Ao canonizar Dom Óscar Romero, o Papa Francisco indicou para toda a Igreja o exemplo e o testemunho deste mártir latino-americano, brutalmente assassinado há 45 anos, em 24-03-1980. A despeito das estruturas clericais que tendem sempre a controlar e a “domesticar” tantas figuras radicais no seguimento de Jesus, São Romero não pode se tornar apenas mais uma festa litúrgica no calendário romano.
O artigo é de Gabriel dos Anjos Vilardi, jesuíta, bacharel em Direito pela PUC-SP e bacharel em Filosofia pela FAJE. É mestrando no PPG em Direito da Unisinos e integra a equipe do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
Eis o artigo.
Em uma realidade ferida por tantas crises e extremismos, guerras e extermínios, neocolonialismos e neoimperialismos, big techs e discursos de ódio, o mundo está carente de testemunhos que inspirem esperança e confiança noutros caminhos possíveis. No lugar de Trump, Musk e Netanyahu e seus massacres, xenofobias e autoritarismos sem fim é preciso recordar as inúmeras pessoas que deram e dão a vida pela justiça social, pela proteção da Casa Comum, pela libertação dos marginalizados. Entre elas, São Óscar Romero, o bispo que não se calou diante da barbárie.
Neste tempo quaresmal, os ensinamentos paulinos são bastante claros: “não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito” (Rm 12, 2). Imprescindível voltar a essa admoestação, especialmente aqueles que insistem em querer transformar o seguimento cristão num devocionismo vazio e num ritualismo intimista. Dom Romero mostrou que o caminho do discipulado é muito mais do que deturpadas práticas egoístas e autocentradas.
“Ninguém é tão livre como o que não está subjugado ao deus dinheiro”, asseverou o bispo-mártir, “e ninguém é tão escravo como o idólatra do dinheiro” [1]. O arcebispo de El Salvador ficaria horrorizado com o que se tornou o país sob a presidência de Nayib Bukele, um regime de direita fundado no populismo penal e no encarceramento em massa. Recentemente o Estado centro-americano recebeu migrantes venezuelanos deportados dos Estados Unidos, na megaprisão nomeada Centro de Confinamento de Terroristas. No acordo Trump-Bukele o país receberá migrantes em seus cárceres, em troca de 20 mil dólares por cada um ao ano.
Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos
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