Também gravou um vídeo num posto de gasolina, para provar que no Brasil o combustível está mais barato do que em Inglaterra.
E foi bombardeado pela imprensa britânica por levar a campanha política para as cerimónias.

Em Londres para o funeral da rainha Elizabeth 2ª, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL), divulgou vídeo na noite de domingo (18/9) em que dizia que a gasolina no Brasil era “uma das mais baratas do mundo”, e fez uma comparação com o Reino Unido. Só esqueceu de dizer que Brasileiro tem de trabalhar seis vezes mais que o inglês, para comprar um litro de gasolina
No fim,
- após aproveitar o enterro de Isabel II para fazer campanha eleitoral,
- brigou com jornalistas que perguntaram se ele não tinha aproveitado o enterro de Isabel II para fazer campanha eleitoral.
Balanço da visita: pisou mais uma vez na imagem internacional do Brasil, atormentou os ingleses e não ganhou um voto.
Se este descalabro é o epílogo, ainda antes da condução assassina da pandemia, do regresso do país ao Mapa da Fome da ONU e da destruição ambiental se tornarem as marcas do bolsonarismo, um singelo episódio marca o prólogo do desgoverno de Bolsonaro, quando, logo após eleito, prometeu transferir a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém.
Criou um problema com os países árabes que, ofendidos, ameaçaram boicotar a importação de carne brasileira, e com os israelitas porque, obrigado a recuar, descumpriu a promessa. E o problema nem sequer existia.
“A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em todo o lado, diagnosticá-los incorretamente e aplicar os piores remédios para os resolver”,
dizia Groucho Marx, o maior expoente do nonsense
- até ser desbancado do cargo por Bolsonaro, um discípulo involuntário de Marx, o Groucho,
- e especialista em desagradar gregos e troianos (agrada só aos cretinos).
Conforme a classificação do economista italiano Carlo Cipolla,
- os inteligentes conseguem, pelas suas ações, criar vantagens para si e para os outros;
- os bandidos só vantagens para si,
- os crédulos só vantagens para os outros,
- e os estúpidos desvantagens para toda a gente
– o presidente do Brasil pertence, com todos os méritos, ao quarto grupo.
Teve a sorte, no entanto, de navegar no último dos estágios da estupidez na política, conforme descrição de Andy Borowitz, em Perfis na Ignorância: como os políticos americanos se tornaram mais e mais burros, lançado na semana passada nos EUA.
O primeiro estágio, a que pertencia, por exemplo, o desastrado vice-presidente americano Dan Quayle, era aquele em que os políticos se envergonhavam das suas asneiras.
O segundo, representado pelo presidente George W. Bush, é o da aceitação da estupidez – ao admitir nunca ter lido um livro, W aproximava-se, segundo os seus estrategas, da maioria do povo americano (foi o período em que Mitt Romney teve de esconder que falava francês para não perder votos republicanos).
E o terceiro, representado por Donald Trump, o da glorificação da incompetência, desde que a legião de imbecis de internet encontre eco neles, como dizia o Umberto (Eco – NdR).
Até quando essa legião vai governar?
Nos EUA, foi até 2021.
No Brasil, ao que tudo indica, até dia 2 ou 30 de outubro, o mais tardar.

Jornalista, correspondente em São Paulo