O Evangelho da Fome

por  – 09.12.2021 – Foto: Outras Palavras

Desemprego e miséria, gêmeos siameses, assolam dezenas de milhões de famílias brasileiras. O clima é de derrota, mas até quando? “Metade da humanidade não come; e a outra não dorme, com medo da que não come”,

já disse Josué de Castro

 

O melhor critério para avaliar o atual governo, que compreende todos os envolvidos no golpe de 2015, é a fome.

  • São mais de 100 milhões de brasileiros em insegurança alimentar
  • e 19 milhões na miséria absoluta. Ao sepultar o Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC) o atual governo também ressuscitou a sede.

Podemos trazer junto os irmãos siameses da fome,

  • como a invasão dos territórios ancestrais,
  • o desemprego,
  • a derrubada da legislação trabalhista retirando as garantias mínimas ao trabalhador,
  • a desindustrialização,
  • quem sabe alguma contribuição da pandemia,
  • embora ela esteja no mundo inteiro e só aqui o desemprego e a fome tenham avançado em números tão altos.

Faz parte desse rosário a destruição dos bens naturais desse país.

A fome não rouba o sono dos donos do poder.

  • Foi atribuída a Josué de Castro a famosa frase: “metade da humanidade não come; e a outra metade não dorme, com medo da que não come”.
  • Millôr Fernandes ironizou a frase de Josué: “metade passa fome, metade faz regime”.
  • Convenhamos, Millôr estava certo.

Voltaram

  • os pedintes,  os flanelinhas dos faróis,
  • cresceu o povo de rua,
  • gente furtando comida,
  • gente disputando ossos nos lixões ou desmaiando de fome nas filas do país.

Quem passou a vida na luta pela superação da fome, da sede e da miséria, literalmente a luta por um copo de água limpo e um bom prato de comida, evidentemente todos os dias sente a amargura da derrota.

Nesse momento da história, fomos vencidos. Mas, a derrota real é dos que passam fome.

Jesus disse

  • bem-aventurado porque “tive fome e me destes de comer” (Mt 25,35).
  • E amaldiçoada porque “tive fome e não me destes de comer” (Mt 25,42).

Portanto, esse é o critério último do julgamento religioso-ético-político de um governo.

Há nessas frases uma dimensão sociopolítica, não só individual. Esse é o Evangelho da Fome.

 

Roberto Malvezzi - LETRAS.MUS.BR

 

Roberto Malvezzi (Gogó)

https://outraspalavras.net/crise-brasileira/o-evangelho-da-fome/Fonte

 

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