Um grupo de 100 cientistas, ambientalistas, ativistas sociais e católicos — incluindo 21 bispos — divulgou uma carta pública em 18 de fevereiro criticando os planos do governo Lula para exploração de petróleo perto da foz do Rio Amazonas.
A reportagem é de Eduardo Campos Lima , publicada por National Catholic Reporter, 27-02-2025.
A carta afirma que a exploração de petróleo perto da costa do estado amazônico do Amapá, no norte do Brasil, seria um “suicídio ecológico” e pede uma redução imediata na produção e no consumo de combustíveis fósseis.
Segundo os signatários, a produção de petróleo naquela área não só seria arriscada para os biomas locais, mas também significaria a continuidade de um modelo econômico que libera uma quantidade excessiva de carbono na atmosfera, o que contribui para as emissões de gases de efeito estufa que retêm calor e aquecem o planeta.
Dom Vicente de Paula Ferreira, da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, é um dos bispos mais atuantes na denúncia dos impactos das atividades extrativistas na Terra e nas populações tradicionais.
“A retórica do governo é baseada em uma mentalidade capitalista de lucros ilimitados. Mas o planeta não tem mais recursos para crescimento ilimitado. Temos que proteger o que sobrou”, disse o bispo, que lidera a Comissão Especial de Mineração e Ecologia Integral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
O padre italiano Dario Bossi, membro da comissão, disse que o grupo queria que a igreja desempenhasse um papel significativo entre os signatários da carta, por isso buscou o apoio de bispos de todas as regiões do Brasil.
“Isso mostra que não é só um segmento social que critica o projeto do governo, mas uma aliança complexa com diferentes atores”, disse.
A ideia de prospectar petróleo na chamada Margem Equatorial — região que abrange o litoral brasileiro do Rio Grande do Norte ao Amapá e além até a Guiana Francesa, Suriname e Guiana — não é nova.
Desde 2014, a estatal petrolífera Petrobras solicitou autorização da agência ambiental do governo, Ibama, em diversas ocasiões para explorar as reservas de petróleo da região. O esforço enfrentou uma luta política significativa a partir de 2023, durante o primeiro ano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato, embora alguma controvérsia tenha existido antes.
Após a destruição ecológica da administração do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019–2022), grande parte da campanha de Lula se concentrou na promessa de reconstruir as políticas de proteção ambiental do Brasil. Marina Silva, uma conservacionista de longa data que começou seu ativismo político ao lado do ícone amazônico Chico Mendes (1944–1988), foi nomeada por Lula como ministra do meio ambiente e mudanças climáticas.
Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos
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