
Deutsche Welle – 24 fevereiro 2022 – Foto: DW
A Rússia iniciou nas primeiras horas desta quinta-feira (24/02) um ataque à Ucrânia. Num pronunciamento, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que autorizou uma operação militar contra o país com o objetivo de “
- desmilitarizar” o país
- e eliminar o que chamou de ameaças contra Moscou.
O líder russo instou os militares ucranianos a deporem suas armas e abandonarem seus postos.
“Todos os soldados ucranianos que cumprirem essa exigência estarão aptos a deixar livremente as zonas de combate e retornarem a suas famílias”, disse Putin.
Horas antes, o Kremlin anunciou que líderes das regiões separatistas no leste da Ucrânia haviam pedido assistência militar de Moscou, para se defenderem de supostas agressões por parte de Kiev.
Em seu pronunciamento,
- Putin afirmou que Moscou não teve outra alternativa a não ser lançar a operação, embora o motivo não tenha sido inicialmente esclarecido.
- Putin alegou que a operação visa proteger a população que, segundo ele, estaria sendo vítima de “abusos e genocídio” pelos últimos oito anos.
A Ucrânia rejeita as acusações de genocídio contra a população das regiões ocupadas desde 2014 pelos grupos separatistas pró-Moscou, dizendo se tratar de um pretexto para justificar uma invasão.
Ataque em várias cidades e invasão por terra e mar
Explosões foram ouvidas por repórteres de agências alguns minutos depois do fim do pronunciamento de Putin.
O mandatário russo disse que responderia imediatamente se alguma força externa tentasse interferir com suas ações.
“Ninguém deveria ter nenhuma dúvida de que um ataque direto ao nosso país levará à derrota e a consequências terríveis para qualquer agressor potencial”, afirmou.
Após o anúncio russo, o ministro ucraniano do Exterior, Dmytro Kuleba, afirmou através do Twitter que seu país era alvo de uma “invasão em larga escala”.
Kiev anunciou nesta quinta-feira o fechamento do espaço aéreo para aeronaves civis.
Explosões foram ouvidas na capital ucraniana e em várias cidades do país próximas à fronteira com a Rússia. O mesmo ocorreu em localidades nas regiões costeiras, assim como na cidade portuária de Odessa, próxima à Península da Crimeia, ocupada por Moscou.
Também foram registradas explosões em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, a 35 quilômetros da fronteira russa, localizada fora das regiões dominadas pelos separatistas.
Segundo a Ucrânia, tropas russas atravessaram por terra a fronteira do país em diversos pontos no leste e desembarcaram por mar nas cidades de Odessa e Mariupol.
Os Estados Unidos e seus aliados estimam que a Rússia já havia acumulado em torno de 150 mil soldados na fronteira com a Ucrânia. Horas antes do ataque, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que esse total seria de 200 mil membros das forças armadas russas.
Lei marcial
Logo após o início do ataque russo, Zelenski impôs a lei marcial no país e pediu calma à população. A medida contou com o aval do Parlamento ucraniano.
Com a medida, as leis civis passam a ser substituídas por regras militares.
“Nesta manhã, a Rússia lançou uma nova operação militar contra o nosso Estado. Essa é uma invasão completamente cínica e infundada”, afirmou Zelenski. “Nós, os cidadãos da Ucrânia, temos determinado nosso futuro desde 1991”,
disse em referência ao ano do colapso da União Soviética.
“Mas agora, o que está sendo decidido não é somente o futuro do nosso país, mas o futuro de como a Europa quer viver”, acrescentou.
Zelenski pediu que a população mantenha a calma e permaneçam em casa. Ele destacou ainda que o governo está fazendo de tudo para defender o país.
“Sem pânico. Nós somos fortes. Estamos prontos para tudo. Vamos vencer todos porque somos a Ucrânia”, acrescentou.
O presidente pediu ainda que a comunidade internacional crie uma “coalizão anti-Putin”para apoiar a Ucrânia, por meio de apoio militar e financeiro, e disse estar em contato com líderes de vários países.
Zelenski solicitou ainda a aplicação de sanções imediatas contra a Rússia.
Reação internacional
Líderes mundiais condenaram o anúncio da operação militar contra a Ucrânia. Países ocidentais prometeram intensificar as sanções contra Moscou, enquanto o Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, exigiu que o conflito seja imediatamente encerrado.
Guterres fez um apelo direto e pessoal a Putin após uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU que foi realizada antes do anúncio, pedindo ao presidente russo a parar com a operação “em nome da humanidade”.
O apelo foi feito praticamente ao mesmo tempo em que Putin anunciava a operação militar em sua fala pela televisão estatal russa.
“Não permita que comece na Europa o que poderia ser a pior guerra desde o início do século”, disse. “O conflito precisa parar agora”,
acrescentou o Secretário Geral da ONU, dizendo que este é o “dia mais triste” de seu mandato.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse pouco depois do anúncio da operação que
“as preces do mundo todo estão com o povo da Ucrânia esta noite enquanto sofrem um ataque injustificado e sem provocação prévia por forças militares russas”.
Ele alertou que
“apenas a Rússia é responsável pelas mortes e destruição que esse ataque vai trazer”. “O mundo vai responsabilizar a Rússia”,afirmou.
O chanceler federal alemão, Olaf Scholz, descreveu a operação militar russa como uma
“manifesta violação” das leis internacionais, e disse que este é um “dia sombrio” para a Europa. “A Alemanha condena nos termos mais fortes possíveis esse ato inescrupuloso do presidente Putin. Nossa solidariedade para com a Ucrânia e sua população”,
disse, em comunicado.
Scholz, cujo país ocupa a presidência rotativa do grupo dos países do G7, disse que este é um “dia terrível para a Ucrânia”. Ele instou Moscou a cessar imediatamente suas operações militares.
O secretário-geral da aliança militar atlântica Otan, Jens Stoltenberg, afirmou que a Rússia
“escolheu o caminho da agressão contra um país soberano e independente”. O anúncio “coloca em risco incontáveis vidas civis”.
Stoltenberg ainda descreveu a decisão da Rússia como
“uma grave violação das leis internacionais e uma séria ameaça à segurança. euro-atlântica”
A Otan realiza reunião de emergência nesta quinta-feira.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se disse
“indignado”num tuíte com os“terríveis acontecimentos na Ucrânia”.
“O presidente Putin escolheu um caminho sangrento e de destruição ao lançar um ataque sem provocação à Ucrânia. O Reino Unido e nossos aliados vão responder de forma decidida.”
Os dois principais dirigentes da União Europeia condenaram a
“agressão militar sem precedentes” da Rússia.
A UE deverá impor novas, “massivas e severas”sanções à Rússia, segundo afirmaram a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.
Líderes do bloco de 27 países se encontram na manhã desta quinta-feira para uma reunião de emergência anunciada na quarta, antes da decisão do presidente russo de lançar a operação militar na Ucrânia.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a França é solidária com a Ucrânia. “A Rússia precisa parar imediatamente com suas operações militares”, tuitou, dizendo que Moscou decidiu “travar uma guerra” contra a Ucrânia.
Já o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, disse que se encontraria com parceiros do G7 para elaborar uma resposta coletiva ao anúncio de Putin,
“incluindo a imposição de sanções adicionais às anunciadas mais cedo esta semana”.
A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), da qual a Rússia é membro, divulgou declaração dizendo que
“esse ataque à Ucrânia coloca as vidas de milhões de pessoas em grave risco e é uma grave violação da lei internacional e dos compromissos da Rússia”.
cn (dw/Reuters/Afp/Efe/AP)
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