O AMOR CONCRETO FEITO ACOLHIMENTO

(Sofia fala do “Encontrinho” do Conselho Gestor do MPC em Porto Belo)

Não foi à toa que três casais de Fortaleza, (CE), José Edson e Lúcia, Dourado e Socorro, Aroldo e Margarida, um casal de S. Luís, MA, João Tavares e Sofia, um casal de Guarapuava, (PR), Armando e Altiva se deslocaram até à residência de Gilberto e Aglésia, em Porto Belo, (SC) para um Encontrinho de três dias a fim de, em função do texto-base elaborado pela Diretoria Nacional em Fortaleza, pensarem e planejarem o nosso XIX Encontro Nacional do MPC/AR a ser realizado em Fortaleza em Julho de 2012 e repensarem os princípios fundantes, as metas básicas estabelecidas desde os primeiros Encontros e várias vezes reafirmadas e ligeiramente modificadas, bem como as metodologias básicas usadas e  a usar para o fortalecimento das relações entre todos os Membros do MPC/AR do Brasil.
A distância percorrida até Poro Belo (para cearenses e maranhenses, cerca de 8.000 km, ida e volta, foi coroada com singular e caloroso acolhimento de Gilberto e Aglésia que planejaram os mínimos detalhes para que nos sentíssemos bem à vontade, num clima de Encontro amigável, sério e descontraído,  permeado de passeios às redondezas: Marejada portuguesa em Itajaí, Santuário de Santa Paulina em Nova Trento, Seminário de Azambuja e Shopping em Brusque, Oktoberfest em Blumenau.
O lugar do Encontro foi na casa de Gilberto e Aglésia, na beira da bela, suave e aconchegante praia de Porto Belo, na Enseada que separa Porto Belo de Itapema.
Dentre os vários assuntos abordados foram lembrados com especial atenção os objetivos históricos do MPC:
1.      Acolhimento e Ajuda mútua;
2.      Diálogo com a Hierarquia;
3.      Engajamento, cada um conforme seu carisma e disponibilidade, em trabalhos sociais ou pastorais que ajudem a Igreja a caminhar nas trilhas abertas pelo Concílio Vaticano II e confirmadas e adaptadas à América Latina pelas Conferências do CELAM.
O grupo foi unânime na idéia de investirmos firme nestes objetivos, a começar pelo acolhimento aos que saem e aos que estão por aí espalhados, afastados e sozinhos, talvez porque nenhum de nós se preocupou em os chamar e convidar para partilhar conosco e com o MPC.  A confirmação disso é que vários colegas que deixaram o ministério, quando, pela internet ou por contato de outros colegas do MPC, chegam a conhecer nosso Movimento, vêm pedindo para serem aceitos no nosso grupo. O caloroso, simples e fraterno acolhimento de Gilberto e Aglésia, foram mais uma prova de como este objetivo é importante para fortalecermos as nossas relações e tentarmos aumentar o nosso número com recém saídos do ministério e com outros que saíram há mais tempo, mas que nunca se engajaram no MPC.
E, é bom lembrarmos, esta foi também uma forte orientação de atitude e recomendação da Assembleia geral do XVIII Encontro de 2010 em Brodowski: mais atenção aos “ausentes” e aos recém-saídos do ministério, procurando-os onde eles estão, inclusive pedindo ajuda aos Bispos e às Cúrias diocesanas que têm os dados dos que deixaram o ministério em suas dioceses.
Essa viagem a Santa Catarina foi uma verdadeira vivência de acolhimento, começando pelos anfitriões Gilberto e Aglésia. O simpático e aberto Pe. Pedro, reitor do conhecido seminário diocesano de Azambuja (Brusque), sem preconceito e com fraterna amizade, nos brindou com um almoço junto com seus seminaristas, nos mostrou o seminário e o belo museu de arte sacra e trocou ampla e abertamente idéias conosco sobre a formação dos seminaristas hoje. Sua atitude de formador pareceu-nos bastante realista e otimista.
      Percebemos com alegria que Gilberto e Aglésia vivem a sua fase outonal com muita disposição, bom humor e atividade, dando muita importância ao lazer e ao cultivo amplo, simples e intenso de uma grande rede de amizades com pessoas de vários grupos heterogêneos: radioamadores, donos de Casa rolante, ou motor-homes, antigos colegas e paroquianos e, naturalmente, padres casado de Santa Catarina e estados vizinhos.

