transferência que,
inevitavelmente, acabaria tirando poder de quem governa a diocese, em nome de Sua Santidade.
Mais do que como papa, Francisco logo se apresentou aos fiéis como bispo de Roma e, como tal,
celebrou a missa para a tomada de posse da catedral de Roma e do mundo. Uma definição que pode assumir um peso positivo também no sentido ecumênico e de diálogo inter-religioso. São João, de fato, é a “mater et caput” de todas as Igrejas de Roma e do mundo.
De Latrão, os cônegos regulares lateranenses obtêm o seu nome: religiosos que vivem em comunidade
segundo a regra de Santo Agostinho adotada no século XII. Foi sede do pontífice a partir da era de Constantino até a partida dos papas para Avignon (1305). Com o seu retorno, o Vaticano foi preferido como sede papal. O complexo inclui a basílica, o batistério, o palácio episcopal, a capela do Sancta Sanctorum.
No dia 7 de abril, Francisco entrou pela primeira vez na basílica para tomar posse como bispo da Urbe sobre a Cathedra romana. No rito, previsto pela Universi Dominici Gregis, de João Paulo II, e modificado recentemente por Bento XVI, Francisco contribuiu com uma significativa novidade. O texto, inspirado em uma tradição patrístico-litúrgica antiga, com a qual o cardeal-vigário de Roma o saúda logo antes de ele se sentar na Cathedra, contém palavras completamente inéditas.
Em primeiro lugar, o cardeal de Roma dizia ao novo papa: “Como o vinhateiro que vigia a vinha do alto, tu estás colocado em uma posição elevada para governar e cuidar do povo que te foi confiado”. Desta vez, porém, o cardeal Agostino Vallini disse, lendo um texto totalmente novo, que o papa, desse “lugar eleito, preside na caridade todas as Igrejas e com firme doçura guia a todos nos caminhos da santidade”. Basílica anteposta até a São Pedro, ainda hoje, apesar de ter perdido importância após o retorno dos papas de Avignon.
Na balaustrada da fachada, as estátuas representam o Cristo, os santos João Batista e João
Evangelista, e os doutores da Igreja. Dentro, a planta tem a cruz latina, com cinco naves. Aqui, no dia 19 de dezembro de 1903, o clérigo Angelo Roncalli foi ordenado diácono pelo cardeal arcipreste da Basílica, Pietro Respighi. Aqui, o papa argentino que se inspira no “Papa Bom” poderia voltar a morar.
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