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Deutsche Welle – 22 abril 2022 – Foto: DAQUI
Tal ambição, se confirmada, sugere que
- os russos querem negar aos ucranianos acesso ao Mar Negro
- e tomar cidades como Odessa e Mykolaiv, no sudoeste, que permanecem sob controle da Ucrânia.
Os planos foram mencionados nesta sexta-feira (22/04) pelo general major Rustam Minnekayev, comandante do Distrito Militar Central de Moscou.
O líder militar, de acordo com agências russas de notícias, afirmou que a conquista do sul
- permitiria o estabelecimento de um corredor terrestre russo até a península da Crimeia,
- além do controle de instalações vitais para a economia ucraniana,
- como portos do Mar Negro que servem paras as entregas dos produtos agrícolas e metalúrgicos.
Minnekayev também afirmou, durante uma reunião com representantes da indústria bélica russa, que o controle das regiões sul da Ucrânia daria ao exército russo acesso à Transnístria.
“Onde também são constatados os fatos de discriminação contra os residentes de fala russa”,
disse o militar.

A Transnístria faz oficialmente parte da Moldávia, uma ex-república soviética, e desde meados dos anos 1990 conta com presença de pelo menos 1.500 tropas russas, que apoiam um governo separatista local – numa situação similar à das regiões russófonas da Geórgia.
“Aparentemente, estamos agora em guerra com o mundo inteiro”, disse Minnekayev.
- As agências russas não mencionaram quaisquer evidências ou detalhes dados por Minnekayev sobre a suposta “opressão” sofrida pela minoria russa da Moldávia.
- Tais alegações vagas costumam ser instrumentalizadas pelo Kremlin para justificar ofensivas militares contra países vizinhos.
Em sua ofensiva de propaganda que precedeu a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro, o presidente Vladimir Putin fez afirmações idênticas sobre uma suposta perseguição de falantes de russo em território ucraniano. Em 2008, seu antecessor Dmitry Medvedev ordenou uma ofensiva contra a Geórgia usando alegações semelhantes.

Mudanças de estratégia?
Os comentários do general Minnekayev contradizem diretamente as alegações anteriores de Putin de que a Rússia não planejava ocupar cidades ucranianas permanentemente e sugere que
- o Kremlin pode estar mudando a estratégia
- após fracassar no objetivo de tomar Kiev e forçar uma “mudança de regime” na Ucrânia,
- instalando um governo colaboracionista em todo o país.
Até hoje, Putin e o ministro da Defesa do país, Serguei Shoigu, tinham no máximo admitido que o objetivo “principal” da chamada “operação militar especial” russa era a “libertação completa do Donbass”, no leste, sem mencionar o sul.
A campanha da Rússia no sul da Ucrânia tem sido mais bem-sucedida do que suas tentativas de tomar Kiev, no norte, embora Moscou também tenha enfrentado forte resistência das tropas ucranianas na parte oriental do país. A Rússia já ocupou a cidade de Kerson e afirmou que assumiu o controle quase total de Mariupol.
A jornalista russo-americana Julia Ioffe, uma especialista no regime de Putin, afirmou, diante das falas do general, que também ouviu de outras fontes que a Rússia planeja transformar a Ucrânia em “uma pequena nação sem litoral”.
- Não está claro se os comentários do general expressaram uma visão pessoal ou revelaram de fato planos formais da Rússia para a região.
- Ainda assim, as falas foram reproduzidas sem censura por agências estatais controladas pelo Kremlin.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi questionado por jornalistas se as falas do general refletem objetivos concretos da Rússia, mas ele se recusou a comentar.
“Imperialismo” russo
O Ministério da Defesa da Ucrânia denunciou os comentários do general Minnekayev como um exemplo de “imperialismo” russo.
Em um comunicado postado no Twitter, autoridades ucranianas disseram que a Rússia
“reconheceu que o objetivo da ‘segunda fase’ da guerra não é a vitória sobre os ‘míticos nazistas’, mas simplesmente a ocupação do leste e do sul da Ucrânia”. “Eles pararam de esconder”,
completa a mensagem.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, também acusou a Rússia de planeja realizar uma série de referendos de fachada com o objetivo de apoiar a “independência” de regiões ucranianas ocupadas e assim criar uma série de estados separatistas pró-Rússia – assim como ocorreu na Crimeia em 2014.
Zelenski advertiu aos ucranianos em áreas ocupadas para não fornecerem informações pessoais às forças russas. Segundo o presidente, a Rússia estaria elaborando planos prévios de
“falsificar referendos em sua terra, se uma ordem vier de Moscou para encenar tal espetáculo”.
jps/bl (AFP, EFE, Reuters, ots)
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