Só no último dia que passamos com eles, por exemplo, receberam em sua casa dois casais luteranos gaúchos, donos de motor-homes que estavam chegando do nordeste, e mais dois amigos destes e dele. Como tínhamos acabado de tirar a 217ª edição do Jornal Rumos do forno, logo lhes deu uma cópia que leram com tanto gosto que quiseram tornar-se assinantes, pagando na hora os trinta reais da assinatura anual: conforme testemunho deles, nunca tinham visto padres ou um jornal de padres falar com tanta sinceridade, clareza e coragem dos problemas da Igreja católica.
No dia seguinte, despedimo-nos dos amigos de motor-homes luteranos e fomos visitar outro casal amigo de Gilberto e Aglésia em Barra Velha,  os simpáticos colonos Adolfo e Iracy que, no Domingo, reuniram, para o aniversário dele, cerca de trinta pessoas da Família, para um churrasco de dar e deixar água na boca, na sua bela vivenda à beira do Rio Itapocu. Agora, sim, pude comprovar que churrasco tem muita arte e que o do Sul é bem melhor…

Tivemos, também, a alegria da visita do simpático casal do MPC de Joinville, João Fachini e Justina; por razão de tempo não foi possível visitarmos a casa deles, como tínhamos planejado. Mas sua vinda ao nosso encontro em casa de Adolfo e Iracy foi suficiente para sentirmos mais forte a nossa fraternidade MPCista, cheia de gente de valor espalhada por todos os Estados. O problema é o isolamento contra o qual temos de lutar, organizadamente, para superar.
 
Essa largueza de encontros me fez pensar que o nosso Movimento já se encontra nesse belo processo de acolhimento, podendo se espalhar entre os grupos dos Estados, através do nosso e-grupo, pelo Site www.padrescasados.org , pelo Jornal Rumos, pelos Encontros nacionais e regionais e por eventuais visitas, sobretudo quando se viaja para outros Estados. Estes são os meios eficazes de que dispomos para melhor praticarmos e promovermos sempre mais a nossa bela fraternidade. Além da atualização do nosso Catálogo com que, agora, a Diretoria se empenhou com João e Gilberto, solicitando a colaboração das lideranças do MPC de todos os Estados.
Em tempo quero dizer que tivemos a oportunidade de colaborar e participar com Gilberto na conclusão da última edição (217) do nosso Jornal Rumos. Só vendo e ajudando pudemos avaliar o trabalho, a dedicação e a preocupação que, cada dois meses, o Gilberto despende para fazer nascer cada edição desse “filho” de que já engendrou 14 edições (204-217). Depois de dias e noites na redação e paginação em casa e com o diagramador em Itapema, e após a impressão do Jornal, sentamos uma manhã inteira, 5 pessoas, para dobrar, selar, etiquetar. Aí, após ter carregado com João, o saco para o correio, Gilberto, até então um pouco tenso e calado, respirou fundo, preparou cuidadosamente o mate na cuia do chimarrão e abriu um largo sorriso, exclamando: “Pronto! O 217 já foi! Agora, só em Dezembro. E já tenho um bom número de artigos para a o 218”…
É um trabalho que ele faz voluntariamente, com gosto e com muita competência, mas que dá bastante trabalho e despesas, o que me leva a lembrar aos assinantes fieis, que não podemos deixar morrer esse veículo de formação, informação e reflexão livre e construtiva de uma Igreja na trilha segura do Concílio Vaticano II, da Teologia da Libertação e das Conferências do CELAM, de Medellín, Puebla, Santo Domingo e Aparecida.
 
Sofia Tavares  – tavaresj@elo.com.br

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